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Tal moda, tal vinho

Poderíamos juntar estes dois termos em inúmeras abordagens. Mas aqui vou falar de um conceito que os une: curiosamente, a ‘unificação’. Na lógica de que cada um dos setores, unido dentro de si, internacionalmente, tem mais força.

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A ModaLisboa já lá vai e agora estamos em plena apresentação do Portugal Fashion. Duas plataformas que apresentam o que de melhor se faz na moda nacional. Apresentam a Portugal e ao Mundo.

 

Para quem segue esta área pelo planeta, sabe que os países têm na generalidade uma semana de moda onde compilam o best of dos seus estilistas e mostram ao mundo a sua marca. A elegante Paris, o arrojo e trendy que vem de Nova Iorque. Os fashionistas já sabem e seguem atentamente cada ‘semana’, seja Paris, Londres, Milão, Nova Iorque – as principais -, mas também Madrid, Berlim e por aí fora. Geralmente, todas com o nome da capital do respetivo país, ou da moda.

 

Por cá, temos a ModaLisboa, que segue essa linha de raciocínio, e o Portugal Fashion, organizado pela ANJE, que está há alguns anos a alargar os seus tentáculos ao mesmo temo que a ModaLisboa vai perdendo peões.

 

Antes, o Portugal Fashion passava-se apenas no Porto. Mas de há umas edições a esta parte apresenta-se em Lisboa e no Porto. E cada vez mais. E nesta, que é a sua 41ª edição, há claramente a intenção de valorizar o programa de desfiles em Lisboa e de dar maior dimensão à abertura do evento.

 

«O circuito de desfiles do Portugal Fashion passa pelas grandes capitais da moda internacionais, como Londres, Paris, Milão e Nova Iorque. Não fazia por isso sentido que, à escala nacional, não se verificasse uma presença forte do evento tanto no Porto como em Lisboa, cidade com grande dinâmica de moda e cada vez mais cosmopolita. Lisboa é uma etapa estratégica do nosso roteiro de moda e, como tal, decidimos realizar os desfiles num sábado e com nomes de peso», explica Adelino Costa Matos, presidente da ANJE.

 

Está finalmente clara a conquista de Lisboa. E com grandes guerreiros, alguns deles saídos da ModaLisboa para o Portugal Fashion. Carlos Gil, Luís Onofre e Alves/Gonçalves personificam o que de melhor se faz na moda nacional e vão abrir o evento.

 

Faz sentido haver duas plataformas de moda? Quem ganha por haver duas janelas para o mundo? Claramente, uma está a desenvolver-se cada vez mais e a outra a esvaziar-se.

 

Vamos então ao título deste editorial. Tal como no setor do vinho criar demasiadas regiões demarcadas confunde e enfraquece o marketing e a comercialização dos vinhos portugueses no estrangeiro, também haver duas semanas de moda num país tão pequeno não me parece que seja benéfico para uma moda que se quer forte, unificada e sedenta de destaque num mundo globalmente concorrencial.

 

Portugal está na moda. É o turismo no geral, as praias, as cidades, a gastronomia, os hotéis, no futebol, temos o presidente mais popular de sempre, até a Eurovisão ganhámos… e que tal a moda cavalgar esta onda? Os ‘sapatos mais sexy’ já estão a faze-lo. Unidos num conceito estão mais fortes. E vendem mais, que é o que se quer.

 

Vamos ver como as movimentações se dão ao longo das próximas edições. Quer fazer um exercício? Veja os programas de desfiles das duas plataformas e tire as suas conclusões.

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