Home»S-Vida»Síndroma das Pernas Inquietas – uma doença comum e incapacitante

Síndroma das Pernas Inquietas – uma doença comum e incapacitante

A neurologista Rita Peralta explica a doença que traz grande desconforto ao final da tarde e noite e que afeta até 15% da população. Especialmente nos dias quentes de verão.

Pinterest Google+
PUB

No final do dia, gostamos de repousar calmamente, deitados na cama ou sentados num sofá, num cinema ou num teatro, imóveis, recuperando do esforço realizado ao longo do dia. Para a maior parte das pessoas, este é um momento de prazer e bem-estar.

 

Para algumas pessoas, no entanto, estes momentos de repouso trazem uma sensação de desconforto, que é muitas vezes difícil de descrever por palavras, que os impede de permanecer quietos por longos períodos de tempo.

 

Este desconforto, que surge geralmente nas pernas, associa-se invariavelmente a uma irrequietude motora, ou seja, a uma necessidade irresistível de mover as pernas. Com o movimento, o desconforto alivia, apenas para voltar em igual intensidade durante um novo período de repouso. Este é o quadro clínico característico do Síndroma das Pernas Inquietas.

 

VEJA TAMBÉM: DEZ MANDAMENTOS PARA TER UMAS PERNAS PERFEITAS

 

A síndroma das pernas inquietas é muito comum. Pode afetar até 15% da população. Na generalidade de pessoas afetadas, o sintoma é esporádico e pouco ou nada incapacitante. Em cerca de 1,5%-3% das pessoas com sintomas, no entanto, é incapacitante, surge frequentemente e perturba o sono ou as atividades de repouso e lazer.

 

Desconforto ao anoitecer

Para estas pessoas, o final da tarde e da noite são momentos de grande angústia e desconforto. Por vezes, as pessoas passam grande parte da sua noite de pé, a deambular, para reduzir os sintomas nefastos que a imobilidade provoca.

 

Conseguem adormecer já de madrugada, perto da hora de acordar, quando os sintomas da doença tendem a amainar. Esta realidade é ainda mais dramática se pensarmos que a doença surge geralmente em adultos jovens, ativos profissionalmente.

 

Esta patologia é uma doença neurológica crónica, de etiologia desconhecida. Pessoas que sofram de anemia, carência de ferro, insuficiência renal ou algumas doenças neurológicas como a polineuropatia são também mais propensas a desenvolverem esta doença. Outro grupo de risco são as grávidas: 20% das mulheres podem apresentar queixas sugestivas de pernas inquietas, nesta fase da vida. Geralmente, não se encontra qualquer causa para a doença, sendo considerada idiopática. Nestes casos, é muito comum existir mais de um familiar direto afetado.

 

A síndroma das pernas inquietas é diagnosticada apenas pela descrição clínica que é realizada a um médico com experiência. Infelizmente, tem sintomas que podem assemelhar-se a outras patologias também comuns e é, por isso, frequentemente sub-diagnosticada. Muitos doentes com esta doença passam anos com diagnósticos de varizes ou outras doenças vasculares periféricas, patologia da coluna, fibromialgia.

 

Por outro lado, com a divulgação progressiva desta entidade na classe médica, surgem também cada vez mais sobre-diagnósticos de pernas inquietas. Ou seja, doentes com queixas de dor atribuíveis a outras causas (desconforto posicional, neuropatias ou radiculopatias, insuficiência venosa, etc.) que são erradamente atribuídas a pernas inquietas, condicionando com isso tratamentos crónicos desnecessários e ineficazes.

 

Os sintomas desta patologia respondem de forma muito marcada a diversos tratamentos. Por isso, um correto diagnóstico, realizado tão cedo quanto possível, é fundamental! A cura para a doença ainda não foi encontrada, mas é possível para os pacientes usufruírem de uma melhor qualidade de vida e de um sono mais descansado através dos tratamentos mais indicados existentes no mercado.

 

Por Rita Peralta

Neurologista do CNS Campus Neurológico Sénior

 

 

Artigo anterior

5 Dicas para ajudar os filhos na escolha do curso

Próximo artigo

Poluição luminosa: Madeira instala laboratório para acompanhar impacto nas aves marinhas