Home»VIDA»CASA & FAMÍLIA»Violência contra as crianças aumenta

Violência contra as crianças aumenta

No Dia Internacional Contra a Agressão Infantil, analisamos os números e medidas preventivas da realidade portuguesa e olhamos para o cenário internacional

Pinterest Google+

O Dia Mundial das Crianças Vítimas de Agressão ou Dia Internacional Contra a Agressão Infantil, assinalado a 4 de junho, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1982, como data de reflexão. A violência contra a criança, apesar de despertar o interesse de toda a sociedade, é um fenómeno em crescimento pelo mundo e acontece de diversas formas.

Em Portugal, as notícias recentes de casos de violência extrema contra crianças, como o caso do bebé de meses em Oeiras e a menina de dois anos em Loures, em que o pai e o padrasto são os suspeitos, vêm alertar para o crescimento dos números e para a necessidade da sociedade intervir e exigir medidas preventivas para a defesa das crianças.

Na semana passada, foi apresentada na Assembleia da República a iniciativa Observatório da Criança “100 Violência”, criada para responder a esta necessidade. Rui Pereira, ex-ministro da Administração Interna e presidente desta associação, falou da importância da sensibilização do público relativamente à violência contra crianças.

Apesar da violência doméstica ser um crime público e das punições serem importantes, urge adotar medidas sociais integradas que trabalhem no sentido da prevenção. Na apresentação do Observatório, outras ideias importantes foram lançadas sobre o tema, nomeadamente o facto de as pessoas esquecerem rapidamente estes casos e ser necessário combater a sua banalização.

Já Manuel Morais, agente da Unidade Especial da Polícia de Segurança Pública, destacou que é preciso responsabilizar a sociedade e levá-la a denunciar mais as situações, relembrando que a maioria dos casos de violência contra as crianças surgem em lares onde já existe violência doméstica.

A história

Até ao século XVIII, a criança era pouco valorizada e vítima de vários abusos e agressões. No século XIX, as crianças passaram a ser percebidas como seres humanos autónomos e desenvolveu-se a psicologia, pedagogia, pediatria e psicanálise, com vista a melhorar a qualidade de vida das crianças. Com o tempo, a tarefa de zelar pelo bem estar das crianças passou a estar cada vez mais dividida entre os pais, família, comunidade, educadores e outros profissionais. Ou seja, toda a sociedade passou a ser responsável por cuidar dos seus menores.

No entanto, dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que nos países em desenvolvimento mais de 250 milhões de crianças dos 5 aos 14 anos de idade trabalham. A maioria (61%) vive na Ásia, seguindo-se África, com 32%. Em termos relativos, a situação na África é a mais preocupante, pois, em cada cinco crianças, duas trabalham.

Em grandes cidade como São Paulo, no Brasil, Luanda, em Angola, ou Banguecoque, na Tailândia, muitas crianças trabalham para ajudar a sustentar a família como lavadoras e guardadoras de carros ou engraxadoras, vivendo de gorjetas e sem acesso a educação básica. O trabalho infantil é proibido em quase todo o Mundo e o seu combate é considerado pela ONU e pela OIT uma das prioridades.

Outras formas de violência contra menores, como a escravatura sexual ou o tráfico infantil, têm também estado presentes nas agendas das maiores instituições de defesa dos direitos das crianças.

As crianças vítimas da guerra

Os conflitos mundiais favorecem o surgimento de novas formas de violência contra as crianças, como a exploração de menores como soldados ou a falta de condições com que estes vivem nos campos de refugiados.

O caso da guerra na Síria é um dos que tem tido mais voz a nível internacional apesar de, na prática, ainda pouco ter sido feito. Desde o início da guerra civil no país, em março de 2011, milhares de famílias procuraram abrigo nos países vizinhos: Líbano, Turquia e Jordânia. De acordo com dados de agosto de 2014, anunciados pelas Nações Unidas, o conflito da Síria já gerou a deslocação de quase sete milhões de pessoas dentro do país e três milhões deixaram o país. Só no Líbano, estão registados mais de um milhão de refugiados sírios, sendo que metade são crianças.

As crianças vítimas da guerra sofrem várias violações graves dos seus direitos humanos. A falta de segurança e de acesso a saúde e educação, assim como o trauma da guerra, impedem que estes menores se venham a desenvolver como cidadão saudáveis e integrados.

Os dados apontam para a morte de 7000 crianças, uma em cada três crianças foi baleada ou sofreu outro tipo de violência física e cinco milhões de menores precisam de ajuda urgente.

Por Joana de Sousa Costa

Artigo anterior

Johnny Depp é a nova cara da Dior

Próximo artigo

Cadeia líder nos Estados Unidos de entrega de pizzas abre primeira loja em Portugal