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Teresa Manafaia: «Não proporcionamos boas oportunidades de movimento às nossas crianças»

A personal trainer e fisiologista especializada em reabilitação cardíaca e composição corporal diz que não há saúde sem movimento regular. Este é intrínseco ao ser humano, mas está esquecido pela sociedade atual. No dia em que se celebra o Dia Mundial da Atividade Física, 6 de abril, falamos da necessidade de nos mexermos mais, adultos e crianças.

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Hoje celebra-se o Dia Mundial da Atividade Física. Qual a importância para o ser humano manter-se em movimento?

Se ousasse colocar prioridades de direitos para qualquer ser humano em comportamentos geradores de saúde, essas seriam o direito a uma alimentação natural, não processada, o direito ao movimento livre e regular, o direito à exposição solar e ao sono reparador. Ora esses direitos que temos enquanto seres humanos, biológicos, só podem ser assegurados se, em consciência, assumirmos o dever de os conceder ao nosso corpo, criando condições para tal.

 

A estrutura do ser humano está preparada para o movimento. Qual o mínimo de atividade diária que deveríamos fazer?

Apesar das tentativas das instituições em colocar um mínimo de atividade física diária, apenas consigo concordar que quanto mais espontaneamente ativo for um ser humano, adulto ou criança, melhor. No adulto, aplicando isto ao dia a dia, poderemos resumir: aproveitar todas as oportunidades para caminhar, subir escadas, brincar com os filhos, jardinar, etc. É importante que as pessoas percebam que depois de fazerem aqueles 30 ou 60 minutos de ginásio, não é positivo passar o resto do dia sentado ou no sofá a ver TV.

 

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Falemos então de sedentarismo. Que problemas está a provocar ao corpo humano?

Todos! Desde os cardiovasculares e metabólicos, como a diabetes, aos ortopédicos, à depressão, ao envelhecimento precoce. Até os tumores podem, em parte, ser prevenidos com atividade física regular. Contudo aqui, como em todas as respostas, a alimentação natural, não-processada, tem uma grande palavra a dizer.

 

Mas nem todas as pessoas gostam de frequentar um ginásio. Que alternativas se podem fazer para se manter ativo?

O local onde vivemos deve ser o nosso principal ginásio, tanto a casa como a rua. O ginásio propriamente dito serve para realizar exercício estruturado por profissionais, com objetivos específicos. Por isso, não existem desculpas para a falta de atividade física: podemos acordar de manhã e realizar alguns exercícios respiratórios, prosseguir com uma rápida caminhada na rua, apanhar sol enquanto esperamos pelo autocarro, se formos de carro  podemos estacionar longe e ir o resto a pé, aproveitar para subir escadas em todos os prédios em vez de subir de elevador, fazer alguns exercícios durante uma pausa para ir à casa de banho, voltar a fazer uma caminhada rápida antes do almoço, fazer alguns exercícios na cadeira, caso trabalhemos sentados, procurar (caso seja possível) ter uma cadeira e mesa altas para não trabalhar sempre sentado e poder trabalhar em pé de vez em quando, chegar a casa e não ligar a TV, em vez disso, ligar o rádio e dançar com movimentos livres e amplos, e o mais interessante é que tudo isto torna a nossa vida mais divertida! É o maior antidepressivo que podemos fazer!

 

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De facto, fazer atividade no ginásio ou movimentar-se nas atividades diárias requerem recursos diferentes do organismo. Quais as principais diferenças e que impacto têm no corpo humano?

Os músculos não sabem se estão no ginásio, na rua ou em casa. A grande diferença é a estrutura da abordagem ao movimento, tal como as cargas utilizadas. Na minha opinião, a grande mais-valia do ginásio é a oportunidade de reaprender o movimento correto, de usar cargas e de frequentar aulas que contribuem para o alívio do stress e proporcionam movimento com lazer (associado a música, por exemplo). Vale muito a pena ser acompanhado por bons profissionais! Quem tem um bom professor, tem um mentor de estilo de vida, o que é importantíssimo para a prevenção de doenças no futuro.

 

As pessoas têm corpos diferentes. Existe atividade mais recomendada para uns e outros ou depende somente do gosto?

A locomoção (ex: caminhada) é uma atividade adequada para todos os seres humanos, já o exercício deve ser personalizado de acordo com as características e com as condicionantes das pessoas. Por exemplo, se tem uma hérnia discal, não poderá realizar determinados tipos de exercícios que poderão agravar a situação, podendo sempre realizar a sua forma natural de locomoção que usa menos impacto (caminhada) evitando a que tem mais impacto (corrida), mesmo sendo esta também natural para o ser humano.

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