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Viajar de avião: as diferenças entre hoje e há 70 anos

Skycop, empresa que defende os passageiros e os seus direitos, fez um apanhado das maiores mudanças nas viagens aéreas nos últimos 70 anos. Fumar e beber era permitido, as refeições eram em loiça de porcelana e com talheres de prata, estar acima das nuvens era sinónimo de festa…

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No decorrer de um ano, cerca de quatro mil milhões de passageiros passam algum do seu tempo acima das nuvens e espera-se que esse número aumente com o passar do tempo. Se alguém tivesse partilhado estes números nos anos 50 do século passado, o mais provável seria chamarem-lhe lunático porque, naquele tempo, voar não era nada como é agora.

 

Os anos 50 e 60 são apelidados de Anos Dourados das viagens aéreas e, ainda que alguns olhem para esses tempos com saudade e fascínio, outros não concordam tanto com isso. Então vamos descobrir como os Anos Dourados eram diferentes da era moderna da aviação.

 

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1 – Antes de mergulharmos nos detalhes dos voos, falemos de publicidade. Anúncios modernos tendem a focar-se na acessibilidade, inclusão e responsabilidade, enquanto os anúncios dos anos 50 e 60 eram sobre luxo, conforto e aventura num (relativo) curto período. Slogans como “Voe num luxo sem comparação”, da Air France, “Demorou 27 anos para a Senhora Sullivan conseguir convencer o Senhor Sullivan a voar até ao Havai. A United Jet conseguiu-o numa tarde”, pela United Airline, e “Turistas chamam-lhe (e tu também o irás fazer): A melhor companhia aérea para se viajar”, por Douglas, todas divulgam novidades sobre o encanto das viagens de avião.

 

2 – Depois de se apaixonarem pelo anúncio e pela ideia de voar, os viajantes dos Anos Dourados tinham algumas opções de como conseguir os seus bilhetes – ligar diretamente para as companhias aéreas ou entrar em contacto com agentes de viagens pessoalmente, pelo telefone ou por carta. Agora, graças à magia da internet, os bilhetes estão, literalmente, a alguns cliques de distância a qualquer momento e pode escolher entre as várias companhias e preços.

 

3 – Falando de preços, pode chamar-se sortudo por poder viajar neste milénio. Nas últimas décadas, os preços dos voos baixaram em mais de 40% desde os Anos Dourados e a popularidade das companhias de baixo custo deu a oportunidade de viajar pelo ar a várias pessoas de diferentes classes económicas. Nos anos 50 e 60 apenas as pessoas ricas podiam disfrutar das viagens aéreas. Por exemplo, em 1955, a agora extinta Trans World Airline (abreviada de TWA) oferecia voos de Nova Iorque para Roma, Itália, por apenas 360 dólares. Parece fantástico, certo? Bem, naquele tempo o salário anual de uma pessoa chegava aos 4.000 dólares significando que uma viagem apenas de ida correspondia a 10% do salário anual da pessoa e, convertendo para os valores de hoje, ajustando a inflação, o bilhete custaria mais de 3.000 dólares! Ainda assim, naquele tempo não havia custos adicionais, como taxa de bagagens ou taxa para ter mais espaço para as pernas – talvez valesse a pena então? Voos de Nova Iorque para Roma hoje podem custar apenas 346$ se conhecer alguns truques. Claro que há opções luxuosas que podem custar muito mais do que 3.000$, mas o facto de podermos escolher é o que importa.

 

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5 – Embarcar era muito mais fácil naquele tempo. Verificações de segurança começaram em 1973, ou seja, até então embarcar era fácil: chegava, entregava o bilhete dividido em 3 partes e era-lhe entregue o bilhete de embarque, nem necessitava do seu bilhete de identificação. Agora pode demorar uma hora ou mais para conseguir passar pelas verificações de segurança, mas vale a pena.

