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Vamos aprender (também) etiqueta digital?

Numa altura em que fomos obrigados a aprender e a pôr em prática a chamada etiqueta respiratória, que tal aproveitarmos a onda e aprendermos também um bocadinho de etiqueta digital? A intercomunicação agradece.

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Parece básico, mas não é. Continua a ser necessário explicar às pessoas que não se espirra para o ar ou para as mãos, ‘bodegando’ tudo o que é maçaneta, botão e ar partilhado, e que é necessário lavar as mãos. A informação passa e deve continar a passar a toda à hora nos vários meios de difusão, sobretudo nesta altura de pandemia instalada. Precisamos de interiorizar melhor alguns comportamentos de educação cívica. Pois bem, vamos transpor isto para o mundo digital. Já se está a lembrar da selva que é esse mundo etéreo das caixas de comentários, não é? Já lá vamos.

 

Já todos sabemos que a tecnologia veio revolucionar o nosso mundo. E o que é essencialmente o nosso mundo? Comunicação. Comunicamos a toda a hora. Fisicamente, temos a comunicação oral, a corporal, os silêncios que dizem muito, o olhar que transmite o que vai na alma, o sorriso… É um mundo complexo de múltiplas e instantâneas mensagens.

 

Agora vamos passar isto tudo para o nosso dia a dia no mundo digital, que ocupa uma cada vez maior parte da nossa comunicação atualmente – mais ainda nesta fase de quarentena. Há inúmeras, mas mesmo inúmeras, extensíssimas hipóteses de que o que comunica via digital seja mal-interpretado.  A mensagem não tem o apoio de um olhar, de um sorriso ou de um inclinar de corpo subliminar para amortecer essa mensagem. No digital, o que sai num email ou num comentário sai cru. Não transmite a sua emoção. E pode ser mal-interpretado. E também você pode não ler corretamente a mensagem do outro por causa destas ‘pequenas’ falhas.

 

Felizmente, inventaram os emojis, mas não é a mesma coisa. E não pode enviar emojis cheios de sorrisos de simpatia e legumes duvidosos a um qualquer parceiro de negócios. Digamos que seria… esquisito.

 

Vamos então rever alguns dos pontos básicos da etiqueta digital, que é como quem diz de como nos comportarmos civilizadamente online. Não é difícil, é só imaginarmos que estamos fisicamente à frente dessa pessoa. Podem ser 50 ou 100 considerações, mas vou aqui referir apenas umas quantas mais básicas com as quais nos deparamos no dia a dia.

 

– Comecemos pelo nosso velhinho email. Uma simples mensagem escrita é crua, portanto, tenha atenção ao que quer realmente transmitir e explique tudo muito bem explicadinho para a outra parte entender. A má interpretação mais comum diria que é a arrogância.  Pode ser uma pessoa muito simpática, mas isso não transparece no email sem as palavras certas. E no outro sentido também acontece. Não pense que o outro está a ser arrogante consigo; dê o desconto de que poderá estar muito ocupado e responder de forma muito direta. Fisicamente seria um ‘ok, ok, logo vemos isso’, com um aceno simpático.

 

– Ainda no email.  Se há coisa que me irrita é não responderem a um email no qual faço uma pergunta. É como se eu cumprimentasse essa pessoa na rua e ela simplesmente não me falasse. Eu não respondo a todos os emails, pois muitos são meramente informativos. Mas quendo há lá uma frase com um ponto de interrogação no fim (?) significa que se espera uma resposta. Educadamente respondo, mesmo que a resposta não seja ainda a pretendida. Mais uma vez, fisicamente falando, seria um ‘estamos a tratar disso’, acompanhado mais uma vez de um bonito sorriso, que na minha opinião é sempre um belo complemento na comunicação.

 

– Atenção aos emojis :D. A não ser que tenha tido na escola uma disciplina de Emojiologia, o mais certo é não conhecer o significado da maioria dos emojis, até porque todos os anos surgem novos. Fora os básicos sorrisos e tristezas, sol, lua e animais, há muitos emojis que podem ter duplo significado.  Sabia que uma beringela pode não ser mesmo uma beringela? É divertido numa conversa de WhatsApp com amigos, mas pode ser mal-interpretado se quiser enriquecer a crueza da mensagem falada acima. No fundo, temos de ter em atenção também quem está do lado de lá.

 

– Não publique tudo na net. É preciso cautela com o que se publica. Há uma imagem digital que tem de defender. Não cuida da sua imagem antes de sair de casa? Penteia-se, perfuma-se, escolhe aquela roupa supimpa… Faça o mesmo na net. Pense na imagem que quer transmitir. E pergunte-se se o que quer que publique não o vai prejudicar na sua carreira no futuro. O seguro morreu de velho, lá diz o sábio ditado popular. Cada vez mais os empregadores fazem uma radiografia da sua pegada digital. Quem quer um colaborador com um CV impecável manchado por uma presença mais duvidosa exposta aos olhos de quem queira ver? Muitos. E a net não esquece, dizem…

 

– Segurança acima de tudo. Tal como o ponto acima, é preciso cuidado e meter trancas à porta quando se trata de navegar online. Não só ter os dispositivos protegidos, como não divulgar a vida toda na Internet e ser um livro aberto para intenções duvidosas. Também não mostra tudo aos seus vizinhos, pois não? Então porque o faz online?

 

– Por último, os comentários. O lado menos bonito das pessoas salta para as redes sociais e caixas de comentários de publicações, protegidos que estão pela armadura tecnológica que é o seu computador ou smartphone. Por favor, não seja um troglodita que ofende um qualquer desconhecido só porque tem uma opinião diferente da sua. Faz isso na rua? Duvido. No mundo físico é mais ‘deixa lá discordar com cuidado não vá ele passar-se’. É que ser super-herói à distância não é ser super-herói. É ser só parvo.

 

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