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Silvia Roque: «Há maior incidência de miomas uterinos na perimenopausa»

A 18 de outubro celebrou-se o Dia Mundial da Menopausa. Com Silvia Roque, médica especialista em ginecologia, falamos sobre esta fase da vida da mulher e também sobre o período que a antecede, a perimenopausa, altura em que mais surgem miomas uterinos.

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Estudos desenvolvidos na área da ginecologia mostram que existe uma maior incidência de miomas uterinos nas mulheres com idades entre os 40 e 50 anos, precisamente na altura em que se encontram em perimenopausa, que se caracteriza pelo período de tempo que engloba a pré-menopausa até um ano após a menopausa.

 

Esta altura é marcada pelo declínio progressivo da função ovárica até à sua falência total, quando a mulher é diagnosticada com menopausa após um ano de ausência de menstruação. Com frequência está associado a um conjunto de sintomas: irregularidades menstruais, calores, afrontamentos, transpiração noturna, alterações do humor e do sono, entre outros.

 

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A evolução da idade torna, portanto, a existência de miomas uterinos mais comum, especialmente entre os 40 anos e a menopausa, altura na qual existe uma alteração hormonal significativa, que afeta o desenvolvimento dos miomas no útero. Apesar da probabilidade de desenvolver miomas diminuir visivelmente após a menopausa, devido ao facto de a mulher passar a ter menos hormonas no corpo que promovem o seu crescimento, pode ser um verdadeiro problema nos anos até chegarem à menopausa.

 

Cerca de 40% dos miomas são sintomáticos e podem causar um grande impacto na qualidade de vida das mulheres. Hemorragias, dor abdominal, dor durante as relações sexuais e sintomas de pressão são os sintomas associados aos miomas e que podem trazer um grande impacto na qualidade de vida da mulher, que pode até deixar de conseguir fazer as tarefas do dia a dia.

 

Os miomas uterinos são mesmo a quinta causa mais frequente de internamento hospitalar por causa ginecológica não relacionada com a gravidez, em mulheres até aos 44 anos, pelo que mostra a interferência que podem ter na qualidade de vida da mulher. E motivo para a conversa com a ginecologista Silvia Roque.

 

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O que as distingue a perimenopausa da menopausa?

 A perimenopausa engloba a fase da vida da mulher na pré-menopausa  – quando se inicia o declínio da função ovárica e que pode dar sintomas como irregularidades menstruais e alguns sintomas que podem surgir na menopausa, como afrontamentos, irritabilidade, mas de forma mais ligeira – até um ano após a última menstruação. A menopausa é o termo usado para a ausência de menstruação um ano após o último período menstrual.

 

O que as distingue é que a perimenopausa se inicia antes da menopausa, não sabendo quanto tempo pode decorrer até a ultima menstruação, podendo até demorar alguns anos. Neste período ainda existem menstruações, embora muitas vezes irregulares, e engloba também a menopausa.

 

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Quais as principais alterações sentidas pelas mulheres nesta altura?

Primeiro, ainda na perimenopausa, pode haver irregularidades menstruais. Assim que se estabelece a menopausa, ocorre ausência de menstruação. As alterações podem ser manifestações precoces e tardias relacionadas com a carência de estrogénios. As manifestações precoces passam por afrontamentos, calores, suores noturnos, perturbações no sono, irritabilidade, angústia e pode mesmo chegar a estados depressivos.

 

As manifestações consideradas tardias, após cerca de dois anos até longo prazo, são sobretudo alterações cutâneas, como rugas, perda da elasticidade da pele; perturbações genitais como secura vaginal, levando a atrofia vaginal que causa dor nas relações sexuais, diminuição da libido; alterações urinárias com maior tendência a infeções urinárias e incontinência urinária; aumento de risco de enfarte do miocárdio, AVC; défice da concentração; osteoporose.

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