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Tendências de consumo: O que esperar de 2022?

Os últimos 20 meses mudaram substancialmente o comportamento do consumidor e, consequentemente, as estratégias de relacionamento das marcas com ele. Hoje a jornada de consumo não é linear como era anteriormente.

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Não queria ser eu a mensageira desta notícia, mas a verdade é que 2022 está quase aí. Se faltam 2 dias para o Natal (como quem diz 23 dias!) para o final do ano só faltam 3! E não estou a dar esta notícia para que tenham tempo de colocar a garrafa de Pommery no frigorífico. Nada disso.

 

Esta é a altura do ano em que se fazem balanços e se começa a desenhar aquele que será o próximo ano. 2020 e 2021 impuseram mudanças incríveis, quer para empresas, quer para consumidores. Nestes dois anos, navegámos pelo desconhecido, com planos pouco rígidos, fomos alterando hábitos e comportamentos, o teletrabalho passou a norma, as compras online a banais. A digitalização tomou proporções nunca antes vistas e hoje competimos num mercado mais global do que nunca. Estamos a assistir a uma crise de RH sem precedentes, com falta de recursos qualificados porque a contratação é global (sem a deslocalização). É toda uma nova realidade. De facto, aquí, as previsões para 2021 acertaram. Há um novo real!

 

Hoje, mesmo que a entrar numa 5ª vaga, ainda com muitas incertezas sobre quando será (se será) o fim desta pandemia, mas com as taxas de vacinação a aumentar e já muitas pessoas com a 3ª dose de reforço, temos de estar otimistas e começar a pensar quais as tendências de consumo que vão emergir nesta pós-pandemia? O que se pode esperar de 2022?

 

Como sempre as previsões são muitas e variadas*. Há para todos os gostos, mas neste ponto em concreto ter uma ideia geral do que está para vir vai ajudar as organizações a prepararem-se e a planearem com eficácia a forma como vão lidar com o ‘Consumidor 2022’.

 

VEJA TAMBÉM: A INOVAÇÃO COMO FORÇA DAS MARCAS

 

Os últimos 20 meses mudaram substancialmente o comportamento do consumidor e, consequentemente, as estratégias de relacionamento das marcas com ele. Hoje a jornada de consumo não é linear como era anteriormente. O consumidor quer personalização, mas ao mesmo tempo quer ter mais poder sobre os seus dados.

 

Além dos produtos e serviços, os consumidores estão preocupados sobre aquilo que as marcas defendem. A conveniência hoje passou a ser sinónimo de disponibilidade de produtos e serviços ao “click” do botão. Esta ‘nova realidade’ veio complicar o trabalho das organizações e dos marketers. Como podem as marcas sobreviver neste mundo cada vez mais complexo?  A resposta é uma só. “Colocando as pessoas no centro do negócio”.

 

O que dizem os estudos sobre as macrotendências de marketing para 2022:

Tendência 1: Propósito: o guia para o crescimento

Sem margem para dúvida que, no momento de escolha, o preço e a qualidade ainda ditam a decisão, contudo, essas dimensões não são diferenciadoras. Os consumidores são mais leais a marcas com compromissos sociais e, por isso, o propósito é um fator competitivo diferenciador.

 

Tendência 2: Autenticidade: marketing verdadeiramente inclusivo

É imperativo que a mensagem das marcas reflita de forma autêntica a variedade de origens e experiências dos consumidores para que se conectem a elas. Para o consumidor de hoje, não basta publicitar a inclusão e diversidade. Mais que parecer, importa ser!

 

Tendência 3: Criatividade: como motor de inovação e liderança

Vemos hoje as funções de marketing cada vez mais analíticas, para fazer face à quantidade de dados de que dispomos dos clientes e do mercado. A criatividade deixou de ser importante? Para quem fica essa competência? Como se aliam as competências analíticas às criativas? O segredo está na colaboração. Na criação de equipas ágeis capazes de se mover à mesma velocidade dos consumidores.

