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Vale a pena esperar?

Já duvidou se devia esperar ou não por algo? Por uma relação, um trabalho, uma pessoa, … Partilho o que aprendi numa situação, no segundo Caminho de Santiago que fiz. Descubra como lhe ser útil.

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A segunda vez que caminhei até Santiago de Compostela foi especial. Dos diversos motivos, dois foram o caminhar com a, agora ex, companheira com quem estava a iniciar uma relação na altura; e começar num lugar muito especial: a Casa Fernanda – uma família que acolhe e ajuda os caminheiros, abrindo o espaço e o seu coração.

 

Eu esperara algum tempo por encontrar uma mulher como ela. Esperara menos tempo por voltar ao Caminho de Santiago. Na altura, esperava também pela concretização de uma proposta de trabalho para continuar a fazer o que amo, me realiza e onde faço maior diferença na vida de organizações e pessoas.

 

Com isto, e mais, que esperava, começámos a caminhar. Eu sabia o que nos esperava naquele primeiro dia até ao albergue onde decidimos que iriamos dormir. Mais de trinta e cinco quilómetros com a mochila às costas – para começar o Caminho é um belo de um aquecimento!; paisagens incríveis; conhecer pessoas com que nos cruzássemos; conhecermo-nos melhor também; e…. uma subida grande que foi, em tempos, apelidada de Subida da Dona (Senhora?) Morte…

 

Passo à frente de passo, incentivo após incentivo, conversa puxa conversa, silêncio aquietando as línguas – nem sempre a mente, música nos ouvidos, olhando a natureza, lá fomos seguindo. A meio da tarde, mal podíamos esperar por vermos o albergue! Já só queríamos chegar, tomar duche, comer, esticar as pernas, descansar.

 

Finalmente chegámos. Derreados. Sem o hospitaleiro do albergue para nos receber, percebemos que já havia colchões pelo chão – sinal de estar cheio, olho a lista de registo de entrada… Está completa. Sem lugar para mais. Vejo o número de telemóvel para onde ligar se, ao chegar, ninguém estiver na recepção. Eu e a ex-companheira falamos. Telefono para o número. O homem que atende diz que foi outro colega que lá esteve e ele não sabe como estão as coisas no albergue nesse dia. Diz para esperarmos que dali a quinze minutos chega lá.

 

Eu e ela falamos novamente. Vamos embora à procura de alojamento noutro lado ou esperamos? Eu disse ao homem que havia colchões pelo chão, que o lugar parecia cheio mas se tivessem mais dois ou mesmo um colchão que pudéssemos pôr no chão, nem que fosse no alpendre-telheiro, no pátio interior, onde fica a lavandaria, por nós estava ótimo! Ela e eu falamos de novo. Decidimos esperar. Sem expectativas, ficamos deitados de pernas esticadas, na relva, em frente a uma porta ao lado da recepção.

 

Minutos mais tarde, chega o hospitaleiro. Chama-me. Apoiado no bastão, liberto da mochila, levanto-me e vou à recepção. Cumprimentamo-nos e agradecendo-lhe ter vindo. Peço, pergunto se poderá ter algum colchão ou saber de sítio onde ficar que eu desconheça ou não tenha visto. Com simpatia e empatia, diz para eu esperar… e vai dar uma volta pelo espaço.

 

Voltando ao meu encontro, diz para eu o seguir. Pé ante pé, com as pernas trôpegas, os músculos ainda “presos”, sigo-o. Passamos pelo corredor e chegamos a uma porta. Enquanto me diz que ali é uma pequena divisão onde costuma ser enfermaria-quarto para pessoas que estejam com dificuldade motora, abre a porta. Mostra-me duas macas e uma casa de banho interior, ao mesmo tempo que me pergunta: serve?

 

Pessoalmente, não sei se o melhor para si é esperar ou seguir. Acredito sim que é capaz de o saber dentro de si. Já o saiba agora ou venha a descobrir em breve: para que quer esperar? Esperar isso, para quê? Existindo algo importante para si pelo qual merece esperar, faz-lhe sentido esperar? Espere. Faz-lhe sentido seguir? Liberte-se do que esperou e siga.

 

Lembre-se também: a espera pode ser ativa, em vez de passiva e inactiva. Enquanto espera, pode descansar, aprender, observar, desenvolver-se, preparar-se, baixar ou ficar sem expectativas. Principalmente sobre o que espera. Agora, para aquilo por que tem esperado, o que lhe ajuda mais agora? Há algo para aprender ou se desenvolver? Que passo vai dar?

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