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Tens para troca? O impacto das campanhas de colecionismo

Os pais, tios, avós, e primos não gostam de se sentir manipulados pelos “mini-ditadores” que habitam nas suas casas, mas a verdade é que, tal como as marcas, os pais sabem o poder de persuasão que as crianças têm.

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“Mãe, quando vais às compras? A coleção termina em novembro e ainda me faltam 18! Posso ligar ao avô, para pedir para ele ir às compras?” Esta é uma conversa recorrente dos meus filhos, de 9 e 5 anos, nas últimas semanas. Pensando de forma estruturada, quem não gosta de uma coleção? Eu adoro colecionar selos que me dão a oportunidade de adquirir recipientes, copos, facas, livros de culinária e até descontos em combustível.

 

Quando era mais nova, fazia coleção de calendários, borrachas e um sem número de outras coisas. O meu avô colecionava moedas e selos (numismática e filatelia!). O colecionismo está na nossa natureza pelo desafio, pela competição ou pelo simples desejo de ter.

 

Os pais (tios, avós, primos) não gostam de se sentir manipulados pelos “mini-ditadores” que habitam nas suas casas, mas a verdade é que, tal como as marcas, os pais sabem o poder de persuasão que as crianças têm. Como profissional de marketing sei que, estrategicamente, campanhas que apostam nas crianças como fator de aproximação são campanhas com um grande potencial. As marcas sabem disso, por isso, trabalham cada vez mais (e melhor) este indicador (a decisão de compra influenciada pelas crianças).

 

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Objetivos de campanhas de colecionismo:

  • Fidelizar (para além do preço)
  • Atrair novos clientes (e esperar que fiquem mesmo depois de terminada a campanha)
  • Aumentar o relacionamento (o tal engagement) do cliente com a marca
  • Aumentar a frequência de compra durante o período da campanha
  • Aumentar o ticket médio por compra
  • Diferenciar-se da concorrência
  • Melhorar a experiência de compra
  • Passar uma mensagem

 

O que queremos mesmo é um final feliz, ou seja, ver os nossos filhos alegres com a coleção completa e ter a oportunidade de brincar com eles em momentos partilhados em família. Para isso, damos connosco a mudar o local de compra habitual, a levar os repetidos para a troca no local de trabalho, a visitar grupos criados para o efeito nas redes sociais, a ativar toda a nossa rede de contactos. Fazemos isso pelas crianças, mas, lá no fundo também por nós, pelo sentimento de dever cumprido e aquela pontinha de ciúme por “no nosso tempo” não haver destas coisas.

 

Brincar ao faz-de-conta é muito importante, enquanto fator de desenvolvimento, como forma de mostrar às crianças um pouco mais do mundo real, para promover a autonomia, o pensamento, a criatividade e a linguagem nos mais novos, e os momentos de brincadeira em família.

 

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Esta ideia de aprender a brincar é fantástica, porque dá aos pais o motivo para consumir com menos peso na consciência. Na verdade, estas campanhas são poderosas na relação emocional que geram nos pais e nas crianças. Uma marca que consiga criar esta ligação emocional com o seu consumidor terá certamente resultados muito positivos.

 

Na perspetiva do gestor de marketing, campanhas como esta exigem orçamentos muito significativos, tempo de preparação e de execução, adequação ao seu público-alvo (e encontrar a relação de influência com os pequenos consumidores). E, na era que vivemos, exigem um propósito – algumas destas campanhas apoiam causas de proteção do ambiente, promovem hábitos de vida mais saudável, entre outros – e são, se possível, o mais sustentáveis possível para evitar os “haters” do plástico.

 

Devemos manter um consumo consciente e aproveitar todas as oportunidades para explicar às crianças que nem sempre é “sim” e nem sempre é “não”, mas continuemos a alimentar a criança que há em nós e a aproveitar, bem, o tempo de brincadeira com as nossas crianças.

 

 

 

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