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Ser mulher: a emoção a razão, o sexto sentido e a prevenção

A mulher não é a apenas dotada do dom da intuição, há outros comportamentos e sentimentos sensoriais que definem as suas caraterísticas especiais, no que toca a emoções e sentimentos.

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Geneticamente, os humanos nascem dotados pelo poder dos cinco sentidos: visão, paladar, olfato, audição e tato. Um assunto sobre o qual já escrevi na crónica “Uma Receita de Números – Os cinco sentidos”.

 

A cada segundo de tempo, recebemos e armazenamos cerca de 100 milhões de mensagens enviadas do sistema nervoso central, mas só algumas produzem uma resposta. O nosso cérebro capta cerca de onze milhões de bits de forma inconsciente e apenas processa 16 desses bits. Isto porque não somos treinados a usar todo este potencial e desperdiçamos muita informação recebida.

 

No entanto, é sabido que a mulher ao longo da evolução humana desenvolveu o sexto sentido. Um dado explicado pela biologia e ligado ao poder de intuição. Isto porque somos capazes de usar em simultâneo os dois hemisférios do cérebro. Razão pela qual também conseguimos realizar várias tarefas em simultâneo.

 

Trata-se do “Corpo Caloso”, que faz a ponte entre os nossos hemisférios e que proporciona o aumento do tráfego de impulsos nervosos nesse canal.  Esse estímulo aciona o comando da intuição. O lado esquerdo do cérebro é racional e o lado direito é emocional.

 

A estrutura hormonal feminina torna-nos mais recetivas, compreensivas e emocionais que os homens. Está provado cientificamente que a ligação feita pelo corpo caloso, desenvolve nas mulheres a capacidade integrativa cerebral que conduz à perceção de eventos futuros.

 

Além de que existem muitos fatores socio culturais ao longo dos tempos que condicionam, descriminam e limitam o desenvolvimento masculino para demonstrar emoções. Atualmente a sociedade já teve algum avanço sobre este tipo de interferência socio comportamental que durante séculos criou verdadeiros conflitos nas reações emotivas dos homens.

 

Mas a mulher não é a apenas dotada do dom da intuição, há outros comportamentos e sentimentos sensoriais que definem as suas caraterísticas especiais, no que toca a emoções e sentimentos.

 

Por exemplo, a ação dos neurónios espelho permite-nos observar, gestos, posturas, respiração e expressões faciais dos outros, o que nos conduz para o dom da leitura emocional e empática. Esta capacidade permite-nos evitar causar danos aos outros.

 

Também somos geridas pela memória emocional, a qual arquiva cheiros, sons, cores, imagens do nosso passado e cria em nós defesas de sobrevivência, permitindo-nos reagir mais rápido, perante uma situação de perigo ou alteração daquilo que nos permite viver em segurança. As emoções são armazenadas como lembranças, porque a nossa amígdala examina cada situação de acordo com a sua intensidade emocional. Isto explica porque as mulheres lidam mal com a raiva.

 

Há alguns estudos que mostram que o cérebro feminino está biologicamente mais avançado na liderança emocional, porque está habilitada a gerir melhor os níveis de empatia. É cada vez maior o número de mulheres no mundo que convive na união de “sororidade”, um conceito político que tem implícita uma causa de mudança na sociedade, com impacto em todas as áreas da vida de uma mulher, onde a empatia é amplamente usada num laço de ajuda fraterna.

 

Mas a fisiologia feminina sofre diversas oscilações hormonais entre a produção de estrogénio e de progesterona, a que somos submetidas nos ciclos menstruais, durante uma boa parte da vida (12 e os 55 anos). Razão pela qual a mulher é mais propensa a sofrer distúrbios emocionais como; depressão, ansiedade, acessos de medo, stress intenso, irritabilidade, sentimentos de profunda frustração e demência precoce.

 

Os dados estatísticos sobre a prevalência da doença de Alzheimer por exemplo, apontam uma discrepância desproporcional em que 6.650.228 mulheres sofrem desta doença e os homens são apenas 3.130.449, dados referentes à Europa.

 

Esta semana li um comentário das redes sociais, onde se discutiam os diversos problemas e opiniões sobre este conflito em que a Rússia agride e invade a Ucrânia.  Um homem comentava o seguinte: “Se fossem as mulheres a estar no poder não estaríamos a viver este conflito”.

 

Gostaria de lembrar que as mulheres são seres beligerantes, bastante até, a história do mundo tem imensos exemplos, mas também são pessoas que antes de atacar e de agredir pesam nos prós e nos contras, avaliam os riscos e danos e só depois colocam o plano em ação, com senso e razão.

 

Nesta mesma discussão digital, houve ainda uma mãe que afirmou que se as mães estivessem na frente deste conflito este iria terminar depressa, porque a mulher mãe tem um comando de proteção e preservação da espécie muito apurado. Antes de si, a mãe preocupa-se com a saúde, o bem-estar e a segurança do filho.

 

Mas a sociedade precisa de proteger e acautelar melhor os direitos das mulheres, razão pela qual o papel da mulher na história desde o século vinte, tem mudado consideravelmente.  Sobretudo no que diz respeito à sua participação ativa em todas as áreas sociais. Algo assegurado pelas Nações Unidas em 1979 na Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres.

 

Em Portugal, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, reativou em 2016 o Grupo de Estudos de Saúde da Mulher, com o objetivo de promover a reflexão, discussão e estudo de temas relacionados com a Saúde da Mulher nos Cuidados de Saúde Primários e na prática da Medicina Geral Familiar, tendo como ponto de partida as diferenças relacionadas com o sexo e género que influenciam a saúde e o bem-estar da mulher.

 

A 18 de Abril, a Associação Europeia de Saúde Educativa e Preventiva em Epigenética, no seu evento anual de comemoração sobre os “Direitos dos Doentes e Saúde Transfronteiriça”, dedica esta data à “Saúde da Mulher” – O futuro da Saúde na Europa/ Inovar em Prevenção e Bem-estar. Um evento com uma programação que aborda 10 temáticas diferentes, onde a saúde da mulher deve ser considerada, respeitada e protegida, porque “A Saúde é o Nosso Maior Património”.

 

No que concerne às políticas públicas, o Diário de Notícias anunciou recentemente que a conferência anual da Comissão sobre o Estatuto da Mulher – ACSW66, das Nações Unidas, que vai acontecer entre 14 a 25 de março deste ano, tem como tema principal “As Mulheres Como Agente de Mudança”.

 

Nesta notícia, a eurodeputada do Parlamento Europeu, Maria da Graça Carvalho, afirma o seguinte: “O que verdadeiramente está em causa, quando se discute o papel da mulher, é essencialmente sobre a sua capacidade de decidir, transformar as sociedades através de objetivos e comunidades mais justas e felizes”. Concordo plenamente com esta posição, porque me assumo como uma defensora dos direitos humanos, acima de todas as ideologias e interesses políticos.

 

Quando penso no significado de SER MULHER, penso em planeta e sustentabilidade, em paz, respeito, amor e evolução. Em que todos juntos sejamos capazes de agir para uma ação em que a emoção e o sexto sentido, sejam parte de um esforço uníssono de verdadeira “Sororidade” pela contribuição e proteção da humanidade.

 

 

 

 

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