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Slut-Shaming: uma agressão cometida diariamente

O fenómeno não é recente, mas parece ter ganhado adeptos nos últimos tempos.

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O termo “Slut”, de vadia, prostituta, e “Shaming”, de envergonhar, passar vergonha. Ora, Slut-Shaming é definido como um processo em que, em especial, as mulheres são atacadas pela sua transgressão aos “códigos aceites” da conduta sexual, isto é, são criticadas por terem um comportamento ou desejos mais sexuais do que a sociedade considera aceitável.

 

Ora aqui surge logo uma questão, quem é a sociedade para considerar aceitável comportamentos ou desejos sexuais? Todas as pessoas têm o direito de viver livremente a sua sexualidade. Mas que comportamentos podem ser estes criticados pela sociedade?

 

Uma mulher maquilhada, com roupa justa, decote, tatuagens e saltos altos é interpretada como uma mulher “fácil”. Perante um grupo de raparigas a dançarem entre elas, com movimentos mais sensuais, existe quem deduza logo que querem atrair homens.

 

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Se uma mulher casada está a conversar de forma animada com amigos homens, existem logo pessoas que acreditam que ela está com segundas intenções, enquanto o marido não está presente.    Uma mulher que gosta de jogos sexuais e de ousar na cama, ao contrário dos homens, é uma desavergonhada. Alguns exemplos e respetivas significações.

 

“Vadia, ordinária, promíscua, fácil, oferecida” são alguns dos adjetivos que as mulheres são qualificadas simplesmente por viverem a própria sexualidade livremente.

 

Sociedade patriarcal

Este fenómeno reflete como a mulher é vista na sociedade patriarcal que atribui ao sexo feminino o papel dentro da família, de esposa e de mãe, e nesse espaço não cabe uma mulher sexualizada. Tal é completamente díspar do papel celestial, da ideia conservadora da conduta feminina.

 

As mulheres são ensinadas desde cedo a não falar sobre sexo. Quando é exposto o facto de uma mulher explorar e mostrar seu prazer, constitui-se como uma afronta a essa sociedade conservadora – a mulher angelical e materna passa a ser “vadia e promíscua.”.

 

Portanto, um perfeito disparate. A mulher, tal como o homem, tem o direito de viver em plenitude a sua sexualidade. Não pode deixar que crenças limitadoras a inibam.

Mas o Slut-Shaming é uma agressão cometida diariamente, que fere a autonomia e provoca não somente danos emocionais, como físicos. A crítica constante afeta o bem-estar emocional, a autoestima e a liberdade de expressão.   Gera um sentimento de confusão e a dúvida de se estar a fazer o certo, pois parece que todos o consideram errado.

 

Torna-se complexo lidar com a rejeição, incompreensão e diria até ignorância, mas nunca a mulher deve abdicar de ser quem é.

 

Deve agradecer não gostarem dela, afinal tal significa que está a ser fiel a si própria, aos princípios e valores e não se transforma numa personagem que coloca diferentes máscaras consoante a pessoa que está à sua frente.

 

O segredo para lidar com este fenómeno que parece ter ganhado novos adeptos nas redes sociais, “os super-heróis” de cuecas, é enfrentar. Não ter vergonha e receio de ser quem é. Ser genuína, e ter sempre em mente os seus valores e nunca abdicar deles. São a melhor herança, nunca os percam.

 

Pensem nisso!

 

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