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Semanas da moda: fonte de inspiração ou cópia das coleções prêt-à-porter?

No mês em que as principais capitais da moda apesentam as suas tendências para a primavera/verão 2015, regressa a luta contra a cópia pirata das peças que rapidamente se dissemina pelo mundo.

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Os estilistas mostram durante esta temporada as suas criações de prêt-à-porter, mas a versão mais barata chegará dentro um mês às vitrines graças aos estilistas das grandes lojas, que assistem e decompõem os looks. Para alguns é pura inspiração, mas para outros trata-se apenas de uma cópia. O fenómeno chegou a tal ponto que é quase impossível acabar com ele.

Decorridas já as semanas de moda de Nova Iorque, Londres, Milão e agora a decorrer Paris, esses estilistas estão a toda velocidade a analisar as imagens disponíveis na internet em busca dos looks que prometem transformar-se em moda.

Existem equipas preparadas para “produzir algo literalmente em 24 horas”, disse em entrevista à AFP Jane Banyai, da organização de estilistas britânicos Acid, encarregada de lutar contra as cópias.

Nos anos 1950, os exemplares da revista Paris Match mostravam imagens dos desfiles de moda, mas com grandes linhas pretas para impedir a cópia dos modelos. Naquela época, os desfiles eram verdadeiros acontecimentos reservados a poucos privilegiados.

Hoje as imagens das passereles dão a volta ao mundo num dia através dos smartphones.

“É extremamente fácil reproduzir as peças. Uma fotografia chega à Ásia em alguns segundos e pode passar para a fase de fabrico em poucos minutos”, explica Jane Banyai.

As revistas femininas acostumaram-se a dedicar páginas inteiras com a comparação de modelos de estilistas e as outras “para o público em geral”.

Obrigados a ceder

Segundo Kal Raustiala, professor da universidade americana Ucla, esta prática é tão comum que a maioria dos estilistas se sente desarmado para a enfrentar. “As imitações estão por toda parte. Considera-se praticamente que fazem parte da realidade do nosso mundo”, disse Raustiala à AFP. O professor interessou-se pelo tema depois que um amigo que trabalha no mundo da moda contar que viajou para Londres para fazer “shopping comparativo”. “Ele foi para Londres para observar as peças, fazer fotos e trazer as coisas para copiar. Surpreendi-e ao ver que era legal e algo recorrente”, contou.

Michael Chan, advogado especializado em direito de propriedade intelectual, desaconselha até que os seus clientes levem à justiça os casos de cópias das suas criações. “A não ser que exista realmente um motivo concreto, são obrigados a deixar passar”, disse. “Se fizer um estampado de leopardo e alguém fizer outro ligeiramente diferente, o ciclo é rápido demais para tentar algo contra”, explica.

Mas, às vezes, os estilistas atacam. Yves Saint Laurent levou Ralph Lauren para os tribunais pela falsificação de um vestido smoking e ganhou o processo em 1994.

Mais recentemente, em 2007, a grande cadeia de moda Topshop teve que destruir milhares de vestidos amarelos após ter sido denunciada pela marca Chloé. A cadeia britânica negou que se tratava de uma cópia, mas aceitou pagar 12.000 libras (15.000 euros) em indenização e gastos judiciais para, segundo o presidente Philip Green, evitar uma batalha interminável.

Jane Banyai estima que a cópia causa mais problemas aos jovens estilistas que às empresas tradicionais. “Para os pequenos, vender uma peça pode ser uma questão de sobrevivência. Os grandes, concentrados nas suas outras três coleções, não parecem muito preocupados e podem considerar (a cópia) um elogio”, conclui.

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