 

Tendência 4: “No cookies”: como desenhar estratégias com menos informação disponível ­

Com o fim das cookies, que estratégias de dados devem as equipas de marketing usar para direcionar e interagir com os seus clientes de forma eficaz? Diz que a tendência é apostar na combinação de dados primários e digitalização.

 

Tendência 5: Dar prioridade ao ser humano (“I’m not a robot”)

Interagir com o consumidor e o seus dados para ganhar confiança, encontrando o equilíbrio entre a utilidade e o uso abusivo dos dados recolhidos. Para ganhar confiança, é preciso apostar na transparência, no valor e na segurança. Isto consegue-se criando uma relação com o consumidor, colocando-o desde o início no centro da relação.

 

Tendência 6: Experiências híbridas: experiências imersivas no mundo digital e físico

De um dia para o outro, passámos do físico para o digital. Muitas marcas excederam-se na entrega de experiências digitais (já muito se falou sobre como a pandemia veio acelerar a transformação digital!). Vimos emergir no online produtos e serviços que nunca pensámos virem a funcionar aí.

 

O e-commerce explodiu globalmente e transversalmente a vários serviços. Agora que muitas destas marcas descobriram e adotaram o canal digital, o próximo desafio é descobrir a melhor forma de integrar as experiências entre físico e digital – ou híbrido. Essas experiências passam por: personalização, inovação, ligação com o consumidor e inclusão.

 

Tendência 7: Serviço ao Cliente (com AI): integrar a inteligência artificial com o serviço humano para trazer o melhor dos dois mundos à jornada do consumidor ­

A AI pode integrar duas táticas de marketing importantes: 1) a oferta certa no momento certo; 2) serviço pós-venda para tornar a experiência do cliente ainda melhor. Para desenhar uma melhor experiência de cliente, é importante: ter uma estratégia para a experiência do cliente, com os canais e touch points bem identificados; ter a certeza de que todos os pontos estão ligados, i.e., os canais e pontos de contacto devem ser coerentes na experiência do cliente; desenhar a experiência com o foco centrado no cliente, considerando a experiência total.

 

Para além destas tendências fala-se que o consumidor vai querer mais do que antes:

Assumir o controlo da sua vida e das suas decisões;

 

Diversão. Cansado de estar fechado, o consumidor quer partir à descoberta de novas experiências, viver e divertir-se, tanto virtual como fisicamente.

 

Tecnologia para todos. Robots para retalho (assistentes para livrarias, robótica de não contacto para restaurantes, entregas sem contacto), APP’s para um segmento mais sénior que se viu mais isolado e sozinho durante a pandemia e passou a utilizar APP’s que eram utilizadas tipicamente por um segmento mais jovem.

 

Positividade. As campanhas devem focar no conforto e temas relaxantes que ofereçam uma mensagem positiva sobre o futuro.

 

B2B Waste ou plataformas de redução de desperdício para o sector B2B, sobre a importância de as marcas serem eco-friendly.  E as tendências seguem por aqui fora, de acordo com os vários sectores de atividade em estudo.

 

Certamente que as tendências, baseadas em estudos, são importantes e devem ser tidas em conta no desenho das estratégias para as marcas no ano que aí vem, contudo, creio que não é demais lembrar que as marcas servem pessoas. Não se deixe ficar para trás e perceba rapidamente como pode fazer parte da vida das pessoas. Fornecendo-lhes valor, utilidade e conveniência.

 

A conversa está boa, mas vai longa e eu ainda tenho uma árvore de Natal para montar. Será que vamos acertar em alguma das previsões? 😊

A ver vamos!

 

*Documentos analisados: “2022 Global Marketing Trends Thriving through customer centricity, Deloitte Insights”; “2022 Trend Report The roaring 20’s are coming back, Trendhunter, Create the future”; “Global Consumer Trends 2022, Mintel”

 

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