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Síndroma das Pernas Inquietas – uma doença comum e incapacitante

A neurologista Rita Peralta explica a doença que traz grande desconforto ao final da tarde e noite e que afeta até 15% da população. Especialmente nos dias quentes de verão.

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No final do dia, gostamos de repousar calmamente, deitados na cama ou sentados num sofá, num cinema ou num teatro, imóveis, recuperando do esforço realizado ao longo do dia. Para a maior parte das pessoas, este é um momento de prazer e bem-estar. Para algumas pessoas, no entanto, estes momentos de repouso trazem uma sensação de desconforto, que é muitas vezes difícil de descrever por palavras, que os impede de permanecer quietos por longos períodos de tempo.

 

Este desconforto, que surge geralmente nas pernas, associa-se invariavelmente a uma irrequietude motora, ou seja, a uma necessidade irresistível de mover as pernas. Com o movimento, o desconforto alivia, apenas para voltar em igual intensidade durante um novo período de repouso. Este é o quadro clínico característico do Síndroma das Pernas Inquietas.

 

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A síndroma das pernas inquietas é muito comum. Pode afetar até 15% da população. Na generalidade de pessoas afetadas, o sintoma é esporádico e pouco ou nada incapacitante. Em cerca de 1,5%-3% das pessoas com sintomas, no entanto, é incapacitante, surge frequentemente e perturba o sono ou as atividades de repouso e lazer.

 

Para estas pessoas, o final da tarde e da noite são momentos de grande angústia e desconforto. Por vezes, as pessoas passam grande parte da sua noite de pé, a deambular, para reduzir os sintomas nefastos que a imobilidade provoca. Conseguem adormecer já de madrugada, perto da hora de acordar, quando os sintomas da doença tendem a amainar. Esta realidade é ainda mais dramática se pensarmos que a doença surge geralmente em adultos jovens, ativos profissionalmente.

 

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Esta patologia é uma doença neurológica crónica, de etiologia desconhecida. Pessoas que sofram de anemia, carência de ferro, insuficiência renal ou algumas doenças neurológicas como a polineuropatia são também mais propensas a desenvolverem esta doença. Outro grupo de risco são as grávidas: 20% das mulheres podem apresentar queixas sugestivas de pernas inquietas, nesta fase da vida. Geralmente, não se encontra qualquer causa para a doença, sendo considerada idiopática. Nestes casos, é muito comum existir mais de um familiar direto afetado.

A síndroma das pernas inquietas é diagnosticada apenas pela descrição clínica que é realizada a um médico com experiência. Infelizmente, tem sintomas que podem assemelhar-se a outras patologias também comuns e é, por isso, frequentemente sub-diagnosticada. Muitos doentes com esta doença passam anos com diagnósticos de varizes ou outras doenças vasculares periféricas, patologia da coluna, fibromialgia.

 

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Por outro lado, com a divulgação progressiva desta entidade na classe médica, surgem também cada vez mais sobre-diagnósticos de pernas inquietas. Ou seja, doentes com queixas de dor atribuíveis a outras causas (desconforto posicional, neuropatias ou radiculopatias, insuficiência venosa, etc.) que são erradamente atribuídas a pernas inquietas, condicionando com isso tratamentos crónicos desnecessários e ineficazes.

 

Os sintomas desta patologia respondem de forma muito marcada a diversos tratamentos. Por isso, um correto diagnóstico, realizado tão cedo quanto possível, é fundamental! A cura para a doença ainda não foi encontrada, mas é possível para os pacientes usufruírem de uma melhor qualidade de vida e de um sono mais descansado através dos tratamentos mais indicados existentes no mercado.

 

Por Rita Peralta

Neurologista do CNS Campus Neurológico Sénior

 

 

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