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Tratar o cancro da tiroide

O diagnóstico precoce é a melhor abordagem para o cancro da tiroide, que apresenta elevada taxa de cura e baixa taxa de mortalidade. É essencial estar atento aos sinais de alerta e procurar ajuda junto de equipas multidisciplinares. Saiba como.

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É sempre bom podermos começar com uma mensagem de esperança, que também demonstra a importância de estarmos atentos aos sinais de alerta, quando se fala de tumores malignos da tiroide. A grande maioria, mais de 80%, estão contidos na glândula, ou seja, são o que chamamos de intratiroideus – e têm elevada taxa de cura, assim como uma baixa taxa de mortalidade.

 

Ainda assim, temos de estar atentos. De acordo com os dados fornecidos no último relatório do Registo Oncológico Nacional publicado em 2021, cerca de dois terços da taxa de incidência do cancro da tiroide na mulher registam-se entre os 35 e os 64 anos, sendo esta taxa cerca de quatro vezes superior à do homem na faixa etária entre os 25 e os 44 anos.

 

O carcinoma diferenciado da tiroide, papilar e folicular, representa cerca de 90% de todos os tumores tiroideus. As causas não estão inteiramente esclarecidas referindo-se, no entanto, a importância da falta de iodo na alimentação, o tratamento com radiação ionizante sobre o pescoço e o torax, assim como o factor hereditário. São frequentemente diagnosticados acidentalmente aquando da realização de exames complementares de diagnóstico, como a ecografia e a Tomografia Axial Computorizada (TAC), por causas não relacionadas com a tiroide.

 

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Por outro lado, devido à divulgação maciça dos estudos ecográficos e à crescente experiência na avaliação da doença, são diagnosticados cada vez mais tumores de pequenas dimensões. Apesar da importância do diagnóstico precoce dos tumores malignos, a grande maioria com dimensão inferior a 1cm tem um comportamento não agressivo e muitos deles podem, apenas, ser vigiados.

 

Sinais de alerta e tratamento

Como sinal de alerta, podemos palpar um nódulo tiroideu no nosso pescoço ou podemos detetá-lo quando nos vemos no espelho. Raramente há sintomas associados. Em tumores clinicamente mais avançados, podem existir sensação de colarinho mais apertado por aumento do volume do pescoço, sensação de aperto cervical e mal-estar local, engasgamento, dificuldade em engolir e alterações da respiração e da voz.

 

A abordagem da patologia nodular da tiroide e, particularmente, dos tumores malignos da tiroide é obrigatoriamente entregue a equipas multidisciplinares. O conhecimento e a experiência cirúrgica em todas as técnicas potencialmente necessárias ao tratamento adequado dos tumores são determinantes para o sucesso da cirurgia, para a redução da taxa de complicações associadas e para o controlo da doença.

 

Para nós, o mais importante são as pessoas e os principais receios dos doentes dizem respeito, essencialmente, ao controlo da doença no futuro, ao tipo de tratamento necessário e às consequências do mesmo, se origina sequelas e quais, ou como resolvê-las. As consequências da ausência de tiroide e as relacionadas com a remoção cirúrgica da glândula surgem em segundo plano.

 

A cada um deles devemos prestar informação personalizada e detalhada, verbal e escrita, sobre todos os procedimentos e riscos, assim como disponibilizar o tempo necessário para que apreendam a informação fornecida e possam obter do cirurgião todos os esclarecimentos às suas dúvidas.

O tratamento dos tumores malignos da tiroide é cirúrgico. O objetivo principal do tratamento cirúrgico é eliminar radicalmente o tumor. Atingido este objetivo, o risco de reaparecimento é reduzido, a administração do tratamento com Iodo radioativo em casos selecionados será possível e o seguimento do doente através do doseamento dos marcadores tumorais estará facilitado.

 

A extensão da cirurgia depende do tamanho do tumor e se este está ou não confinado à tiroide. A remoção total da tiroide, designada por tiroidectomia total, é a técnica mais comum e está indicada quando o tumor é volumoso, se verifica a extensão aos tecidos adjacentes ou o envolvimento dos gânglios do pescoço. Nos tumores com dimensões inferiores a 10mm, chamados de microcarcinomas, confinados à tiroide, num só lobo tiroideu e sem gânglios linfáticos envolvidos, a hemitiroidectomia (remoção do lobo direito ou esquerdo e do istmo) pode ser suficiente.

 

Os doentes submetidos a tiroidectomia total farão reposição da hormona tiroideia, por via oral de manhã em jejum, para normalização do seu metabolismo. Esta medicação não provoca sintomas desagradáveis desde que sejam seguidas as recomendações fornecidas pelo médico.

 

O tratamento com Iodo radioativo, disponível na CUF Tejo, em colaboração com o Hospital das Forças Armadas, complementa a abordagem multidisciplinar do doente com cancro da tiroide. A experiência dos profissionais nesta patologia e o enquadramento em equipa multidisciplinar dedicada são determinantes para os bons resultados em termos da reduzida taxa de complicações, assim como da elevada taxa de cura que apresentamos.

 

Em resumo, podemos dizer que estamos perante um cancro habitualmente assintomático e que a tiroide pode até manter a sua função inalterada. Quando diagnosticado precocemente, tem um excelente prognóstico e a forma mais eficaz de o diagnosticar é recorrer a um médico especialista nestas doenças, após a deteção de um nódulo no pescoço ou no âmbito de um check-up periódico.

 

Por Maria Olímpia Cid

Cirurgiã- geral/Cirurgia da Tiroide e Paratiroide no Hospital CUF Tejo – CUF Oncologia

 

 

 

 

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