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Quais os riscos da terapêutica hormonal de substituição?

Sabe-se que a genética e a exposição aos estrogénios são condições importantes para o desenvolvimento do cancro da mama, mas não está ainda clarificado se os estrogénios têm uma função precursora ou simplesmente promotora.

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A utilização isolada de estrogénios, conforme a dose e a duração da terapêutica, provoca hiperplasia do endométrio. Se o uso de estrogénios, em mulheres com útero, não for compensado pela administração de progestativos pode levar ao aparecimento de atipias no tecido endometrial e também de carcinoma do endométrio (cancro do útero).

 

O risco é incrementado com a duração do tratamento e quanto maior for a dose utilizada. Contudo se for associado um progestativo na quantidade e tempo adequados a incidência de hiperplasia do endométrio é praticamente inexistente e o risco de cancro uterino é igual ao das mulheres que não fizeram terapêutica hormonal.

 

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Assim um princípio básico da Terapêutica Hormonal de Substituição (THS) é que na mulher com útero é primordial associar ao estrogénio um progestativo ou utilizar uma substância terapêutica sem atividade proliferativa no endométrio (Ex.: Tibolona), isto é, na mulher com útero tem que haver sempre uma proteção apropriada do endométrio.

 

Em relação ao cancro da mama, sabe-se que a genética e a exposição aos estrogénios são condições importantes para o seu desenvolvimento, mas não está ainda clarificado se os estrogénios têm uma função precursora ou simplesmente promotora do cancro da mama. Os vários estudos existentes chegaram a conclusões díspares e a dificuldade em se obterem resultados definitivos está relacionado com o facto de este tipo de cancro ter um período de latência grande, entre os 10 a 20 anos.

 

Contudo, alguns estudos mais recentes apontam para um aumento do risco relativo do cancro de mama quando a terapêutica se prolonga por mais de 10 anos e em mulheres com mais de 60 anos, verificando-se que a associação com a progesterona não altera este risco. Porém, a maioria dos investigadores nesta área concorda que a mortalidade por carcinoma da mama não aumenta nas mulheres sob tratamento hormonal.

Em todo o caso, a segurança é primordial e todas as pacientes que vão realizar THS devem ser sujeitas, antes e durante a terapêutica, a um exame mamário meticuloso, incluindo mamografia.

 

Em relação a outras neoplasias (ginecológicas e outras), os estudos publicados até hoje demonstram que não existe qualquer associação (negativa ou positiva) entre a terapêutica hormonal e a ocorrência ou mortalidade de cancros da vagina, vulva, ovário, colo do útero, pâncreas, fígado/ vesícula biliar e melanoma. Pelo contrário, a THS parece levar a uma diminuição do cancro do cólon e reto.

 

Vários trabalhos científicos comprovaram que a THS aumenta o risco de tromboembolismo pulmonar e de trombose venosa profunda, sendo esse aumento semelhante com estrogénios dados isoladamente ou em associação com progestativos. O risco é maior no primeiro ano de tratamento e tem tendência a diminuir após dois anos de terapêutica.

 

Em relação ao aumento de peso que muitas mulheres referem ocorrer com a menopausa, vários estudos prospetivos e de larga escala comprovaram que a THS não causa aumento de peso.

 

Outro risco potencial que foi referido como associado à terapêutica hormonal é a hipertensão arterial, todavia vários ensaios científicos mostraram que a tensão arterial não de altera substancialmente com a THS na menopausa.

 

A terapêutica com estrogénios está correlacionada com o aumento do risco de litíase (cálculos) biliar em 1,5 a 2 vezes. Contudo este tipo de medicamentos aplicados por via transdérmica/ percutânea parece não ter esse efeito. Outros estudos demonstraram também que a THS (sobretudo a estroprogestativa combinada) pode agravar as enxaquecas.

 

Em conclusão, avaliando globalmente o impacto da THS em relação à qualidade e esperança de vida da mulher, poderemos dizer que:

– O efeito da terapêutica hormonal, cumprindo sempre as contraindicações, sobre a esperança e qualidade de vida é consideravelmente vantajosa na maioria das mulheres.

 

– Mesmo podendo ter uma repercussão desfavorável sobre o cancro da mama, ela é contrabalançada pela diminuição da mortalidade da doença cardiovascular e das fraturas osteoporóticas (exceção feita às mulheres com risco elevado de cancro da mama ou de tromboembolismo e que tenham um risco insignificante de doença cardiovascular).

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