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Sua Majestade, o Rei

As marcas e a coroação do Rei Carlos III

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No próximo dia 6 de maio (sábado) vai decorrer a Coroação de Sua Majestade o Rei Carlos III e da Rainha Camila, como reis do Reino Unido e dos outros reinos da Commonwealth (14!). Certamente, no Palácio de Buckingham reina a azáfama dos preparativos desta grande celebração.

 

Em Portugal serão poucos os que estão a seguir os preparativos e irão seguir a cerimónia, mas, é inevitável sentir alguma curiosidade. Na verdade, quem não gosta de uma boa história de Reis, Rainhas, Príncipes e Princesas, que nos remetem ao mundo encantado (não é dos brinquedos) dos palácios de outrora? – basta ver o sucesso da série da Netflix “The Crown” para perceber que é um tema que interessa mesmo a um público internacional, não familiarizado com a monarquia como os britânicos.

 

Obviamente que esta é uma oportunidade de ouro para as marcas britânicas aproveitarem e ajudarem os britânicos na celebração e, elas estão a fazê-lo! É esperado que cada britânico gaste £86 (cerca de 97€) para se preparar para o evento, entre comida, bebida e artigos de decoração. Há muita margem para o retalho (físico e online) aproveitar esta intenção de compra, basta estar atento e perceber o que procuram estes consumidores.

 

  • Vejam o exemplo da Heinz que alterou o nome de seu icónico Ketchup, apenas num número limitado de garrafas de edição especial, para “Kingchup”.
  • Ou a Uber que, para assinalar a ocasião, está a oferecer viagens numa carruagem digna de rei – Ride like a royal in Uber’s ‘Coronation Carriage’.
  • A Cadbury também não quis ficar de fora, e lançou uma gama de edição limitada para assinalar a coroação. Aliás a marca tinha também já marcado presença no Jubileu de Platina da Rainha Isabel II, não sendo novata em ocasiões reais.

 

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É claro que as marcas de luxo não podiam ficar de fora até porque há muito que estão associadas à família real e, qualquer evento que lhe esteja associado, vai contribuir para gerar reconhecimento da marca e atrair novos clientes, pela cobertura mediática que se gera em torno dos membros da família real. Com esta associação, as marcas de luxo reforçam atributos como tradição e sentido de herança. A título de curiosidade, o emblema oficial da coroação – que representa a flora das quatro nações do Reino Unido – foi projetado por um ex-chefe de design da Apple. A casa real a juntar tradição e modernidade. Serão sinais de tempos de mudança?

 

Outras marcas atentas ao evento são as marcas de cervejas, vinhos e bebidas espirituosas. Considerando os resultados de vendas do Jubileu de Platina da Rainha adivinha-se um crescimento da categoria também na coroação. A bem da verdade, vão existir telas nas ruas para assistir ao momento e nada melhor que uma bebida fresca para acompanhar a transmissão em direto. Marcas de bebidas com um logotipo que inclua uma coroa, como por exemplo a cerveja Corona, vão ganhar a corrida pela ligação visual e verbal da coroa da monarquia que relembra o consumidor de que pode escolher um produto “digno de rei”. E esta, hein?!

 

As marcas têm muito a aprender com uma coroação não fossem as coroas símbolos máximos da identidade visual de uma monarquia e, por isso, se puder dizer que a coroa é como uma marca (símbolo que representa o brasão de uma monarquia e, ela própria, uma forma de branding). Assim, podemos associar o poder e a força de uma coroa – que comunica qualidade, status, classe e confiabilidade – ao poder e à força de um logotipo. Há algumas marcas, não muitas, que conseguiram atingir este patamar.

 

Mas, não poderia terminar este artigo sem falar do tema que me levou a saber mais sobre esta coroação. No Jubileu de Platina da Rainha houve um momento que se tornou viral e que foi o momento do chá da rainha com o Urso Paddington (recordem aqui porque é mesmo muito fofo) mas, na coroação do Rei Carlos III o convidado será outro, Winnie the Pooh.

 

Será que vamos assistir a um momento semelhante ao de Paddington com a rainha, mas, desta feita, entre o rei e Pooh?

 

Enquanto Paddington representa um imigrante ilegal que desejava assimilar a cultura britânica e que nutria muitos dos mesmos valores da rainha – como gentileza, tolerância e polidez, já Winnie the Pooh, o urso devorador de mel e de memória curta (“Pensa Pooh, pensa!”), é uma personagem que já esteve associada à família real no passado – o peluche do filho do autor A.A. Milne recebeu o nome de um urso real que tinha sido a mascote dos soldados canadianos durante a Primeira Guerra Mundial – e já tinha estado presente nas celebrações dos 95 anos da rainha Isabel II.

 

É possível que Pooh venha a representar durante a coroação ao lado de atores como Tom Cruise e outros convidados, apresentando fatos desconhecidos sobre o novo rei.
A verdade é que quer Paddington quer Pooh não aparecem nestas celebrações tradicionalistas só porque são fofos. Eles pretendem trazer alguma leveza e diversão ao evento, estabelecer uma relação com as gerações mais jovens e evocar uma sensação de nostalgia e familiaridade.

 

Desviei-me um pouco do tema de como as marcas podem aproveitar a coroação, mas é que o Pooh é um urso mesmo adorável.

Quanto às marcas, já sabem, tratem-nas como a joia da coroa!

 

 

 

 

 

 

 

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