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Resíduos de sardinha têm aplicação na cosmética e biomedicina

Desperdícios correspondem a mais de 50 por cento do peixe processado

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Os resíduos de sardinha resultantes da indústria das conservas de peixe podem originar produtos nas áreas da cosmética, biomédica, alimentar e ambiental, revela uma investigação da Escola Superior de Biotecnologia da Católica Porto no âmbito do projeto “Valor Peixe”. Trata-se de um estudo que revela como valorizar os subprodutos e águas residuais da indústria de conservas de peixe – maioritariamente conservas de sardinha –, tendo em conta que esta indústria produz desperdícios que correspondem a mais de 50 por cento do peixe processado.

Com a investigação, a ESB explorou o potencial das escamas e das espinhas de sardinha e conseguiu extrair destes subprodutos constituintes de elevado valor, como hidroxiapatite, colagénio ou gelatina. Os resultados obtidos revelam que a hidroxiapatite pode ser utilizada a nível biomédico – por exemplo na produção de implantes ósseos e próteses dentárias – ou a nível ambiental, no tratamento de águas residuais. Já a gelatina e o colagénio possuem aplicação na área cosmética e alimentar.

A investigação revela, ainda, a possibilidade de aplicação das proteínas de elevado valor nutricional e de péptidos com valor diferenciado, que serão incorporados em novos produtos alimentares, em particular da indústria de peixe. Nesse sentido, foi gerado um novo produto protótipo, um paté de sardinha, que integra as propriedades funcionais das proteínas e gelatina com potencial nutricional e biológico, mas e com um teor de gordura reduzido. O projeto explorou, igualmente, o potencial de óleos e gorduras de peixe, definindo um processo de produção de biodiesel a partir destes resíduos, e avaliou a qualidade e o desempenho deste biocombustível, investigação realizada pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Ainda pela FEUP, foi avaliada a possibilidade de reciclagem da água, consumida em grandes quantidades neste tipo de indústria.

O projeto “Valor Peixe” visa, igualmente, a análise e reflexão sobre a importância crescente da reutilização destes resíduos na fileira do pescado, enquanto estratégia económica das empresas. Refira-se que este projeto, liderado pela fábrica de conservas ”A Poveira”, inclui a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, também como co-promotor. A investigação contou, ainda, com o apoio da Associação Nacional dos Industriais das Conservas de Peixe (ANICP), da PortugalFoods e da Oceanus XXI – Associação para o Conhecimento e Economia do Mar.

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