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Tsering Paldron: «O facto de ignorarmos algo não nos dá paz de espírito»

'O Hábito da Felicidade' é o terceiro livro da conhecida monja budista, que apresenta com esta obra uma nova abordagem dos ensinamentos tradicionais budistas no caminho da felicidade. Neste novo livro, Tsering Paldon inclui métodos para lidar com o mal-estar e a ansiedade quotidianos, problemas prementes da sociedade atual.

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As soluções passam por que tipo de iniciativas?

A solução é interna e passa por uma consciencialização dos indivíduos que depois se manifesta nas famílias, nos grupos e nas comunidades. Um aspeto muito importante, que quanto a mim pode ser realmente transformador, é a aposta na educação dos jovens e das crianças – deles depende o mundo de amanhã! Assim, uma educação que incluísse a transmissão de valores humanos, que favorecesse o desenvolvimento da inteligência emocional (e não apenas o intelecto) e que incutisse neles o sentido de responsabilidade individual e social seria, a meu ver, um contributo precioso e decisivo para a melhoria da nossa sociedade. A introdução recente da meditação em várias escolas, pelo mundo fora, tem dado excelentes resultados e é um exemplo de uma iniciativa transformadora.

 

Veja também: Hábitos que comprometem a sua felicidade

 

As definições de felicidade são muitas. Algumas encaram o conceito como algo momentâneo, efémero e nunca um estado contínuo. E para si, o que é a felicidade?

Se considerarmos a felicidade como o bem-estar que deriva de circunstâncias externas, então, como é óbvio, nunca poderá ser contínua pois é impossível que não surjam dificuldades, contratempos e diversas circunstâncias adversas. O problema desta perspetiva é que, quanto mais felicidade sentimos quando tudo corre bem, maior o sofrimento e o desespero quando tudo corre mal.

 

Do meu ponto de vista, a felicidade tem de ser algo mais profundo e menos flutuante. A um certo nível diria que tem a ver com sentirmos que a nossa vida tem sentido – e só podemos senti-lo se tivermos a consciência de sermos úteis aos outros. Claro que continua a haver momentos melhores e piores mas o seu impacto não é tão grande porque temos uma perspetiva mais alargada e um objetivo que transcende o nosso próprio bem-estar ou desconforto.

 

Por outro lado, a meditação desenvolve uma maior capacidade de usufruir do momento presente, seja ele qual for. Se conseguirmos permanecer livres de especulações do futuro e memórias e comparações com o passado ou com uma ideia preconcebida, cada momento pode ser plenamente saboreado. Assim, combinando a serenidade que nos dá o facto de termos uma direção na vida, com a qualidade da nossa presença no dia a dia, acedemos a um estado de paz interior, que é simultaneamente relaxado, confiante, caloroso e aberto aos outros. Isso é para mim a felicidade.

 

Veja também: Formas de resistir à pressão

 

A meditação é uma ferramenta que permite atingi-la?

Sim, sobretudo para desenvolver a capacidade de estar plenamente presente e de relaxar. Por outro lado, o desenvolvimento da bondade, da empatia e, de forma geral, a atenção e a abertura aos outros dão sentido à vida e preenchem-nos.

Ignorância é felicidade?

Do ponto de vista comum, pode ser, uma vez que aquilo que não sabemos não nos atormenta. Porém, do ponto de vista de um desenvolvimento da felicidade como aquele de que estou a falar, não é necessariamente o facto de ignorarmos algo que nos dá paz de espírito, mas sim a serenidade interior que vem da mestria sobre os nossos pensamentos e de tudo o que expliquei anteriormente.

 

Considera o povo português feliz?

É sempre ingrato fazer generalizações. No entanto, se olharmos para o nosso comportamento social, notamos que somos, por exemplo, menos alegres do que os espanhóis. Porém, ser alegre e ser feliz não são exatamente sinónimos. Pode-se falar alto, rir e ser espalhafatoso sem que isso indique necessariamente felicidade. Uma coisa temos, indubitavelmente: somos mais abertos, calorosos e hospitaleiros do que muitos outros povos. Talvez isso contribua mais para a felicidade do que os bens materiais. Mas, obviamente, é sempre possível melhorar!

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