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Sabores e emoções explicados pela medicina ayurvédica

Para manter o equilíbrio apropriado da química do corpo é importante estarmos conscientes da atividade dos elementos dentro do nosso organismo. Com este conhecimento podemos orquestrar o ritmo do corpo e da mente, acrescentando ou subtraindo elementos da dieta conforme o necessário.

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Tudo o que provamos, tudo o que toca o nosso paladar produz uma emoção. O paladar é a base para o entendimento da ação de todas as substâncias. Desde tenra infância que exercitamos o paladar, colocando-lhe disponível o sabor de diversas texturas e substâncias para catalogarmos a nossa experiência, e criarmos referências sobre as sensações e reações que nos trazem equilíbrio, e as que nos são nocivas.

 

A estrutura grosseira do corpo material é construída por sete tecidos, que no Ayurveda são chamados de Dhatus (tecidos do corpo) e são formados a partir dos alimentos que ingerimos. Cada dhatu contém em si uma energia chamada Agni (a energia vital de fogo transformadora), que ajuda a transformar no próximo dhatu. Quando o alimento ingerido está de acordo com a natureza da pessoa, e esta por sua vez mantém todas as disciplinas de educação alimentar, todos os dhatus (tecidos) irão beneficiar e estarão em perfeita harmonia nas suas várias etapas. De todos os dhatus, Shukra (o último tecido a ser construído) contém todos os dhatus dentro dele, por isso, quando há perda excessiva deste dhatu, produz-se um abalo em todos os outros, enfraquecendo o corpo. Quando o Shukra é formado por uma boa alimentação, o Agni transforma a energia de calor em luz, e desta forma, a parte elétrica do corpo também chamada de duplo etérico, produz um brilho conhecido como aura (Ajha).

 

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Como a matéria é denominada após o nome do elemento natural predominante que entra na sua composição, afirma-se que o sabor é um princípio originado pela Água. Este sabor modifica-se através do seu contacto com os demais elementos materiais, e pode ser dividido em seis tipos diferentes, tais como doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente. Estes, por sua vez, combinam-se uns com os outros e dão origem a sessenta e três tipos diferentes de rasa. Um sabor doce é dotado de abundantes atributos que pertencem especificamente aos princípios materiais da Terra e da Água. Um sabor ácido é predominantemente composto por atributos pertencentes aos princípios materiais da Terra e do Fogo.

 

Os sabores são também apreciados pela sua característica térmica, Virya, quente ou frio. Dentre estes sabores, o doce, o amargo e o adstringente são frios nas suas propriedades, enquanto o sabor picante, o ácido e o salgado exercem virtudes que geram calor ou são inflamáveis. Os sabores doce, ácido e salgado são pesados e emolientes no caráter, enquanto o picante, o adstringente e o amargo são secos e leves.

 

Para manter o equilíbrio apropriado da química do corpo é importante estarmos conscientes da atividade dos elementos dentro do nosso organismo. Com este conhecimento podemos então orquestrar o ritmo do corpo e da mente, acrescentando ou subtraindo elementos da dieta conforme o necessário.

 

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Os alimentos ao entrarem no nosso organismo, por meio da boca são descodificados pelo sistema nervoso primeiramente pela impressão do sabor produzido, levando a reacções de produção de enzimas digestivas, hormonas e outras substâncias, baseadas nessa percepção. Os sabores revelam o intricado e dinâmico potencial terapêutico das energias contidas nas substâncias, sobretudo no que concerne a efectivamente intensificar, reduzir ou equilibrar os três humores. Nos textos Ayurvédicos é afirmado que os vários sabores afectam a acção do Prana, da força de vital no corpo; afirmam também que o sabor de uma erva não é um incidente, mas antes a indicação das suas propriedades terapêuticas.

 

A sensação particular do paladar, sentido na língua é chamada de Rasa. A palavra Rasa é bastante rica em significados estando todos eles intrinsecamente ligados com a Ayurveda. De entre esses significados encontramos: a essência; a seiva; o suco alimentar; o fluido vital; o elixir. Rasa reflecte também o aspecto vivificador do paladar na fisiologia humana. Rasa, os sabores, oferecem a chave para auto-regulação por meio da dieta, sendo sistematicamente aplicados para modificar situações anormais do organismo. Os textos Ayurvédicos recomendam, por isso, a ingestão dos seis sabores a cada refeição, pois desta forma nutrem-se de facto, todas as necessidades do organismo. A falta de um ou mais sabores da dieta diária pode conduzir a variados desequilíbrios e à subnutrição.

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