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Teresa Manafaia: «Não proporcionamos boas oportunidades de movimento às nossas crianças»

A personal trainer e fisiologista especializada em reabilitação cardíaca e composição corporal diz que não há saúde sem movimento regular. Este é intrínseco ao ser humano, mas está esquecido pela sociedade atual. No dia em que se celebra o Dia Mundial da Atividade Física, 6 de abril, falamos da necessidade de nos mexermos mais, adultos e crianças.

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E dada a sua experiência enquanto profissional da área, o que diz dos portugueses? Gostam de se mexer ou nem por isso?

Todos os humanos gostam de se mexer quando estão de boa saúde. Veja-se as crianças saudáveis: o movimento ocorre espontaneamente, se nós, adultos, permitirmos. Os portugueses estão doentes, em geral, por isso apresentam uma grande resistência ao movimento. Somos o 3º país da OCDE com mais diabetes, e somos um país de adultos que não proporciona boas oportunidades de movimento às suas crianças e nem a si próprio. Este é um grande problema de saúde pública, tanto atual, como para as gerações futuras.

 

Que problemas pode assim a falta de atividade física pode trazer antes do tempo?

Todos, desde a diabetes, os enfartes, os AVC, os problemas circulatórios periféricos, as depressões, o agravamento de tumores, dores no corpo, principalmente de coluna, ancas, joelhos, pés, agravamento de doenças autoimunes, etc, é um nunca mais acabar de problemas de saúde, isto porque simplesmente não há saúde sem movimento regular.

 

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Como se muda então o paradigma de sedentarismo atual?

Teria que se mudar a estrutura da escola das nossas crianças, as ofertas de atividade física para crianças (não apenas atividades desportivas direcionadas para competição e apresentação), deviam ser criadas ofertas de aprendizagem de qualidade de movimento pela necessidade de saúde que é (sem palcos nem saraus, nem espetáculos), gerar uma campanha de saúde pública e mudar políticas no âmbito da saúde preventiva, aplicáveis tanto a crianças como a adultos.

 

Concluindo, para o bem-estar, devem estar associados atividade física, alimentação e bem-estar mental. Como tudo se relaciona?

A melhor relação que é possível estabelecer é que haja uma boa intenção relacionada com a mudança de hábitos. Se a motivação não for intrínseca, poderá ocorrer uma desistência dos novos comportamentos de saúde. Perder peso, por si só, não é uma boa intenção, pois existem métodos que são agressivos, usados por muitas pessoas. O mais importante é acarinhar psicologicamente a decisão de ser mais atento às necessidades reais do nosso corpo. Essas incluem necessariamente a atividade física e a alimentação saudável. E a decisão de ser mais saudável e atento à necessidade real do nosso corpo é sustentável ao longo do tempo e não conduz a frustração. A fixação do objetivo no resultado, em vez de no processo, pode conduzir rapidamente a frustração e desistência.

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