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«Viver da minha arte é uma dádiva»

Na semana em que terminam as gravações da novela ‘Belmonte’, falamos com a protagonista Graziela Schmitt, a atriz brasileira que apaixonou os portugueses e se deixou apaixonar por Portugal.

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Na reta final de ‘Belmonte’, que balanço faz da sua participação?

Dediquei-me integralmente ao meu trabalho desde o dia em que cheguei a Lisboa. Levo a minha profissão muito a sério, por isso, dedico muito tempo a estudar e pesquisar. E nem fazia sentido ser de outra forma, não vim para Portugal de férias. A minha personagem Paula exigiu trabalho e entrega desde o começo. Para além de ser um desafio extremamente mental, o ritmo de produção exigiu que trabalhasse a dobrar em casa para manter o “raccord” emocional da personagem.

Há uns meses disse numa entrevista que por vezes estuda as cenas da novela no Skype com o seu namorado, o ator Paulo Leal. Ainda mantém este hábito?

Isso foi uma coisa que fizemos uma vez, não temos esse hábito. Na verdade, eu trabalho regularmente com a coach e preparadora de atores Karla Muga. Quando tenho tempo, é com a Karla que estudo as cenas e desenho o percurso da personagem.

Como são os fãs portugueses? Mais tímidos que os brasileiros?

Os portugueses são igualmente amorosos. Diria que muda apenas a abordagem, os brasileiros são mais expansivos na demonstração de afeto.

A sua família acompanha a novela no Brasil?

Os meus pais vêem a novela através do Youtube. Não perdem um episódio, adoram a forma como o Artur (Artur Ribeiro, autor da novela) costura a história.

A Graziela entende o sotaque português. É capaz de o imitar?

Já tinha estado em Portugal duas vezes, em contexto de trabalho. No ano de 2005, com o espetáculo ‘Beijo na Boca’ e, em 2013, com ‘Bonitinha mas Ordinária’, no Festival Brasil em Portugal. Da primeira vez fiquei um mês em Portugal. Nos primeiros três dias não percebia nada, mas depois disso foi muito fácil. Todos os dias imito o sotaque português, nas gravações, em brincadeiras com os meus colegas, mas sei que não o faço perfeitamente. Assim como os meus colegas estão sempre a imitar o sotaque brasileiro.

Tem viajado por Portugal? Qual é a sua impressão do país?

Estou simplesmente apaixonada por Portugal. O país é lindíssimo e pouco explorado pelo turismo brasileiro. Fiquei encantada com o Gerês, quero regressar lá quando surgir uma oportunidade. A Costa Vicentina é outro lugar que ninguém conhece no Brasil e que é um verdadeiro paraíso.

Mora na zona da Expo. Prefere a Lisboa moderna aos bairros típicos?

Quando cheguei a Portugal, a minha ideia era morar no Chiado ou no Príncipe Real, mas acabei por optar pela Expo por causa da proximidade com o estúdio. Adoro viver naquela zona, mas também gosto muito de passear pela Lisboa antiga e explorar os bairros típicos, que me deixam fascinada.

Gosta da gastronomia portuguesa? Tem algum prato preferido?

Gosto de comer no geral, e a gastronomia portuguesa não me deixou indiferente. Gosto muito de bacalhau à Brás, tive oportunidade de comê-lo em Elvas, que foi onde surgiu a receita do prato. Quanto a sobremesas, gosto de todas, mas confesso que gosto muito de sericaia.

Sei que é fã de Amália. Já teve oportunidade de descobrir outros fadistas ou de ir a algum restaurante com fado ao vivo?

O trabalho da Amália é lindo e incomparável. Mas também adoro a Ana Moura e a Cuca Roseta. Recentemente descobri uma casa de fados maravilhosa em Alfama, chama-se Caso Sério.

Depois destes meses em Portugal, que opinião tem dos portugueses no geral?

Temos muito em comum, sinto-me em casa neste país. Portugal é para ficar na minha vida, tornou-se uma segunda casa.

E as mulheres portuguesas são bonitas?

Acho que são lindas, por dentro e por fora. Sinto-me uma privilegiada por ter privado de perto com os portugueses.

Quais as diferenças entre as mulheres portuguesas e as brasileiras?

O Brasil tem o culto ao corpo desde sempre e, por causa do clima, temos uma moda mais despojada. A praia determina muito os nossos hábitos. As mulheres portuguesas arranjam-se mais, diria eu.

Pode partilhar os seus segredos de beleza?

Cuidar-me como um todo, desde a saúde mental, à física e espiritual. Escolher bem a minha alimentação, os meus treinos e também as minhas pausas. Para mim, a água e o sono são grandes aliados. Por outro lado, também tenho muito cuidado com a proteção solar.

Ficou a conhecer algum estilista ou marca portuguesa?

Amei os StoryTaylors. Mas também gosto de Diogo Miranda e de Filipe Faísca. Creio que a moda portuguesa tem propostas de uma imensa criatividade e estilo.

Como descreveria o seu estilo?

Aprecio a irreverência da moda e, em situações especiais, gosto de me arranjar. Mas defino o meu estilo do dia-a-dia como descontraído e confortável.

Sente pena de não estar no Brasil durante o Campeonato do Mundo? Vai torcer pela seleção do Brasil ou de Portugal?

Assisti ao jogo do Brasil ligada ao Facetime com a minha família. Voltarei ao Brasil a meio do Mundial, por isso, ainda vou conseguir aproveitar bastante o ambiente. Claro que irei torcer pelo Brasil, mas torcerei sempre com todo o carinho nos jogos da seleção portuguesa.

Sei que adora viajar. Quais os seus lugares preferidos no mundo?

Amo viajar! Mas tenho de dizer que determinada cidade é especial de acordo com o momento. Lisboa é maravilhosa para viver. Assim como penso que Barcelona também deve ser. Quando estive lá fiquei encantada com a obra de Gaudi. Já Nova Iorque deve ser um máximo para estudar e passar uma temporada. São Paulo é ótima para trabalhar, já morei lá duas vezes. Niterói foi onde passei a minha adolescência, assim que cheguei de Porto Alegre, aos 12 anos, e é um sítio incrível para crescer. Só saí de lá aos 22 anos, para morar no Rio de Janeiro, que é a cidade perfeita para experimentar “a dor e a delícia de ser o que se é”, todos os sabores e dissabores da vida. Amaria viver por uns tempos em Berlim e Paris.

Qual é o seu sonho em termos profissionais? E a nível pessoal?

Viver da minha arte já é uma dádiva, o sonho é que a minha vida continue assim, com surpresas maravilhosas como a Paula e a vida que tive em Portugal no último ano. Outro sonho é transformar o espetáculo ‘Limpe todo sangue antes que manche o carpete’ de Jô Bilac, em filme. Neste momento estamos a trabalhar na adaptação em parceria com a produtora Pontos de Fuga. A nível pessoal, também já estou no caminho daquilo que idealizei.

Por Joana de Sousa Costa