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Toxoplasmose e gravidez: o que é e sintomas

Estudos em Portugal apontam para uma prevalência de grávidas seropositivas para a toxoplasmose entre 40 -70%. Esta é uma infeção benigna para a maioria das pessoas, mas pode ser perigosa para o imunodeprimido e para a mulher grávida.

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A toxoplasmose é uma doença provocada por um protozoário, o Toxoplasma gondii, que assume particular relevância na espécie humana pela seriedade com que atinge a mulher grávida e o feto. Ela é uma infeção benigna para a grande maioria das pessoas com uma imunidade normal, mas que pode ser perigosa para o imunodeprimido e para a mulher grávida.

 

Epidemiologia

A toxoplasmose tem uma distribuição universal e no seu ciclo de vida têm particular relevância os felídeos, os roedores e os herbívoros que são os principais reservatórios deste protozoário. As formas predominantes de transmissão ao homem são a ingestão dos oocistos via fecal-oral), o consumo de carne malcozinhada ou crua e a transmissão congénita (mãe-filho).

 

Excluindo a infeção congénita, a espécie humana é unicamente um hospedeiro final e a importância de cada uma das vias destas vias de transmissão resulta dos hábitos alimentares e de higiene das pessoas. Estudos em Portugal apontam para uma prevalência de grávidas seropositivas para a toxoplasmose entre 40-70%.

 

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A presença de casos de toxoplasmose aguda na grávida varia entre 0,2% a 1%, existindo um risco de transmissão ao feto na gestante não tratada, na ordem dos 50%. Este risco varia na razão direta da idade gestacional, sendo de 25 % no primeiro trimestre, de 50% no segundo trimestre e de perto de 65% no terceiro trimestre de gravidez.

 

Por outro lado, o risco por parte do feto de adquirir formas graves de toxoplasmose varia na razão inversa da idade gestacional. É por esta razão que perto de 90 % dos recém-nascidos (RN) com doença congénita aparentam normalidade, embora alguns estudos de longa duração tenham verificado que cerca de 80 % destes RN poderão vir a ter a ter sequelas da doença mais ou menos importantes.

 

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Clínica

Na grande maioria das situações, os sinais e sintomas são inexistentes, ou, por serem pouco específicos, são atribuídos a outras causas, acabando por não ocasionar a ida ao médico. As manifestações clínicas estão presentes em apenas 20-30% dos casos, sendo as mais comuns as linfadenopatias (gânglios palpáveis e por vezes dolorosos sobretudo na região cervical) e a astenia.

 

Menos habituais são as mialgias (dores musculares), a febre e a odinofagia (dor na garganta), impondo-se neste cenário efetuar o diagnóstico diferencial com a rubéola, a infeção pelo citamegalovírus (CMV) e com a mononucleose infeciosa. Outras apresentações clínicas mais raras são a hepatite, a uveíte, a cardite e a pneumonite que surgem principalmente em pacientes imunodeprimidos.

 

A maior parte dos RN com toxoplasmose congénita não apresenta sintomatologia na altura do nascimento ou muito raramente podem ter o fígado e o baço aumentados, atraso de crescimento, icterícia e púrpura.

 

Como referi anteriormente perto de 80 % das crianças com toxoplasmose congénita e sem sintomas irão depois desenvolver sequelas, sendo a corioretinite a mais habitual. É importante referir que apenas um número muito pequeno de casos de toxoplasmose congénita irá apresentar futuramente manifestações graves da doença como: hidrocefalia, corioretinite e calcificações intracranianas.

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