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Sisifemia, a doença de quem vive para o trabalho

É frequentemente observada em ambientes de trabalho precários, onde existe um desequilíbrio entre a elevada procura de trabalho e o número de trabalhadores

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Nos últimos tempos tem surgido um novo conceito no mundo do trabalho, a sisifemia. Também já designada por “fadiga dos trabalhadores”, é um conceito utilizado para descrever os elevados níveis de esgotamento físico e mental que os trabalhadores acabam por evidenciar, sobretudo devido ao trabalho excessivo e à prossecução de objetivos inatingíveis impostos pela empresa, ou até pelos próprios.

 

A estes objetivos irrealistas, junta-se a frustração de não os conseguir atingir (apesar de fazer o melhor trabalho possível) e o “castigo” de ter de repetir a tarefa todos os dias.

 

Deste modo, a sisifemia no trabalho faz com que o trabalhador tenha o pensamento irracional de “não ser suficientemente produtivo”, apesar de estar objetivamente a realizar uma atividade de alto rendimento.

 

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Este sentimento de ineficácia, bem como a frustração de “não conseguir tudo o que deveria”, faz com que os trabalhadores não consigam desligar-se do trabalho, prolongando o dia de trabalho para completar as tarefas.

 

Tende a afetar as pessoas que são perfeccionistas no trabalho. As pessoas com um elevado sentido de responsabilidade, que são meticulosas e procuram sempre cumprir todas as atividades de forma excecional. Origina que reduza o seu tempo de descanso e prolongue o seu dia de trabalho para que possa cumprir as suas tarefas diárias.

 

É frequentemente acompanhada de uma má gestão do tempo, sendo a desorganização a principal causa do desequilíbrio entre os tempos livres, as relações pessoais e o trabalho, bem como de uma distorção cognitiva: uma “dismorfia da produtividade”, ou seja, a convicção de que não está a ser “suficientemente produtivo”, embora esteja.

 

É frequentemente observada em ambientes de trabalho precários, onde existe um desequilíbrio entre a elevada procura de trabalho e o número de trabalhadores, ou a difícil capacidade de resposta dentro dos horários estabelecidos.

Como em qualquer outra síndrome ou doença, os sintomas da sisifemia no trabalho podem variar de pessoa para pessoa, bem como o seu nível de intensidade. No entanto, existem sintomas mais comuns.

 

Sintomas

# Altos níveis de autoexigência

Reflete-se precisamente na procura incessante da perfeição, através da definição de padrões irrealistas para si próprio e para o seu desempenho no trabalho, que são praticamente inalcançáveis. Como resultado, isto pode levar a elevados níveis de insatisfação crónica e à exaustão mental que caracteriza o fenómeno.

 

# Esgotamento físico e mental

Devido aos níveis extremos de pressão que se sentem por causa dos elevados padrões impostos e da falta de satisfação no trabalho, a sisifemia pode levar ao esgotamento físico e mental, que se pode traduzir em dificuldades/ distúrbios em qualquer uma destas áreas – como sintomatologia cardíaca, sintomatologia ansiosa e/ou depressiva…

 

# Perturbações psicológicas

Se os níveis de obsessão pelo sucesso, ambição sem limites e pressão extrema se mantiverem ao longo do tempo, podem aumentar a probabilidade de ansiedade, depressão ou perturbações do sono. A exaustão e o cansaço mental podem afetar os recursos cognitivos da pessoa em causa, diminuindo a sua capacidade de atenção, concentração e processos de memória.

 

# Isolamento social

O desequilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal pode levar a pessoa a abandonar as relações interpessoais devido ao tempo excessivo dedicado às atividades profissionais. Esta situação pode ser evidenciada por alterações de comportamento, como a perda de interesse por atividades de lazer, desporto ou relações pessoais – que anteriormente eram prazerosas para a pessoa.

 

Então, como se pode proteger?

Urge semear e alimentar a ideia de que o trabalho tem o seu tempo e que, não obstante de o trabalho conferir propósito, há vida para além do trabalho.

Pense nisso!

 

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