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Ser (fazer) amor

Aproxima-se a data em que se celebra S. Valentim, patrono dos enamorados, aquele que celebra o amor. Por isso, hoje escrevo sobre a forma como diariamente me dou conta deste viver o amor entre as pessoas, as que me procuram e as outras que eu observo. Venho falar-vos do amor lato, puro, apaixonado, arrebatado e altruísta!

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A palavra SER é definida como existir, viver, estar e encontrar-se, já a palavra FAZER é definida para criar, realizar, dar e estar. Ainda assim, usando a definição do SER, esta pode ser entendida de forma abrangente, como saudável, com energia e responsável, quer por si, quer por tudo ao seu redor e com os outros…

 

Em qualquer destas definições, a junção do ato de amor ou de amar remete-nos para um ser capaz de criar e construir-se em amor, seja ele por doação ou como recetor. Aqui o amor torna-se uma forma de alcançar o bem-estar maior que toda a humanidade busca incessantemente.

 

E nesta busca pelo amor, sabemos pelos relatos históricos que Luís Vaz de Camões morreu pobre de amor e viveu em permanente sede de amor. Na sua lírica ou prosa, ele definiu o amor de todas as formas que lhe ficaram entranhadas na alma, a maior delas, faz alusão ao “fogo que arde sem se ver, como que um contentamento descontente…” Talvez porque o seu maior descontentamento foi com o seu ego, o amor a ele próprio…

 

Algo que nos dias de hoje acontece a uma grande parte da população, onde o ser amor ou sequer fazer amor está a tornar-se numa expressão caduca, fora de época. Porque o sentir está a ser trocado de forma e é cada vez mais uma realidade virtual em vez de real.

 

Fazer amor, antes definida como forma de intimidade entre dois pares, onde a troca de corpos estava associada ao sentimento de querer bem, de amar sem fronteiras e era feito com doação mútua, hoje chama-se apenas fazer sexo. As pessoas escondem-se no ato do prazer em vez de buscarem o fazer amor com o corpo e com a alma.

 

Vivemos numa era de tecnologia e de ciência, onde os caminhos evoluem para uma sede de saber incalculável, mas que de certa forma nos está a distanciar uns dos outros, tornando-nos tão próximos, mas vazios de presença, de toque de intimidade e de proximidade.

 

Quem já fez amor, com o corpo, a par, sabe que essa sensação de êxtase pela vida acontece no antes do ato sexual, é ela quem veste o sentir do toque, que leva ao desejo carnal. Mas é no momento depois que encontramos o “santo graal” do sentir, ou a tal “sustentável leveza do ser”, onde nos lavamos de medos e ficamos de alma e corpo leves, isentos de luxúria e despidos de pudores.

 

Na verdade, pode-se mesmo dizer que este é o sentir do verdadeiro poder da intimidade, do fazer e ser amor em partilha absoluta. Na ausência deste momento, fica o vazio, porque a partilha do corpo foi apenas um ato mecânico de satisfação pessoal, sem verbalização do sentir ou sequer do toque.

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