Vem aí um novo tipo de ansiedade?
Irá a inteligência artificial substituir-me no trabalho?
Dados do inquérito “Future of Jobs” preveem que, até 2027, 14 milhões de postos de trabalho desaparecerão. O motivo? A inteligência artificial (IA).
O nível de qualidade das tecnologias que usam inteligência artificial aumentou consideravelmente durante o último ano, originando softwares capazes de manter conversas fluidas com humanos, escrever canções/artigos ou até mesmo produzir código informático.
A IA começa a aplicar-se a empregos que, à primeira vista, seriam imunes à automação. Anteriormente a automação destinava-se a trabalhos difíceis, desagradáveis e repetitivos, mas hoje visa também empregos mais criativos e que exigem uma maior formação académica.
Inevitavelmente pode surgir um novo tipo de ansiedade, a ansiedade de ser substituído no trabalho, a “AI Anxiety”. Sendo a inteligência artificial mais real do que nunca, acessível até, alguns trabalhadores começam a sentir-se ansiosos quanto ao seu futuro profissional e apreensivos sobre a relevância das competências que possuem.
Certo que é ainda algo recente, acarretando consigo o desconhecido, fator também por si gerador de ansiedade, mas é fundamental adaptar-se a esta nova realidade. Importa reter que mesmo os sistemas de IA mais avançados não se comparam às capacidades de um ser humano: muitas vezes, produzem respostas erradas, sem sentido ou tendenciosas.
Paralelamente, nunca terão o fator essencial, paixão, a única competência que não pode ser ensinada, que energiza e mobiliza os que o rodeiam e que acima de tudo dita o sucesso profissional.
Urge informação sobre as potencialidades da inteligência artificial para controlar o vírus da ignorância e a desinformação, que por si podem agudizar os estados de ansiedade.
Não se teme o que se conhece, por isso, deixo-lhe algumas dicas para gerir estes estados:
- Encare a inteligência artificial como uma ferramenta de auxílio ao seu trabalho. A sua função é colaborar consigo não competir. Não a transforme num inimigo. Veja-a como um recurso e não como uma ameaça.
- Foque-se nos factos e não em suposições- Procure informação fidedigna e não acredite em tudo o que ouve. Vacine-se contra o vírus da ignorância.
- Viva o presente não o futuro. Não antecipe cenários catastróficos.
- Continue a potenciar as suas competências e qualidades. Tenha sempre em mente que empatia, a criatividade, a paixão, são difíceis de “copiar”.
- Concentre-se no que controla, que recordo é muito pouco. Tenha em mente que se não controla não pode ser um problema.
- Invista na aprendizagem de como trabalhar ao lado da tecnologia.
- Por fim, DEScomplique e aceite que é só mais uma mudança, como tantas outras que já teve de lidar na sua vida. E como dizia Heráclito, “nada é permanente exceto a mudança”.