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Violência de género custa 366 mil milhões de euros ao ano

Novo relatório do Instituto Europeu para a Igualdade de Género permite aferir que apenas 0,4% do custo da violência de género é gasto em abrigos para as vítimas. Análise permite identificar lacunas e, assim, canalizar verbas para as áreas mais necessitadas.

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O Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE) estima que o custo da violência baseada no género na União Europeia (UE) é de 366 mil milhões de euros por ano. A violência contra as mulheres representa 79% deste custo, no valor de 289 mil milhões de euros.

 

A vida humana, a dor e o sofrimento não têm preço. No entanto, saber o custo da violência pode ajudar os países da UE a canalizar dinheiro para onde é realmente necessário – e onde é mais eficaz em termos de custos.

 

«O dinheiro gasto no apoio às vítimas não é suficiente, com serviços como abrigos representando apenas 0,4% do custo da violência de género. Os países da UE precisam de investir mais em atividades que previnam a violência contra as mulheres e protejam as vítimas – isto é um imperativo moral e também uma economia inteligente», disse Carlien Scheele, diretora do EIGE.

 

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Repartição dos custos

O novo estudo divide os diferentes custos da violência de género, com o maior custo vindo do impacto físico e emocional (56%), seguido por serviços de justiça criminal (21%) e perda de produção económica (14%). Outros custos podem incluir serviços de justiça civil (para processos de divórcios e custódia de crianças, por exemplo), auxílio a moradia e proteção infantil.

 

O EIGE calculou o custo da violência baseada no género na UE e em cada Estado-Membro com base em dados extrapolados do Reino Unido. Isto associa o custo da violência baseada no género em cada Estado-Membro da UE diretamente ao tamanho da sua população.

 

Uma vez que o estudo do EIGE inclui uma revisão das metodologias existentes para calcular o custo da violência baseada no género, os Estados-Membros da UE podem usar isso como um alicerce para conceber as suas próprias estimativas de custos internos, indica o EIGE.

 

Assim, para garantir um cálculo preciso do custo da violência de género, os países da UE precisam de dados detalhados de serviços públicos, como a aplicação da lei e o setor de justiça.

 

Como a violência de género é subdiagnosticada, os países também precisam de dados de pesquisa para ter uma ideia real do número de vítimas.

 

A violência praticada por parceiros íntimos, que disparou durante a pandemia de Covid-19, representa quase metade (48%, € 174 bilhões) do custo da violência de género.

 

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A violência praticada por parceiros íntimos contra as mulheres representa 87% deste montante (151 mil milhões de euros).

 

A recolha de dados detalhados sobre as diferentes formas de violência com base no género é uma obrigação ao abrigo da Convenção de Istambul, que todos os países da UE assinaram e 21 ratificaram. O estudo será publicado em agosto de 2021.

 

 

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