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Vera Ribeiro: «A principal queixa da mulher é o desejo sexual hipoativo»

A psicóloga clínica, mestre em sexologia e autora do livro ‘Manual de Sedução: Jogos sensuais, técnicas e tudo o que precisa para ter mais prazer’, conta-nos como está a mulher portuguesa neste campo da sua intimidade.

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Estamos no verão. É verdade que nesta altura aumenta a frequência dos encontros sexuais?

O verão traz consigo o bom tempo e uma grande produção de um neurotransmissor, cujo aumento está associado à melhoria do humor e sensação de bem-estar. Esse aumento de produção dá-se pela exposição solar no verão. Obviamente que deverá ser moderada.  Peles bronzeadas, melhor humor, dias mais longos, podem potenciar relacionamentos, seja eles de cariz sexual ou não.

 

Como tem evoluído a mulher portuguesa no que respeita à sua sexualidade?

Tem evoluído bastante, mas é um longo caminho que ainda terá de percorrer. Tornou-se mais exigente, sedutora, hábil, preocupada, mas existem aspetos ligados à nossa herança cultural que fazem com que ainda tenha de pensar sobre alguns pontos, tais como a capacidade de fantasiar e melhorar a sua condição no que remete para o desejo sexual.

 

Quais as principais queixas de que padecem nesta área? E como elas interferem na vida sexual da mulher?

A principal é o desejo sexual hipoativo. Dependendo das causas que podem ser várias assim interfere com a vida da mulher. As relações podem, no limite, terminar, pela diminuição ou ausência de desejo sexual. É importante que a mulher sinta que existe sempre solução, mas que não pode empurrar com a barriga à espera que o tempo resolva… porque neste tema o tempo, em vez de resolver, ainda produz um estrago maior. A única situação que o tempo resolve é a perda da libido no pós-parto após o período de amamentação, em que a mulher deve esperar que as hormonas se recomponham do turbilhão que é a gravidez, parto e período de amamentação.

 

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O que deve a mulher garantir para ter uma vida sexual saudável?

A comunicação é o pilar. Dizer do que gosta e do que não gosta. Analisar com regularidade como se sente consigo, com o(a) parceiro(a) e com o seu/vosso corpo sexual. O bem-estar sexual é motivado pelo equilíbrio destes pontos. Quando um deles desequilibra, pode questionar sobre o porquê, pedir ajuda se necessário (por vezes uma consulta apenas resolve). Deve gostar mesmo muito de si, e não ser o espelho do que os outros lhe dizem ou lhe fazem sentir. Essa base de amor interior é fundamental para que tudo corra bem.

 

Qual o papel do orgasmo para atingir essa plenitude?

O orgasmo tem um papel importante para a mulher e para o homem, mas não pode ser fundamental. Ou seja, é bom que ele aconteça, mas se não acontecer a relação terá qualidade de igual forma, porque o sexo não pode ser apenas remetido aos genitais nem tão pouco ao orgasmo no final. Mas muitas mulheres preocupam-se muito, por vezes, pela pressão externa em terem de o obter para serem felizes sexualmente. É bom quando ele surge, mas não pode ser obrigatório. Essa pressão por vezes traz sentimentos negativos e sensação de incapacidade ou de falta de prazer que em nada tem que ver com uma vida sexual saudável.

 

A sexualidade está em crise por causa das novas plataformas?  Ou é o contrário?

Em crise pela forma em que os relacionamentos se estão a tornar… pela sua virtualidade e perda de ritmo, proximidade e importância. Qualquer dia acredito que existam relações que se iniciam, duram e terminam sem que o casal de veja/toque/cheire…  Porém, veio a beneficiar as pessoas que estariam distantes. Mas neste momento quase que nos torna em robots na artificialidade do sentir e do amar. Esperemos que no futuro possamos saber colher apenas o que é benéfico e ignorar aquilo que nos faz mal.

 

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Outra característica dos nossos dias são as vidas atarefadas. Quando tudo se programa, isso pode acabar com o inesperado e reduzir a chama no casal?

Se programar, no meio do stress, momentos para estar em harmonia e com o seu par, então pode programar tudo que não interferirá na sua esfera íntima. Temos de nos lembrar que devemos ser felizes! Nem que seja por lembretes! Sempre é uma forma de controlarmos o ambiente stressante e nocivo que nos rodeia. Ter tempo para nós e para quem amamos e nos ama!

 

Hoje em dia já existe um papel igualitário? Homem mulher são ambos sedutores e seduzidos?

Sim sem dúvida… ambos têm essa capacidade, desde que explorada, traduz-se nessa igualdade.

 

Homens e mulheres são realmente diferentes no sexo ou é um mito?

Sim, são, não só pela genitália, hormonas, bem como pelo modus operandi do nosso cérebro (diferentes zonas que são ativadas pelas mesmas ações desempenhadas). Somos seres humanos muito embora diferentes… por exemplo, como hoje se celebra o Dia Mundial do Orgasmo, esse é um ponto de diferença entre os dois géneros… o homem na relação sexual tem um orgasmo que habitualmente é acompanhado de ejaculação e de seguida tem um período que chamamos de refratário, em que durante alguns minutos o corpo se restabelece do evento que teve. No caso da mulher, o período refratário é praticamente inexistente podendo ter até vários episódios de orgasmos numa só relação sexual. Não é por acaso que os homens no final da relação sexual até tendam a adormecer… é típico deste período refratário!

 

 

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