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Ter demasiadas coisas leva à procrastinação

Estar sucessiva e propositadamente a adiar ou atrasar assuntos que se tem em mãos pode ter origem no excesso de objetos que se possui, gerando desorganização. Há mais de 30 anos que o psicólogo americano Joseph Ferrari estuda a ‘arte’ de procrastinar. O estudioso tem-se debruçado ultimamente sobre a sua relação com a abundância e lança agora novos dados sobre a influência do consumismo desregrado na saúde mental.

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Joseph Ferrari é professor de psicologia da Universidade DePaul, EUA, e estuda a procrastinação desde a década de 80. No seu novo estudo, que foi publicado na revista ‘Current Psychology’, o psicólogo e os seus colegas levantam a possibilidade de a procrastinação estar ligada à quantidade de coisas que se tem. Ou seja, a abundância de objetos pode ter um efeito prejudicial na saúde mental de uma pessoa e atrapalhar o seu senso de lar.

 

Na entrevista dada ao site da universidade, Ferrari apresenta alguns dos resultados a que chegou nesta investigação, que relacionou a procrastinação e a desordem, e que reproduzimos de seguida.

 

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Num estudo recente, liderou uma equipa de investigadores que estudou o que é a procrastinação e as suas causas. O que é que esta investigação descobriu?

A procrastinação é uma tendência para atrasar o início ou a conclusão de uma tarefa desejada, a ponto de gerar desconforto. Isso leva a formas disfuncionais de ser e, consequentemente, a uma qualidade de vida reduzida. A procrastinação não é a mesma coisa que esperar, adiar ou atrasar. Em geral, o atraso não é um problema, esperar não é um problema, quando fazemos essas coisas, muitas vezes recolhemos informações. Procrastinar é evitar algo estrategicamente e propositalmente. A desordem é uma superabundância de posses que criam espaços vivos, caóticos e desordenados. Não é a mesma coisa que acumular, é mais amplo que isso. Não é um distúrbio psicológico como o acúmulo, pelo menos não ainda.

 

Na nossa pesquisa, as descobertas sugerem que existe uma propensão geral a procrastinar quando se trata de realizar tarefas rotineiras e quotidianas, como classificar e descartar itens do stock pessoal, o que pode levar a problemas como a desordem. Os procrastinadores relataram problemas de desordem excessiva e que a sua superabundância de posses afetou negativamente a sua identidade. Quanto mais desordem tiver, maior é a probabilidade de ser um procrastinador. O que faz sentido, porque não se tem certeza do que se deve livrar.

 

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O que é a procrastinação e como sabemos que a praticamos?

A verdade é que todos nós acabamos de uma forma ou de outra a procrastinar, mas nem todos nós somos procrastinadores crónicos. Isto acontece quando alguém tem tendências de procrastinação, não só num cenário ou numa tarefa, mas ao longo de toda a sua vida. É um estilo de vida mal-adaptado. Eles fazem isso em casa, na escola ou no trabalho, em relacionamentos ou responsabilidades. Eles estão sempre a atrasar. Os procrastinadores são excelentes fabricantes de desculpas. Eles têm sempre um motivo. Eles nunca assumem a responsabilidade sobre si mesmos. É por isso que trabalhar em gestão de tempo não traz alívio aos procrastinadores. Eles terão sempre a sua desculpa pronta. Nunca é culpa deles.

 

No mundo existem cerca de 20% de pessoas que são procrastinadores crónicos. Para mudar a forma como pensa ou age, a terapia cognitivo-comportamental é um bom primeiro passo a dar, não importa a idade. Neste estudo foi analisado, pela primeira vez, o papel que a idade tem no comportamento de procrastinação.

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