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Vitaminas, proteínas e exercício melhoram qualidade de vida e prognóstico de doentes com cancro

Uma alimentação inadequada pode conduzir à malnutrição, aumentando os níveis de toxicidade no organismo, o que tem consequências no plano de tratamento e nos seus resultados práticos, alerta a nutricionista Elsa Madureira.

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Os doentes com cancro têm um elevado risco de malnutrição, o que tem um impacto muito negativo nos resultados dos tratamentos, alerta a especialista em nutrição, Elsa Madureira.

 

A nutricionista do Serviço de Nutrição do Centro Hospitalar e Universitário de São João, no Porto, reforça que «uma ingestão adequada em energia e proteínas em associação à prática de exercício adaptado, permitem ao doente tolerar melhor os efeitos secundários dos tratamentos».

 

A importância da suplementação nutricional, incluindo a vitamina D, na função do músculo, e a importância do exercício físico ao longo da jornada do doente oncológico são alguns dos temas que vão estar em destaque na 2.ª edição do Symposium ONCOFIT “From Sports Lab to Cancer Clinic”, que vai decorrer nos dias 18 e 19 de março, no Centro de Reabilitação do Norte – Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

 

Elsa Madureira, uma das moderadoras do simpósio, explica que «tanto por efeito do cancro como dos tratamentos, dão-se alterações na composição corporal, nomeadamente uma diminuição (depleção) da massa muscular, bem como alterações na capacidade do doente de se alimentar ou aproveitar os nutrientes».

 

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A especialista alerta que uma alimentação inadequada pode conduzir à malnutrição, aumentando os níveis de toxicidade no organismo, o que tem consequências no plano de tratamento e nos seus resultados práticos. «Daí ser necessária uma intervenção nutricional individualizada e, em algumas situações, ser recomendada a suplementação de alguns nutrientes. É o caso das proteínas, dos ácidos gordos ómega 3 e da vitamina D que ajudam a melhorar a saúde muscular nos doentes que perderam massa muscular», acrescenta.

 

De acordo com nutricionista, a depleção muscular é a característica mais marcante da malnutrição oncológica, a qual está relacionada com a ação das citocinas pro-inflamatórias e outros mediadores tumorais que atuam em vários órgãos, além de alguns fármacos utilizados no tratamento oncológico (quimioterapia e imunoterapia).

 

Por isso, «uma ingestão alimentar inadequada tanto em energia como em proteínas e insuficiente em alguns micronutrientes (ou o comprometimento da absorção intestinal) assim como a inatividade física, também contribuem para esta depleção da massa muscular», refere Elsa Madureira.

 

Na sua opinião, é possível promover o anabolismo muscular nestes doentes através de uma intervenção multimodal. «É necessária a associação de uma alimentação adequada à prática de exercício físico orientado. Esta intervenção deve ser o mais precoce possível, se possível ainda antes do início dos tratamentos, mas durante os mesmos é igualmente importante e eficaz», salienta. Mas acrescenta que «a intervenção nutricional deve ser sempre individualizada e adequada à situação clínica, sociofamiliar da pessoa e aos gostos/preferências/tolerâncias do doente».

 

As recomendações nutricionais passam pela adequação do aporte energético e proteico. «Quanto à qualidade das proteínas, as de fonte animal são as que melhores resultados promovem a nível da síntese muscular».

 

Sugere ainda uma distribuição da ingestão proteica ao longo do dia, repartida em porções relativamente semelhantes pelas várias refeições diárias. Afirma que «os ácidos gordos polinsaturados n-3 (alguns óleos vegetais e de peixes), graças à sua ação anti-inflamatória, parecem ter um efeito positivo no controlo do processo de caquexia (síndrome multifatorial que leva a  perda de massa muscular associada à resposta inflamatória e falta de apetite) e no aumento do apetite, pelo que é recomendada a sua ingestão».

 

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