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Se dói, se assusta, não é amor: violência no namoro

Passam horas em casa a idealizar os amores perfeitos, o que dizer, o que fazer, mas num ápice tudo muda e o príncipe/princesa passa a um “monstro” temido.

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No início, as relações parecem perfeitas, intensas e bem ao “jeito” da adolescência: únicas e completamente cor de rosa, mas nem sempre terminam assim!  Mas o que deve ser uma relação saudável?

 

Uma relação saudável proporciona alegria, confiança, carinho, apoio, compreensão, satisfação e realização. Caracteriza-se por demonstrações de afeto e carinho, pela diversão, respeito, mas também pela independência das pessoas que dela fazem parte. Perante conflitos e desentendimentos, ouvem o outro, respeitam o seu ponto de vista e negoceiam a melhor solução. A violência aqui não tem lugar.

 

Há confiança, apoio e entreajuda, mas acima de tudo respeito. Ciúmes existem, mas são geridos e nunca usados como desculpa para magoar, humilhar ou maltratar o outro.
Insultar, gritar, agredir, proibir, humilhar, bater, ameaçar e perseguir aqui não têm lugar, estão muito distantes daquilo que é considerado amor, são comportamentos violentos que devem ser denunciados e punidos.

 

Não há proibições, seja de vestuário, seja de com quem se convive. Não há pressões, respeita-se a privacidade, não se controla o telemóvel, as contas de e-mail nem as redes sociais. Publicações nas redes sociais e de conteúdos que não prejudiquem ou difamem o outro são autorizadas.  Em suma, uma relação onde o outro te aceita como és, e te permite ser livre.

 

No entanto, todos estes comportamentos desadequados e impróprios em qualquer idade são tolerados, legitimados e até entendidos como demonstrações de amor e carinho por muitos adolescentes. Muitas vezes, como estão a viver as primeiras paixões, o “sonho tornado realidade”, querem a todo o custo manter o namoro e, não conseguindo controlar a panóplia de emoções que estão a sentir, acabam em vítima ou agressor. Muitos cresceram num ambiente familiar violento, limitam-se a reproduzir o padrão que conhecem. No entanto, a maioria não percebe a dimensão do problema, o impacto do que fizeram ou disseram, não têm consciência do seu papel de agressor ou vítima, negando efetivamente todos os acontecimentos e desculpando-os sob a chancela do “amor”.

 

Mas os números não enganam: segundo o estudo UMAR 2019, em 2018, a PSP recebeu 118 vítimas com menos de 18 anos, que se queixaram dos namorados (43) ou ex-namorados (75). O número de jovens, que namoram ou já namoraram, que diz ter sofrido pelo menos uma forma de violência por parte do companheiro ou ex-companheiro é de 58%. 67% dos jovens entendem as práticas violentas como naturais.

 

A violência nunca é uma forma de expressar amor por outra pessoa. Pode assustar, gerar vergonha, culpa, insegurança, tristeza, ansiedade ou até mesmo sentimentos contraditórios, como amor e ódio. É fundamental procurar ajuda, contar a um adulto em que o adolescente confie, de forma a que o possa apoiar e proteger.

 

O segredo é não esquecer que a violência nunca é aceitável.

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