Home»ATUALIDADE»ESPECIALISTAS»Sarampo e gravidez: perigos para a gestante e para o feto

Sarampo e gravidez: perigos para a gestante e para o feto

Não obstante as crianças sofrerem mais com o sarampo, os adultos também podem ser contagiados por este vírus e na gravidez esta doença pode ser particularmente grave, implicando riscos para a gestante e para o feto.

Pinterest Google+
PUB

O sarampo é uma doença vírica exantemática, altamente contagiosa, originada por um vírus da família dos Paramyxovírus, que acomete o homem e o outros primatas. Afeta sobretudo as crianças com menos de 5 anos de idade e no passado já foi uma das mais importantes causas de morte na primeira infância em todo o mundo.

 

O contágio entre os humanos faz-se através das gotículas de Pflugge ou perdigotos (partículas líquidas expelidas para o ar quando uma pessoa fala, tosse ou espirra), sendo portas de entrada possíveis o nariz, orofaringe e conjuntivas. O tipo de distribuição da doença varia com as características da população (idade, estrato socioeconómico, contato prévio com a doença, entre outros) e alterou-se significativamente com a introdução da vacina, no final dos anos cinquenta.

 

Não obstante as crianças sofrerem mais com o sarampo, os adultos também podem ser contagiados por este vírus e na gravidez esta doença pode ser particularmente grave, implicando riscos para a gestante e para o feto. Por esta razão, é fundamental que as grávidas, particularmente as que não foram vacinadas ou desconhecem se estão imunizadas, tomem todas as precauções para evitar o contágio.

 

VEJA TAMBÉM: INFEÇÕES FÚNGICAS NO FINAL DA GRAVIDEZ

 

O período de incubação da doença varia entre oito e catorze dias e os sintomas iniciais, que podem ser confundidos com uma gripe ou outra virose, são caracterizados por febre, tosse seca, corrimento nasal, conjuntivite e duram 1-2 dias. Podem também surgir dor de garganta, algias musculares e sensação de cansaço. Seguidamente, por volta do 4º dia da doença, aparecem as lesões cutâneas vermelhas (exantema maculopapular), que se evidenciam primeiro no rosto e se distribuem depois pelo corpo em direção aos pés, podendo também surgir lesões dolorosas na mucosa bucal e conjuntivite. As lesões na pele provocam prurido e permanecem no mínimo 3 dias. Uma pessoa infetada pode transmitir o vírus desde o início dos primeiros sintomas até 3-4 dias após o surgimento do exantema. O diagnóstico do sarampo é fundamentalmente clínico, podendo-se confundir com outras patologias que decorrem com febre e lesões cutâneas como: rubéola, escarlatina, toxidermias, infeções por Adenovírus, Echovírus e Coxsackievírus.

 

As complicações mais comuns do sarampo são as infeções bacterianas secundárias, particularmente a otite média e a pneumonia, esta última considerada como causa importante de mortalidade. Mais raramente (1/1000 casos) pode surgir a encefalite pós-sarampo que está associada a uma letalidade de 10%. Também pode ocorrer uma hepatite subclínica, que se traduz por uma elevação das transaminases hepáticas.

 

Devido à diminuição natural da imunidade durante a gravidez, as gestantes são mais suscetíveis a terem complicações e de estas poderem ser particularmente graves, sobretudo a pneumonia e o envolvimento do sistema nervoso central (encefalite). Mas o sarampo na gravidez apresenta ainda outros riscos como o aumento da possibilidade de aborto espontâneo, de parto prematuro e sarampo congénito, risco este que será maior se a grávida for infetada no primeiro trimestre de gestação, sendo muito baixas as probabilidades de ocorrerem malformações no feto.

 

VEJA TAMBÉM: QUER SER DOADORA DE ÓVULOS?

 

A prevenção do sarampo na grávida, assim como na população em geral, fundamenta-se em três princípios básicos: a vacinação das mulheres suscetíveis em idade fértil, o isolamento respiratório dos casos suspeitos e a imunização passiva após o contágio. A imunização passiva é realizada com a administração de imunoglobulina dentro de seis dias após o contágio, sempre o mais cedo possível e auxilia o organismo a combater a doença, não representando riscos para a grávida ou para o feto.

 

A vacina contra o sarampo é produzida a partir de vírus vivo atenuado e, por conseguinte, contraindicada a sua administração durante a gestação, visto que a mulher grávida apresenta fisiologicamente uma diminuição da sua imunidade. Assim a sua utilização deve ser adiada para depois do parto e pode ser dada logo após o mesmo, visto que não representa contraindicação ao aleitamento materno. Deve ser cumprido um período mínimo de 3 meses entre a administração da imunoglobulina e da vacina, uma vez que a imunoglobulina pode interferir com a resposta imunológica à vacina.

 

O recomendado é que a mulher que esteja a planear uma gravidez verifique se já recebeu as doses indicadas da vacina contra o sarampo (normalmente é dada em conjunto com a rubéola e papeira – vacina viral tríplice). Se não estiver imunizada, ela deve ser vacinada antes da gravidez, e como em qualquer vacina de vírus vivo atenuado, é recomendada a contraceção nos três meses seguintes após a sua aplicação. Mulheres que tiveram a doença na infância estão habitualmente imunizadas e não correm risco de contrair a doença novamente.

 

VEJA TAMBÉM: TOXOPLASMOSE E GRAVIDEZ: O QUE É E SINTOMAS

 

Ainda em relação à prevenção desta doença, como o vírus permanece vivo nas superfícies até duas horas, é importante que as grávidas tenham atenção especial com a higiene das mãos e manuseamento de objetos, tomando algumas medidas preventivas:

– Lavar com frequência as mãos (água e sabão ou álcool em gel a 70%);

– Evitar coçar os olhos e tocar com as mãos na boca e no nariz;

– Evitar o contato com pessoas com sarampo ou que tenham vindo de países que      registaram casos recentes da doença.

 

No caso duma grávida contrair sarampo, deve ser sempre acompanhada por um médico especialista em Obstetrícia, de modo a que ele pondere a forma mais eficaz de debelar os sintomas, sem afetar a evolução da gravidez e a saúde do feto. Assim no caso de haver febre e dores o medicamento recomendado é o paracetamol. Em algumas situações pode haver indicação para utilizar a imunoglobulina que contem anticorpos contra o vírus do sarampo e pode ajudar a combater a doença e, como já se disse anteriormente, não representa riscos para o feto e para a gestante. Também é possível reduzir a febre e outros sintomas sem o recurso a medicação, tomando algumas medidas básicas:

– Manter uma boa hidratação;

– Estar em repouso;

– Evitar excesso de roupas e locais muito aquecidos;

– Tomar banho com água morna ou fria.

 

 

Artigo anterior

Riviera Francesa mantém tendência de casas de luxo a custar centenas de milhões de euros

Próximo artigo

Reaproveite as sobras das festas com receitas de chefs portugueses