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Violência contra mulheres piora durante a pandemia

Novos dados da ONU Mulheres são divulgados no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, assinalado a 25 de novembro. A iniciativa 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Género arranca hoje a nível mundial.

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Um novo relatório divulgado pela ONU Mulheres destaca o impacto da pandemia COVID-19 na segurança das mulheres em casa e nos espaços públicos. O relatório, divulgado no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, assinalado a 25 de novembro, mostra que os sentimentos de segurança das mulheres foram corroídos, levando a impactos negativos significativos no seu bem-estar mental e emocional.

 

O relatório surge no momento em que o mundo dá início aos 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Género, de 25 de novembro a 10 de dezembro, sob o tema global definido pela campanha UNiTE do Secretário-Geral da ONU, “Orange The World: Acabar com a Violência contra as Mulheres Agora!”

 

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“A violência contra as mulheres é uma crise global existente que prospera no decorrer de outras crises. Conflitos, desastres naturais relacionados com o clima, insegurança alimentar e violações dos direitos humanos contribuem para que mulheres e meninas vivam com uma sensação de perigo, mesmo nas suas próprias casas, bairros ou comunidades. A pandemia da COVID-19, que exigia isolamento e distanciamento social, possibilitou uma segunda pandemia de violência contra mulheres e meninas, onde frequentemente se encontravam confinadas com os seus agressores. Os nossos novos dados sublinham a urgência de esforços conjuntos para acabar com isso”, declara a diretora-executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous.

 

Novas descobertas

O novo relatório, “Medindo a sombra da pandemia: Violência contra as mulheres durante a COVID-19”, com base em dados de pesquisa de 13 países (Albânia, Bangladesh, Camarões, Colômbia, Costa do Marfim, Jordânia, Quénia, Quirguistão, Marrocos, Nigéria, Paraguai, Tailândia e Ucrânia), mostra que quase 1 em 2 mulheres relatou que elas ou uma mulher que conhecem experimentaram uma forma de violência desde o início da pandemia. As mulheres que relataram isso tinham 1,3 vezes mais probabilidade de relatar um aumento do stresse mental e emocional do que as mulheres que não o fizeram.

 

Os resultados também revelaram que cerca de 1 em cada 4 mulheres estão a sentir-se menos seguras em casa, desde que o conflito existente aumentou dentro das famílias devido à pandemia. Quando as mulheres foram questionadas sobre por que se sentiam inseguras em casa, elas citaram o abuso físico como um dos motivos (21%). Algumas mulheres relataram especificamente que foram molestadas por outros membros da família (21%) ou que outras mulheres da casa foram molestadas (19%).

 

Fora de casa, as mulheres também se sentem mais expostas à violência, com 40% das entrevistadas a dizer que se sentem menos seguras para andar sozinhas à noite desde o início da COVID-19. Cerca de 3 em 5 mulheres também pensam que o assédio sexual em espaços públicos piorou durante a pandemia.

 

Fatores socioeconómicos, como pressão financeira, emprego, insegurança alimentar e relações familiares destacaram-se como tendo um impacto significativo não só nas experiências de segurança (ou violência), mas também no bem-estar geral das mulheres.

 

No entanto, há fortes evidências de que é possível acabar com a violência contra mulheres e meninas. “A violência contra as mulheres não é inevitável. As políticas e programas certos trazem resultados. Isso significa estratégias abrangentes e de longo prazo que combatem as raízes da violência, protejam os direitos das mulheres e meninas e promovam movimentos fortes e autónomos pelos direitos das mulheres. A mudança é possível, e agora é a hora de redobrar os nossos esforços para que, juntos, possamos eliminar a violência contra mulheres e meninas até 2030 “, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

 

#OrangeTheWorld: 16 dias de ativismo no mundo

A campanha 16 Dias de Ativismo, uma iniciativa liderada pela sociedade civil, lançada pelo Center for Women’s Global Leadership em 1991, faz 30 anos.

 

Em todo o mundo, dezenas de eventos organizados ao longo da quinzena voltam a ter como objetivo mobilizar ações para garantir um futuro mais brilhante e livre de violência para mulheres e meninas, simbolizado pela cor laranja.

 

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Na Islândia, uma marcha à luz de velas será organizada para iluminar e vislumbrar o fim deste flagelo. No Malawi, um torneio desportivo demonstrará que meninos e meninas fazem parte da mesma equipa de combate à violência de género. Na Palestina, uma exposição móvel de 16 dias com o título: “Dizemos, compartilhamos” faz passar a mensagem e, no Panamá, a campanha online “Ya es Ya” destacará descobertas, estatísticas e políticas públicas promissoras, etc.

 

Como nos anos anteriores, espera-se que edifícios icónicos em todo o mundo sejam iluminados com a cor laranja durante os 16 dias, incluindo a Grand Place City Hall em Bruxelas, o Palácio das Nações, em Genebra, a Igreja do Mosteiro, na Albânia, etc.

 

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