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Uma vida sem redes sociais será uma vida melhor?

O número de pessoas que eliminaram as suas contas do Facebook tem aumentado nos últimos anos. Os estudos apontam para um certo ‘cansaço’ perante as inverdades que por lá circulam. Para percebermos o que motiva esta decisão, falámos com algumas pessoas que deram este passo e também com o sociólogo e coach João Pombeiro, que nos explica os motivos e as consequências de uma vida longe das redes sociais.

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A dependência das redes

Outra das consequências da pertença ao Facebook é a questão da dependência viciante. «Cada vez mais estudos mostram ligações entre, por exemplo, as notificações fazerem “disparar” o sistema de recompensa imediata que é inato ao ser humano. Acontece que, tal como uma droga, o nível de satisfação diminui e é necessário uma “dose” maior para obter a mesma satisfação. Isto, sem mecanismos saudáveis de auto regulação, leva a um ciclo viciante e a um impacto negativo na saúde mental, emocional e relacional», explica João Pombeiro.

 

Após tomarem a decisão de sair da rede social, os nossos entrevistados confessam que é simples sair. Cátia Cardoso explica que «de todas as vezes que eliminei as contas (porque nem sempre reativiei a que tinha, cheguei mesmo a criar uma nova conta para desintoxicar tudo completamente) nunca senti falta de lá voltar». Já Mónica Borges relembra que não é fácil sair totalmente do Facebook, «temos de nos lembrar que a Internet não esquece, provavelmente ainda existirão informações sobre mim e a minha família online». Pelo contrário, Joaquim Pavão não sentiu qualquer dificuldade, «o processo de sair foi muito fácil, decidi e agi. Procurei uma aplicação que apagasse as minhas publicações de forma automática».

 

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Após a saída desta rede social, existem algumas mudanças que ocorrem no dia-a-dia dos indivíduos, «em vez de passar uma hora, ou mais tempo, a ver “o que há de novo” no mural de publicações ou no mural de pessoas que segue, sejam amigos da vida real ou não, algumas pessoas decidiram reclamar esse tempo para si. Com esse tempo, retomam ou passam a fazer atividades com que se sentem bem, seja um passatempo ou estarem com quem querem com outra presença e tempo de qualidade», explica o sociólogo. «São imensas as possibilidades, entre caminhar, ler, estar com amigos offline, pintarem, escreverem, irem a workshops ou encontros, estarem com os filhos, estarem sozinhas a fazerem qualquer outra atividade com que se sentem bem».

 

Uma das perguntas que impera quando falamos de quem deixou o Facebook é como conseguem manter o contacto com as pessoas. Mónica Borges confessa que acabou por perder o contacto com alguns amigos, desde que saiu da rede, mesmo utilizando outras plataformas online como o Whatsapp. Para Cátia Cardoso e Joaquim Pavão, a solução foi regressar ao uso do telemóvel, «deixo-o em casa, em silêncio a maior parte das horas. Ao fim do dia, vejo a quem tenho de ligar e responder».

 

Para algumas destas pessoas é importante a utilização de outras redes sociais. Joaquim Pavão diz que tentou o Instagram, mas não o utiliza por não o compreender, acabando por utilizar maioritariamente a Wiki Social, que é uma espécie de compêndio de leitura sobre a contemporaneidade. Vivian Baumann diz que acaba por utilizar o WhatsApp, uma das redes privilegiadas no Brasil e também o Instagram, «porque é uma rede social mais reservada e menos polémica». Cátia Cardoso confessa que «hoje em dia tenho Twitter, que uso muito para seguir os meios de comunicação social, jornais, blogues e outros com conteúdos do meu interesse e uso ainda o Instagram e o LinkedIn».

 

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A jornalista, que acabou por regressar ao Facebook, explica que esta foi uma necessidade maioritariamente motivada por assuntos académicos e profissionais: «Há professores que a usam como mecanismo de comunicação, e no trabalho, claro, tenho a própria página da rádio onde trabalho para gerir. Neste momento, e lamento imenso, seria impossível estar desligada do Facebook. Hoje em dia, quem não o tem não existe para a sociedade ou para um determinado grupo e não me parece que isso seja saudável para ninguém. A influência que o Facebook tem nas nossas formas de pensar e viver, e que é frequentemente estudada pela sociologia dos media, incomoda-me. Reduzir a comunicação pessoal e deteriorar o convívio, todos sabemos que as pessoas quando estão em grupo continuam a usar as redes sociais nos telemóveis, é a consequência mais triste, a meu ver».

 

Para Mónica Borges a falta que sente de contactar com alguns amigos é algo que a incomoda, no entanto, não considera que isso a fará voltar ao Facebook, «para encontrar e comunicar com pessoas que estão longe o Facebook é mesmo bom mas para a segurança dos dados privados não e isso é uma prioridade para mim». Desta forma, é fácil perceber que o Facebook facilita em muitos casos a comunicação profissional e de quem está longe, no entanto, os malefícios que trazem para o dia-a-dia dos seus utilizadores, como a perda de tempo e produtividade, ou a incapacidade de se relacionarem na vida real, leva cada vez mais a que muitos procurem cortar relações com a plataforma.

 

Veja na galeria, no início do artigo, um resumo das razões que levam as pessoas a deixarem as redes sociais, sobretudo o Facebook.

 

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