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Stress no trabalho pode levar à síndrome de burnout

Este distúrbio é também chamado de síndrome do esgotamento profissional e pode afetar 40 por cento dos portugueses

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É uma doença do século XXI, descoberta nos anos 70 pelo médico americano Freudenberger. O seu nome deriva da junção das palavras ‘burn” e “out’, que significa esgotamento. A síndrome foi
inicialmente identificada em indivíduos cujos trabalhos envolviam a necessidade de cuidar de outras pessoas ou que obrigavam a um contacto intenso com pessoas, como médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, assim como professores. Atualmente este distúrbio não está restringido a categorias profissionais e pode ser descrito como resultado da relação com um ambiente em que as exigências excedem a capacidade do indivíduo. Isto resulta numa exposição crónica a stress emocional e interpessoal relacionado com o ambiente de trabalho.

Jacinto Azevedo, médico psiquiatra do Hospital Privado de Alfena, explica: “O surgimento desta síndrome chama a atenção para a relação bidirecional entre a psiquiatria e a cultura, na medida em que ilustra como uma mudança na sociedade pode levar ao surgimento de uma patologia até então ausente.” É um exemplo da dificuldade das pessoas se adaptarem à velocidade da mudança do mundo. “Neste caso, a evolução de uma sociedade industrial para uma sociedade de serviços, em conjugação com a erosão das entidades família, comunidade, igreja, insegurança e volatilidade contratual, levaram ao aparecimento da síndrome do burnout.

À primeira vista, a síndrome de burnout pode ser confundida com uma depressão. No entanto, geralmente esta pode surgir em consequência da síndrome. “Um stress laboral muito intenso poderá conduzir a várias doenças psiquiátricas. Destas, podemos ter doenças ansiosas, depressivas e aditivas. A depressão caracteriza-se sobretudo pela presença de uma tristeza com intensidade não comum para a pessoa, pela perda de prazer nas atividades que sempre gostou, por ideias de morte e também por diminuição da concentração e da memória”, explica o clínico.

O tratamento deve ter uma “perspetiva multidimensional”. Ou seja, por um lado é importante tratar a pessoa, retirando-lhe os sintomas e, depois, trabalhando psicoterapeuticamente no sentido de aumentar a vida privada, a capacidade de gestão de conflitos, as formas de relaxamento e de aumento de prazer. Jacinto Azevedo explica: “Para a resolução deste síndrome é sempre importante intervir junto da fonte, ou seja, junto da entidade empregadora. Ou pela mudança de emprego quando já nada mais há a fazer, ou atuando localmente de modo a otimizar as condições de trabalho. Contudo, a primeira dificuldade está na identificação precoce daquilo que está a acontecer. Ou seja, a pessoa deixou de ter capacidade de suportar o stress a que está exposto. A maioria das vezes as pessoas procuram ajuda quando a síndrome de burnoutjá originou outras doenças psiquiátricas.”

O papel das entidades empregadoras

Um estudo recente revelou que 59% dos portugueses sofrem de stress provocado pelo trabalho. Destes, cerca de 40% podem sofrer da síndrome de burnout, segundo estudos realizados em várias faculdades do país e envolvendo várias profissões: “Trata-se de algo que se pode chamar de epidémico”, remata o psiquiatra.

A síndrome do burnout reduz a produtividade, aumenta o absentismo e leva à perda de oportunidades e ativos humanos. Logo, as entidades empregadoras têm todo o interesse em prevenir este distúrbio. Jacinto Azevedo aconselha: “No local de trabalho deve-se procurar otimizar as condições que se relacionam com a exigência, número de tarefas, recompensas, ambiente de trabalho, gestão das equipas, assim como deve ser dada atenção à criação do sentido lato de pertença a uma comunidade. Desta forma, será possível aumentar a resistência aos níveis de stress constantes, às frustrações e exigências diárias.”

Mas os próprios trabalhadores devem estar alerta e evitar comportamentos de risco. Segundo o clínico, “a grande estratégia é o aumento da vida privada.” Acrescentando: “Porém, na maioria das vezes, é uma motivação exagerada, uma procura do sucesso, do mérito e do reconhecimento que leva a que a pessoa fique ‘cega’ para o que lhe está a acontecer e vá negando os vários sinais que lhe são dados pelo seu corpo, pelos familiares e pela entidade empregadora.”

Verifique na galeria acima quais são os sinais de alerta para a síndroma de burnout.

Por Joana de Sousa Costa

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