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Toxoplasmose e gravidez: diagnóstico e tratamento

Estudos em Portugal apontam para uma prevalência de grávidas seropositivas para a toxoplasmose entre 40-70%. Esta é uma infeção benigna para a maioria das pessoas, mas pode ser perigosa para o imunodeprimido e para a mulher grávida.

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A toxoplasmose é uma doença provocada por um protozoário o Toxoplasma gondii que assume particular relevância na espécie humana pela seriedade com que atinge a mulher grávida e o feto. É uma infeção benigna para a grande maioria das pessoas com uma imunidade normal, mas pode ser perigosa para o imunodeprimido e para a mulher grávida.

 

Diagnóstico

Mulheres grávidas infetadas com T. gondii geralmente não apresentam manifestações clínicas, mas algumas podem ter uma síndrome semelhante a uma mononucleose leve, linfadenopatia regional ou, ocasionalmente, corioretinite.

 

Deve ser efetuada a pesquisa de anticorpos (Ac.) da classe IgM que nos indicam o contacto recente com o agente infeccioso e a pesquisa de anticorpos estáveis da classe IgG que nos indicam uma imunidade antiga. Se numa avaliação antes da gravidez estão presentes Ac. IgG (imunidade antiga), ocasionalmente acompanhados por Ac IgM, não existe perigo de transmissão ao feto se a grávida for imunocompetente, escusando a gestante de efetuar testes serológicos posteriores. No entanto o aparecimento de anticorpos específicos (seroconversão) terá que levar a pensar na possibilidade duma infecção recente e no risco de transmissão fetal. O problema fundamental é determinar a data presumível em que a infecção terá ocorrido. Embora existam vários testes serológicos disponíveis a definição da data da infecção (pré ou pós-gravidez) poderá permanecer em aberto, sendo assim de grande relevância a efetuação da serologia antes da mulher estar grávida.

 

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A infeção materna deve ser suspeitada se a gestante tiver uma síndrome semelhante a mononucleose e testes negativos para vírus Epstein-Barr, HIV e citomegalovírus (anticorpos ou PCR), adenopatia regional isolada não devida a outra causa (p. ex., HIV) ou corioretinite. A infecção materna aguda é sugerida pela seroconversão ou pela elevação dos títulos de Ac. IgG ≥ 4 vezes entre os títulos da fase aguda e da convalescença. Entretanto, os anticorpos IgG maternos podem ser detetados no lactente durante o primeiro ano.

 

Se estiver confirmado na grávida o diagnóstico pós-concecional é obrigatório pesquisar a possibilidade de infeção no feto, o que se efetiva pela identificação do parasita no sangue fetal ou no líquido amniótico e pela presença da IgM específica no sangue do feto, esta última após excluir a possibilidade da contaminação pelo sangue materno. A inexistência de Ac. IgM e a presença de Ac. IgG em títulos decrescentes, ainda que com a placenta negativa para a infeção, não elimina o diagnóstico de toxoplasmose congénita no feto, sendo assim é recomendável o seu acompanhamento até as serologias negativarem.

 

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A análise da PCR no líquido amniótico tem-se revelado como método de escolha para diagnóstico da infeção fetal. Há numerosos testes, alguns dos quais são apenas realizados em laboratórios de referência. Os mais confiáveis são o teste do corante de Sabin-Feldman, o teste indireto de anticorpos imunofluorescentes (IFA) e o teste de aglutinação direta.

 

Testes para isolar o protozoário incluem inoculação em ratos e cultura de tecidos, que não são realizados de rotina por serem caros, são altamente sensíveis, mas os resultados só são obtidos ao fim de algumas semanas.

 

Dos sinais inespecíficos de infeção do feto os de maior valor prognóstico são:

Ecográficos–> dilatações ventriculares, calcificações cerebrais, espessamento da placenta, hepatomegália, ascite ou derrame pericárdico.

Hematológicos-> trombocitopénia, leucócitos e transaminases elevadas

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