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Uso excessivo das novas tecnologias na adolescência pode levar a défice de atenção

As novas tecnologias fazem parte do dia-a-dia de todos nós e o caso torna-se ainda mais forte se estivermos a falar dos adolescentes. Os jovens estão altamente dependentes das plataformas digitais, e nomes como selfie, Instagram ou Snapchat fazem parte do seu léxico quotidiano. Só que um uso excessivo das novas tecnologias pode levar ao aparecimento de sinais de hiperatividade ou a um défice de atenção, alerta um novo estudo. E nós pedimos a opinião a um psicanalista.

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Os adolescentes estão bastante dependentes do uso das excitantes novas tecnologias. As relações que vivem e a forma como gerem o seu tempo giram em torno delas. Do dia-a-dia deste grupo etário fazem parte rotinas como tirar uma selfie para colocar online, atualizar o estado nas redes sociais ou entrar no Snapchat pelo telemóvel. Os jovens gastam seis horas por dia a mexer em dispositivos eletrónicos. Mas um estudo realizado pela Universidade da Califórnia do Sul e publicado no JAMA (Jornal da Associação Médica Americana) levanta agora a possibilidade de haver um aumento dos défices de atenção e da hiperatividade nos adolescentes devido ao uso excessivo dos novos meios de comunicação.

 

Esta era a pergunta que este estudo, que foi feito entre os adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e os 16 anos e sem qualquer sintoma anterior de TDAH (Transtorno de Défice de Atenção e Hiperatividade), pretendia responder. Os investigadores conseguiram fazer uma associação, ao longo dos 24 meses de duração do estudo, entre um maior uso dos meios digitais e o aparecimento de sintomas que podemos compreender como défices de atenção e hiperatividade.

 

Dos 4100 adolescentes que participaram no estudo, 2,587 adolescentes não apresentavam qualquer tipo de sintomas à priori, mas no período em que este estudo foi realizado (22.6 meses) foi registado um aumento dos sintomas associados aos défices de atenção (1398 dos estudantes com um grande uso dos meios digitais apresentou sintomas de TDAH). O aumento sentido (54.1%) no que toca à frequência destes sintomas é significativo, mas necessita de um outro estudo para garantir que esta não é uma ligação casual, alerta a investigação.

 

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Sobre a possibilidade do uso das novas tecnologias, junto da população adolescente, poder aumentar os défices de atenção e hiperatividade, o psicanalista Nuno C. Sousa explica que «a hiperatividade é um sintoma que se pode desenvolver a partir de várias condicionantes, e a forma como se utiliza a tecnologia é uma delas. A capacidade de manter foco numa atividade desenvolve-se progressivamente através do treino».

 

Um treino que é comummente utilizado na escola para estimular o cérebro é a leitura. Só que quando falamos das novas tecnologias, os estímulos são constantes e bem mais básicos. «Um computador pode estimular constantemente o utilizador de forma para que esteja simplesmente a reagir a estímulos básicos, e não necessariamente a desenvolver um raciocínio complexo sobre a atividade a decorrer. Neste contexto a hiperatividade e défice de atenção decorrem da imaturidade cognitiva que é causada pela utilização de software com um funcionamento que não estimula o pensamento e o raciocínio», explica o psicanalista.

 

Para “combater” o transtorno de deficit de atenção e a hiperatividade, que normalmente são caracterizados pela falta de atenção que uma pessoa apresenta sobre determinados assuntos, Nuno C. Sousa refere que «o ponto de partida é a educação para a tecnologia. Os adultos devem supervisionar e gerir a relação que os jovens têm com a tecnologia, acompanhando que tipo de software é utilizado, tendo como princípio a noção de que é uma ferramenta positiva desde que seja utilizada com base em princípios saudáveis».

 

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Se é verdade que existem cada vez mais pessoas dependentes das novas tecnologias, também é verdade que a sensibilização para este caso é cada vez maior. Mas mesmo com todos os esforços que estão a ser feitos para a sensibilização das pessoas para as consequências do uso indevido das tecnologias, ainda há muito para fazer. «Há um longo caminho a percorrer porque é necessária uma reeducação para que haja uma transição de relações doentes com computadores para relações de afeto com pessoas», explica o psicanalista.

 

As conclusões conseguidas com este estudo não são finais, já que são necessários fazer outros estudos para aprofundar ainda mais a possibilidade desta relação ente o uso das novas tecnologias e o aumento dos sintomas que podemos associar à hiperatividade ou a um défice de atenção. Esta pesquisa, que durou de 6 a 24 meses, foi feita com estudantes (um total de 4100) de 10 escolas do ensino secundário do município de Los Angeles, Califórnia.

 

Mas não pense que as tecnologias têm só uma vertente negativa e que são diabólicas. Estas também podem ser um excelente auxiliar nos estudos, estimular a criatividade e a agilidade mental. Basta você escolher qual é o uso que lhe quer dar. «O problema costuma estar no uso que se dá à “coisa” e não na “coisa” em si!», finaliza Nuno C. Sousa.

 

 

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