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Saúde sexual para todas as pessoas

Promover a saúde sexual é integrar diferentes discursos sobre diferentes vivências da mesma. Como clientes, pacientes, cidadãos, a quem nos dizem que a ciência pode melhorar as nossas vidas, desejamos que a ciência possa responder às necessidades e aos direitos das pessoas.

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O vibrador surgiu no final do século XIX, em contexto médico, para tratar mulheres que sofriam de histeria. Acreditava-se que os orgasmos curavam os sintomas da doença. Mas o coito não era o melhor caminho para o prazer e a masturbação não era bem vista, assim, o tratamento realizava-se em contexto clínico através da massagem manual da vagina.  Mas como a massagem cansava os médicos, foi necessário criar uma máquina para tal. Esta permitiu não só maior eficiência na produção de orgasmos, mas também o confinamento a um médico especializado na máquina. A histeria parecia no fundo uma incompetência do coito e fruto da visão androcêntrica da sexualidade. O coito é útil para a reprodução, para a manutenção da família e para o prazer masculino. Os orgasmos femininos não eram assim tão importantes, o médico podia bem lidar com a emergências dos mesmos.

 

A introdução da máquina abriu o caminho para a criação dos vibradores e a sua democratização, o prazer poderia ser doméstico, individual e apenas da mulher. O prazer feminino não advém apenas de um pénis (ou de um homem com ele), o clítoris pode ser suficiente para o prazer (e existe para isso), assim a penetração não é necessariamente o centro do prazer feminino.

 

Freud considerava o coito uma forma mais madura de sexualidade, por isso, o sexo entre mulheres poderia significar imaturidade. O sexo/relações entre pessoas do mesmo sexo foi considerado uma doença mental. Havia para a homossexualidade tratamentos médicos e sociais para a mesma. Em 1974, a Associação Americana de Psiquiatria baniu a homossexualidade do Manual de Perturbações Mentais, deixando esta de ser uma doença.

 

Estes são alguns exemplos de como a vivência e os discursos da sexualidade foram mudando ao longo dos tempos. Como a sociedade, a ciência também muda o seu discurso acerca de si própria e dois seus objetos de estudo.

 

No dia 4 de setembro, a Associação Mundial de Saúde Sexual (WAS) celebrou o Dia Mundial da Saúde Sexual. Este ano, o tema da campanha foi “Amor, laços e intimidade para todas as pessoas”.

 

A WAS, que tem como presidente recém-eleito o Professor Pedro Nobre, da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, tem como objetivo promover a saúde sexual nas diferentes fases do ciclo de vida, quer apoiando e divulgando a investigação multidisciplinar em sexologia, quer defendendo os direitos sexuais para todas pessoas, em todo o mundo.

 

Promover a saúde sexual é integrar diferentes discursos da sexualidade (sociais, médicos, psicológicos, etc.) sobre diferentes vivências da mesma.  Como clientes, pacientes, cidadãos, a quem nos dizem que a ciência pode melhorar as nossas vidas, desejamos que a ciência possa responder às necessidades e aos direitos das pessoas.

 

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