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Sexo no comboio: o que realmente importa reter

Mais do que falar do vídeo, dos seus intervenientes, das considerações acerca do comportamento da e dos jovens, das hipotéticas diferenças sociais da forma como se encara o comportamento da mulher e do homem, quero refletir sobre a importância de a sexualidade ter de deixar de ser um tabu, do flagelo de vivermos numa sociedade onde reina a ausência de uma cultura de educação sexual.

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 Muito se falou, julgou, especulou, achou, deturpou sobre o que foi falado em função das próprias crenças e até mesmo inventou sobre o vídeo viral que circula na internet sobre três jovens que mantêm comportamentos sexuais explícitos durante uma viagem de comboio.

 

Prometo que não é sobre esse vídeo que quero falar; dispensa, nesta fase, comentários e apresentações.  Há demasiadas vidas hipotecadas, várias pessoas fragilizadas, para que se faça deste tema mais uma vez noticia. Que os intervenientes encontrem a tranquilidade para refletir sobre os comportamentos, consequências e encontrem no amanhã a esperança de uma nova realidade.

 

Mais do que falar do vídeo, dos seus intervenientes, das considerações acerca do comportamento da e dos jovens, das hipotéticas diferenças sociais da forma como se encara o comportamento da mulher e do homem, quero refletir sobre a importância de a sexualidade ter de deixar de ser um tabu, do flagelo de vivermos numa sociedade onde reina a ausência de uma cultura de educação sexual.

 

Pais e famílias continuam a negar o tema, a fazer dele “o bicho-papão” e as crianças crescem a recorrer ao Dr. Google e aos PseudoDoutores, os amigos que “vendem” que tudo sabem sobre o tema. Ambos pouco sabem, quando à sexualidade diz respeito. O receio, a vergonha continua a dominar as famílias. Temem não ter as palavras certas, o método eficaz. Talvez seja bom dizer-vos que não há, não faz sentido usar tal facto como desculpa. Falem numa linguagem simples, os atropelos, as hesitações fazem parte, como tudo o que fazemos pela primeira vez. A linguagem do coração, do afeto tudo resolve. Experimentem.

 

Não permitam que outros vos digam como fazer, ou como dizer, recordem que ninguém conhece melhor o/a vosso/a filho/filha que vós. Não há momentos certos, cenários perfeitos, há a realidade. A sexualidade é intrínseca ao ser humano, como tal, de forma natural, abordem o tema. Não adianta negar, fazer que não existe ou até mesmo esperar que se resolva por si. Não deixem esse papel para terceiros, é vosso enquanto pais. Bem sei que provavelmente nem todos os pais o fizeram com cada um de vós, mas que isso não seja o motivo para que não o façam. Os tempos mudaram, a informação e a desinformação são uma realidade e esta tarefa é dos pais.

 

A escola pode e deve ter o seu papel. Ainda está à procura de qual será. Não há ainda consensos e uma estratégia clara e definida. Enquanto procura, que não se deixem crescer crianças a encarar o sexo desprovido de sentimentos ou uma ferramenta de aceitação e integração no mundo, por vezes, tão cruel dos jovens de hoje.

 

Que este vídeo nos desperte a todos para a realidade e que em vez de o comentar ou partilhar, que se denuncie e não se cale a necessidade de construção de uma cultura de verdadeira educação sexual.

 

E pode já hoje erguer o primeiro tijolo, faça a diferença!

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