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Teresa Bombas: «Existe uma sociedade antes e depois da introdução da pílula»

Neste Dia Mundial da Contraceção, falámos com Teresa Bombas, especialista em ginecologia e obstetrícia e presidente da Sociedade Portuguesa da Contracepção. Que impacto tem a contraceção na sociedade, quais os mitos que ainda persistem e como escolher o método mais adequado são alguns dos tópicos desta conversa.

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A 26 de setembro assinala-se o Dia Mundial da Contraceção. A Sociedade Portuguesa de Contraceção acabou de realizar a sua 7ª Reunião Nacional. Nesta altura, quais são os planos para uma melhor saúde sexual da nossa sociedade?

A Sociedade Portuguesa da Contraceção tem trabalhado arduamente para garantir uma melhor saúde sexual da nossa sociedade. O plano é sensibilizar para o longo percurso que tivemos de percorrer até chegar a leis de saúde sexual e reprodutiva que garantem o acesso à educação sexual, à contraceção, à vigilância da gravidez, ao parto e ao aborto em condições de segurança e de igualdade para todos os cidadãos. Devemos, por isso, continuar a trabalhar neste sentido e evitar politicas fraturantes.

 

Quais as principais novidades nesta área e que desenvolvimentos se estão a fazer?

Na contraceção, a evolução tem sido no sentido de desenvolver métodos contracetivos cada vez mais seguros e com formas de utilização mais cómodas. Atualmente, temos muitas opções contracetivas, o que permite cada vez mais escolhas individuais e que vão ao encontro das necessidades e expetativas da mulher e dos casais.

 

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Fazendo uma retrospetiva, a primeira pílula chegou ao mercado em 1960. São 57 anos de história. Que impacto teve na sociedade?

Há quem considere que existe uma sociedade antes e depois da introdução da pílula. Tudo mudou em 1960: 1. Sexo e reprodução tornaram-se independentes; 2. Os casais passaram a ter os filhos que desejavam e quando assim o pretendiam; 3. O papel da mulher na sociedade alterou-se completamente: a mulher passou a trabalhar fora de casa, a contribuir ativamente para o rendimento familiar, a ter autonomia financeira e a delinear estratégias profissionais individuais.

 

E como evoluiu a contraceção desde então? Que outros métodos surgiram e que impacto têm?

Tudo mudou. A dose e a composição da pílula evoluíram no sentido de garantir menos riscos e melhores benefícios não contracetivos. Passou-se a utilizar outras vias para a contraceção hormonal como a vaginal (com o anel, de uso mensal, que garante mais comodidade e mais efetividade), a transdermica (com o selo, de uso semanal, que se traduz em mais comodidade e efetividade), a subdermica (com o implante, uma contraceção para 3 anos sem estrogénios), e a intrauterina (SIU e DIU, uma contraceção para 3, 7 e 10 anos com e sem hormonas, respetivamente). Portanto, temos neste momento contracetivos para todas as mulheres e possíveis de se adaptar as várias fases da vida, estados de saúde e expetativas. O preservativo continua presente e passou a ter um papel muito ativo enquanto único método eficaz na proteção contra as doenças de transmissão sexual.

 

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Recentemente, a Organização Mundial de Saúde alterou os critérios de elegibilidade para os métodos contracetivos. Quais foram as principais alterações e que efeitos práticos têm no dia a dia?

A maior alteração está na elegibilidade de alguns métodos em algumas circunstâncias de vida ou estados de saúde. É, por isso, fundamental a atualização dos profissionais de saúde para garantir opções contracetivas seguras. No nosso dia-a-dia, o que muda são as limitações no uso de alguns métodos.

 

O método contracetivo mais utilizado pelas mulheres portuguesas e aquele sobre o qual afirmam ter um maior conhecimento continua a ser a pílula. Mas este não é o indicado para toda as mulheres. A quem não se adequa este método?

A pilula é o método contracetivo mais utilizado no mundo e em Portugal. A pílula é um ótimo método, seguro e efetivo para quem é saudável e a consegue tomar diariamente sem esquecimentos. Mulheres com HTA, doenças tromboembolicas, obesidade, fumadoras com mais de 35 anos, com enxaquecas graves, antecedentes de cancro da mama entre outras doenças não devem utilizar uma pílula combinada, isto é, uma pilula com estrogénios e progesterona. O Etinilestradiol (o componente estrogénico da pílula), em mulheres não saudáveis e com fatores de risco tromboembolico (como são alguns dos que referi anteriormente) potencia estes fatores de risco e não deve ser usado. Contudo, não significa que estas mulheres não possam fazer contraceção hormonal, podem e devem utilizar métodos seguros, incluindo os hormonais, mas sem estrogénios.

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