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Teresa Fraga: «O cancro do colo do útero é muito comum em mulheres jovens»

Na Semana Europeia do Cancro do Colo do Útero, a consultora de ginecologia especialista em diagnóstico da patologia do trato genital inferior explica a atual situação em Portugal e quais os testes preventivos indicados para mulheres abaixo e acima dos 30 anos.

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O cancro do colo do útero é uma consequência rara e infeliz, a longo prazo, de uma situação muito frequente: a contaminação com um vírus de HPV de alto risco.  Sabe-se, atualmente, que três em cada quatro mulheres podem ser contaminadas nalguma altura da sua vida com vírus de HPV, na maioria das vezes através de uma relação sexual com um parceiro/a infetado.

 

Para além disso, em Portugal, e segundo o estudo Cleopatre, cerca de duas em cada 10 mulheres, não vacinadas, na faixa etária dos 18 aos 64 anos, tem um teste de HPV positivo. Sabemos que é uma consequência rara porque somente uma em cada 10.000 mulheres vão desenvolver um cancro do colo do útero.

 

Mesmo assim, este número representa cerca de 720 novos casos por ano e este é um cancro muito comum em mulheres jovens, numa faixa etária em que uma doença maligna deste tipo vai pôr em risco além do seu bem-estar físico, a fertilidade e a vida sexual desta mulher.

 

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Esta relação causal (o HPV é uma causa necessária embora não suficiente para desenvolver um cancro do colo do útero) e o facto de que, entre a contaminação com o vírus e a doença invasiva haja um espaço longo de tempo e uma série de manifestações que se podem detetar, permite atuar em várias alturas, no sentido de impedir este desenvolvimento.

 

Prevenção e vacinação

A prevenção da doença invasiva do colo do útero (e não só, porque o HPV está atualmente relacionado com outras formas de cancro, nomeadamente da vagina, vulva, ânus, pénis e orofaringe) pode assumir duas formas: prevenção primária e prevenção secundária.

 

Na prevenção primária, pretende-se impedir que se faça a transmissão do vírus ou que este permaneça no organismo, facilitando a sua eliminação logo após a contaminação. Fazem parte deste tipo de prevenção o uso de preservativo, que vai diminuir a hipótese de contaminação e essencialmente proteger de outras infeções sexualmente transmitidas; o alertar para os fatores que podem influenciar no curso da doença (tabagismo, estado imunitário, outras doenças); e por fim, atualmente a primeira linha de prevenção primária: as vacinas contra o HPV, das quais a última – a vacina nonavalente – confere uma proteção para cerca de 95% dos cancros do colo do útero (e também, numa grande percentagem para os outro cancros relacionados com o HPV). A vacina contra o HPV em Portugal faz parte do plano Nacional de Vacinação desde 2007 e, atualmente, é administrada a vacina nonavalente.

 

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Portugal orgulha-se de ter uma taxa de cobertura vacinal de 82%, o que representa uma mais-valia na prevenção deste tipo de cancro para as gerações vindouras. No entanto, é necessário ter em conta que existem muitas mulheres não protegidas e que necessitam da outra forma de prevenção, a chamada prevenção secundária.

 

Na prevenção secundária, incluem-se os testes que permitem detetar as lesões precursoras do cancro do colo do útero, que se vão desenvolver por um período mais ou menos longo de tempo, entre a contaminação e a doença invasiva (6-8 meses – 25 anos…). Estes testes permitem o seu tratamento atempado e eficaz, impedindo assim a progressão para estádios mais graves, que já implicam tratamentos mais agressivos e incapacitantes.

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