Home»S-Vida»Rotinas de saúde que fazem a diferença

Rotinas de saúde que fazem a diferença

Ouvimos falar em COVID-19 desde o início de 2020, um assunto inevitável mas que não pode ser exclusivo quando se fala em saúde. Existem outras doenças para além desta que merecem a nossa atenção e que precisam de ser controladas. Hoje assinala-se o Dia Mundial da Saúde.

Pinterest Google+
PUB

O que pode fazer a diferença na minha saúde?

As rotinas de vigilância e prevenção são a melhor forma de se manter saudável e constituem-se como fundamentais para detetar problemas de saúde o mais precocemente possível e assim evitar complicações. Não é por acaso que se recomenda a realização de uma consulta com regularidade.

 

Saiba quando deve procurar o seu médico:

  • A pessoa que não tem qualquer doença deve estar atenta às vigilâncias recomendadas. Existem algumas bem definidas e com idades-chave para a sua realização. O cancro da mama, a partir dos 50 anos, deve ser rastreado através de mamografia eventualmente complementada por ecografia; o cancro do colo do útero, a partir dos 25 anos, através de citologia cervico-vaginal e o cancro do cólon e reto, a partir dos 50 anos, através de pesquisa de sangue oculto nas fezes ou colonoscopia. Individualmente, as idades recomendadas podem ser ajustadas e pode existir indicação para outras vigilâncias periódicas a definir em articulação com o médico assistente. Identificar e tratar precocemente essas doenças tem interferência no prognóstico e na qualidade de vida.

 

  • Os doentes crónicos devem fazer uma revisão periódica da sua condição. É em conjunto com o seu médico assistente que se controlam sintomas, definem os exames complementares de diagnóstico e a sua periodicidade. Daqui necessariamente resulta a validação do plano terapêutico em curso ou um eventual ajuste que pretende minimizar complicações. O acompanhamento médico regular destes doentes é de extrema importância de forma a manter a doença controlada e evitar descompensações.

 

  • Para aqueles que se apercebem de algum sintoma ou alteração, o diagnóstico e tratamento precoces são mandatários, sendo que o contacto com um profissional de saúde é a via indicada. A título de exemplo, podemos estar a falar de um cansaço de novo, uma oscilação de peso corporal, uma dificuldade em fazer a digestão, uma dor de cabeça.

 

É seguro realizar exames em tempo de pandemia?

Sim. Mesmo em fase de pandemia é seguro deslocar-se ao hospital seja para realizar uma consulta, exame ou tratamento. As unidades de saúde seguem protocolos e circuitos para garantir segurança dos doentes e profissionais de saúde, pelo que o receio de insegurança não deve adiar a deslocação aos hospitais. Lembre-se que adiar a procura de resposta clínica pode trazer complicações para a sua saúde.

 

Não esquecer…

A abordagem quase monotemática da pandemia deixa de lado aspetos com um impacto potencialmente superior na mortalidade e na qualidade de vida da população em geral. Recorrendo a dados disponibilizados pela Direção-Geral da Saúde, das cerca de 1800 mortes adicionais comparativamente ao período homólogo de 2019, apenas 159 mortes foram atribuídas à COVID-19 (menos de 1% do total). Serão vários os motivos para estes números mas existirá certamente relação com a doença crónica e a doença oncológica.

 

Apesar de não o podermos medir no momento, é possível que paralelamente ao maior foco na COVID 19 tenham surgido novas comorbilidades e agudizações das doenças crónicas. É preciso contrariar esta realidade e adotar medidas preventivas para que não se adiem diagnósticos que, realizados numa fase inicial da doença, podem fazer toda a diferença. Sem alarmismo mas com a responsabilidade e a consciência dos riscos, devemos definir o plano adequado para gerir a saúde nos meses que se avizinham.

 

Por Nuno Capela

Especialista em Medicina Geral e Familiar do Hospital CUF Porto

 

Artigo anterior

Cabelos brancos são sinónimo de charme?

Próximo artigo

Iniciativa europeia quer proibir comércio de barbatanas de tubarão