 

6 – Hoje, quando finalmente chega ao avião é recebido pela tripulação de ambos os sexos com uma aparência amigável que o assiste durante o voo e explica o protocolo de emergência. Há 50 anos apenas as mulheres podiam ser hospedeiras de bordo: tinham de ser jovens, bonitas, charmosas e solteiras para conseguirem o lugar. As regras de muitas companhias aéreas ditavam que as hospedeiras só poderiam trabalhar até ao 32º aniversário, bem como o casamento também significava reforma. As hospedeiras de bordo tinham de pendurar os casacos, entregar revistas, servir refeições e ter conversas agradáveis com os passageiros.

 

7 – Voar, naqueles tempos, era um sinal de riqueza. As viagens aéreas eram vistas como um meio de transporte luxuoso e aventureiro com confortos que seriam inimagináveis nos nossos dias. Bares, mesas e até pianos estavam no avião para dar a melhor experiência de luxo. E, enquanto hoje se queixa sobre a falta de espaço para as pernas, há 50 anos, havia espaço suficiente não só para se sentar confortavelmente, como para andar ou até mesmo dançar.

 

8 – A comida nos aviões era também bastante diferente. Hoje pode ter direito a um snack de cortesia, mas naquele tempo, jantar nas nuvens tinha, sim, adivinhou, um sabor luxuoso. Refeições servidas em serviços de porcelana nos quais comia com talheres de prata. Saladas, carnes e até mesmo lagosta eram refeições servidas durante os voos e poderia “empurrar” tudo com um copo de champagne ou brandy. Na realidade, beber durante o voo era bastante comum uma vez que não havia muito mais a fazer a bordo. Sim, algumas pessoas liam livros, escreviam postais ou jogavam xadrez, mas muitos preferiam ter a experiência de uma festa acima das nuvens, regada com muita bebida. Agora tem os passageiros têm os seus aparelhos eletrónicos para entreter durante o voo com várias horas de filmes, música e jogos.

9 – Aviões nos anos 50 e 60 tinham regras bastante livres no que diz respeito a fumar, sendo a única regra que só poderia fumar depois de levantar voo. Imagine-se fechado num ambiente cheio de fumo durante horas sem um sopro de ar fresco. Se é disso que gosta, teria adorado aquela época. Na realidade, os aviões apenas proibiram os passageiros de fumar no final dos anos 90, portanto, fumar nos aviões é um passado não tão longínquo.

 

10 – No entanto, enquanto as viagens nos anos 50 e 60 soam mais glamorosas e divertidas, eram muito mais perigosas do que são hoje em dia. Não era seguro aterrar com nevoeiro, havia vários acidentes e colisões no ar eram comuns. Pode parecer engraçado, mas os motores costumavam cair do avião e costumava acontecer com tanta frequências que contratempos como esse já não eram contados como acidentes, desde que o outro motor conseguisse aterrar o avião em segurança.

 

11 – Turbulência também era uma preocupação a ter em conta – hoje em dia é apenas um pequeno susto para os passageiros, mas naquele tempo poderia custar-lhe a vida. Os aviões tinham tetos mais baixos e os cintos de segurança tinham um design inferior, pelo que a turbulência poderia partir o pescoço a algum dos passageiros. Outro perigo de segurança eram os separadores de vidro que separavam a primeira classe da económica e, ainda que dessem um bom aspeto, a turbulência poderia fazer com que se partissem.

 

12 – Viagens durante os anos 50 e 60 eram bastante lentas à luz do que temos hoje. De acordo com os horários de voo da Aer Lingus em 1952, um voo de Dublin para Londres demorava 3 horas e de Dublin para Paris 4 horas e 25 minutos. Hoje, o mesmo voo com as mesmas companhias aéreas demoraria uma hora e 35 minutos e uma hora e 45 minutos, respetivamente.

 

No final de contas, terão sido os “Anos Dourados das viagens de avião” realmente tão dourados assim? Você decide.

 

 

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