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Zouri, as sandálias portuguesas feitas de lixo plástico

Meia dúzia de garrafas de plástico fazem um par de solas para as novas sandálias ecológicas made in Portugal. Retira-se lixo da natureza, cria-se um novo produto e gera-se uma economia circular que vem na linha das mais recentes orientações internacionais. Conheça o projeto de Adriana Mano e António Barros.

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Nunca tanto se falou da necessidade de reciclar o plástico que polui o planeta. É o tema bandeira de 2018 de várias organizações e iniciativas internacionais e a preocupação de muitas pessoas de há uns anos a esta parte. Também de Adriana Mano, 35 anos, com formação nas áreas de design e marketing, e de António Barros, 52 anos, com formação em design de produto e fotografia.

 

Há marca chegou há pouco mais de um mês ao mercado, mas a «a Zouri nasceu há dois anos num sonho nosso de querer retirar lixo plástico do oceano e incluí-lo numa linha de calçado eco-vegan. A nossa grande paixão pelo oceano e pelos valores de preservação da natureza foi a maior motivação», começa por explicar Adriana Mano.

 

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O objetivo é proporcionar um produto adequado às pessoas que se preocupam com o meio ambiente e com os oceanos, bem como ao público vegan. Públicos estes cada vez maiores e com maior expressão nos mercados internacional e nacional. O conceito ZOURI assenta, por isso, «na valorização do lixo plástico utilizando-o como matéria-prima na produção de calçado com vista a reverter a sua depositação e acumulação nos oceanos», explica.

 

E como se utiliza o plástico em calçado? Para já fique com estes números: um par de solas para o tamanho 38 pesa 160g com 50/70g de plástico, o que equivale a 5/6 garrafas de plástico. É lixo que é retirado das praias e volta a ter utilização.

 

E Adriana Mano explica como chegaram ao resultado: «Realizámos vários testes e estudos até conseguirmos incorporar o plástico na sola das sandálias. Visto o plástico não ser um material indicado para calçado, conseguimos contornar o problema agregando-o à borracha natural que é um material ideal para solas. Os testes realizados levaram-nos a um resultado ótimo onde a sola incorpora 30% de plástico e 70% de borracha natural garantindo uma durabilidade e resistência excelente».

 

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Assim, as sandálias são compostas por várias matérias primas, nomeadamente o plástico reciclado do mar e vários materiais naturais vegan e amigos do ambiente: piñatex, borracha natural, juta e cortiça. A responsável explica que, nas sandálias, podem-se encontrar da seguinte forma:

 

1. Gáspea: piñatex
Este é um tecido natural inovador feito de fibra de folhas de abacaxi. As folhas são o subproduto da agricultura existente e o seu uso cria um fluxo de valor adicional para as comunidades agrícolas. Trata-se de um material natural, sustentável e livre de crueldade animal.

 

2. Entressola: Palmilha de conforto com cortiça e látex
A cortiça é a casca do sobreiro (Quercus Suber L.), o que significa que é um tecido vegetal 100% natural. É retirada a cada nove anos, sem que nenhuma árvore seja cortada durante este processo, e dá origem a uma infinidade de produtos, desde os tradicionais aos mais inovadores e inesperados. O principal é a rolha. É do excedente/desperdício da produção de rolhas que advém a matéria-prima para produzir as palmilhas do Zouri. O látex é uma borracha natural proveniente da árvore-da-borracha. É um material 100% natural que funciona como aglomerador da cortiça para a produção da entressola Zouri. A cobertura da entressola é em juta, uma fibra têxtil vegetal que provém da família Tilioideae. Este material é 100% natural, utilizado sem qualquer tratamento.

 

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3. Sola: Borracha natural com plástico reciclado do oceano.
O látex natural funciona como aglomerador do plástico para a produção da sola Zouri. O plástico é proveniente das recolhas realizadas pelos parceiros nas praias do norte de Portugal.
Com poucas semanas de lançamento, a dupla considera que está a ter um bom arranque. Metade das vendas foram para mercados internacionais, desde o Reino Unido à Austrália. «Conseguimos alcançar o nosso objetivo no crowdfunding e estamos nesta fase a responder a propostas de parceira para a distribuição em lojas vegan ou ligadas às questões ambientais e ecológicas», adianta Adriana Mano que revela já estarem a pensar alargar a oferta muito em breve.

 

A ideia é gerar negócio ao mesmo tempo que se ajuda a limpar o planeta. Uma motivação que Adriana Mano convida todos os portugueses a seguirem em defesa dos oceanos: «Contribuam consumindo menos plástico e, se conseguirem, adotem o hábito de recolher plástico quando vão à praia. Bastam cinco minutos e pode ser mesmo quando estão a sair da praia pelo caminho de volta. Se todos adotarmos este hábito seguramente conseguiremos resolver este problema.Temos ainda uma longa caminhada, até porque nos últimos quatro anos produzimos mais plástico do que desde a invenção do plástico até há quatro anos. O caminho será longo, mas não poder ser só na recolha, tem também ser quando consumimos, não optarmos por produtos embalados em plástico, não usarmos palhinhas, nem plástico de curta duração no geral.».

 

Veja agora, na galeria no início do artigo, algumas imagens da coleção das sandálias Zouri.

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