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Spinner: o brinquedo da moda não é para todas as idades, alerta DECO

Supostamente reduz o stress e promove a concentração. Mas os especialistas consideram o spinner ou fidget spinner apenas um brinquedo normal que está na moda e que pode ser perigoso para crianças com menos de três anos.

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A Associação de Defesa do Consumidor (DECO) alerta para os perigos escondidos que o spinner ou fidget spinner pode ter, sobretudo para crianças com menos de três anos de idade.

 

Aquele que é atualmente o brinquedo da moda e a perdição de muitas crianças e jovens pode ser encarado como um outro qualquer brinquedo, desde que as condições de segurança estejam salvaguardadas. O perigo reside no facto de este ‘pião dos tempos modernos’ se poder desmontar.

 

«Um dos desafios de algumas crianças é tentarem desmontar e abrir este brinquedo, o que se revela fácil. Ao fim de algumas tentativas, nós próprios tivemos acesso direto aos rolamentos. São peças pequenas que podem ser facilmente metidas na boca pelos mais novos, colocando-os em risco de asfixia. É fácil desmontar as peças do spinner. O seu tamanho coloca em risco os menores de 3 anos, pois pode obstruir a traqueia», alerta a DECO numa comunicação revelada hoje.

 

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A Associação detetou também alguns problemas na etiquetagem. «Comprámos alguns exemplares em vários tipos de lojas: Worten, Fnac, Toys “R” Us, quiosques e estabelecimentos com produtos baratos. E verificámos que tudo é possível. Desde não terem qualquer tipo de aviso ou a marcação CE (obrigatória para que um brinquedo se encontre à venda no mercado europeu), a terem avisos em inglês ou avisos mal traduzidos. Apenas um faz referência à idade recomendada, mas mesmo assim é só para quem saiba inglês e esteja habituado a este tipo de designações: diz “8Y+”, quando deveria estar escrito em português e de forma compreensível, com um número seguido da designação em meses ou anos. Também há os que têm a etiquetagem completa, só que em letras muito pequenas, de difícil leitura. Se não mencionarem a idade com clareza, presume-se que se podem destinar a qualquer idade, incluindo menores de 3 anos», explica a DECO.

 

Assim, e depois de contactar o Instituto de Apoio à Criança, a DECO refere algumas recomendações de utilização do spinner em casa e na escola: Como qualquer outro brinquedo ou objeto de referência, as regras de utilização dependem de cada instituição e família, pois pode ser perigoso, mas utilizado convenientemente pode ser divertido e promover a interação na família
Já a utilização do spinner na escola tem sido uma das grandes polémicas. Pode ser motivo de distração, mas também há professores a tirarem partido desta moda e, já que não conseguem impedir os alunos de aderirem, usam-no em contexto escolar, como temporizador, por exemplo.

 

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Quanto ao efeito terapêutico que se lhe atribui, ainda não há estudos que comprovem os efeitos terapêuticos do spinner e os resultados vão depender sempre de cada caso. Mas há dados que podem ajudar a perceber eventuais efeitos nos casos de autismo e de défice de atenção. «Crianças com estas características vivem no abstrato e, se calhar, este brinquedo é o que medeia a relação entre o mundo delas e o mundo dito normal», explica a psicóloga e coordenadora do Sector da Atividade Lúdica do IAC, Melanie Tavares, à DECO.

 

«Os autistas têm uma predisposição para ver objetos giratórios e o spinner, ao girar, faz focar a nossa atenção». Para a especialista, qualquer pessoa com comportamentos aditivos tem um objeto de substituição para desviar a atenção e, neste caso, o spinner produz a regulação de comportamento. Assim sendo, «no fundo tem eficácia para toda a gente», conclui Melanie Tavares.

 

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