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Reprodução medicamente assistida: a vigilância das crianças

As técnicas de procriação medicamente assistida são responsáveis pelo nascimento de 1% a 2% das crianças no mundo desenvolvido. (Parte 2).

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Injeção intracitoplasmática de espermatozoide

A técnica ICSI é geralmente usada quando existem problemas significativos de fertilidade masculina, que podem, por si só, ter origens genéticas. Assim, não é surpreendente que as anomalias cromossómicas estruturais sejam transmitidas de pai para filho. O processo ICSI acrescenta uma dimensão adicional, uma vez que os espermatozoides individuais são selecionados pelo embriologista em critérios morfológicos, ignorando assim o processo de seleção natural, que ocorre tanto com conceção espontânea como na FIV padrão. A técnica ICSI pode resultar em danos no ovócito e também na introdução, de uma pequena quantidade de meio de cultura, no interior do ovócito quando se executa a microinjeção do espermatozoide.

 

A unidade em Bruxelas, que desenvolveu a ICSI, manteve um acompanhamento abrangente das crianças e coordenou uma base de dados europeia. A incidência de grandes malformações na população em geral é de 1 a 4%. A pesquisa de Bruxelas revelou uma incidência de grandes malformações de 3,4% (96/2840 crianças nascidas vivas) – 3,1% em gestações com um único feto e 3,7% em gravidezes múltiplas. Quando todas as gestações chegadas ao fim foram incluídas neste estudo, a taxa geral de malformações major foi de 4,2%. Pode haver uma taxa ligeiramente aumentada de hipospadias em bebés do sexo masculino, o que pode estar relacionado com os problemas do fator masculino subjacente.

 

No que diz respeito ao desenvolvimento a longo prazo de crianças nascidas após FIV, os dados são em grande parte reconfortantes, tanto com a série belga como com uma série de casos de controlo de crianças nascidas de gestações unifetais no Reino Unido que indicaram não haver diferenças significativas entre as populações normais ou obtidas por FIV.

 

Um outro estudo publicado na Austrália, no entanto, mostrou um atraso no desenvolvimento da memória, e a existência de problemas de linguagem, particularmente em crianças do sexo masculino. Contudo estudos mais recentes não demonstraram preocupações significativas. De um modo geral, os dados são tranquilizadores, mas a vigilância dos resultados a longo prazo é fundamental.

 

Distúrbios de impressão

A impressão genómica é um processo epigenético no qual a expressão de genes alelos específicos depende da herança dos pais. Apenas uma minoria dos genes são impressos e alguns transtornos de impressão raros foram descritos, e foram devidos a alterações de expressão ou mutações em genes impressos que são necessários para o crescimento e desenvolvimento normais (em particular neuro-desenvolvimento). Houve relatos de um aumento da síndrome de Beckwith-Widemann (BWS) e síndrome de Angelman (AS), em crianças obtidas por FIV ou ICSI. Assim um estudo publicado revelou a existência de aproximadamente 4% de casos de BWS numa série em crianças que foram concebidas por FIV/ ICSI em comparação com 1,2% da população em geral. Porém um estudo científico publicado mais recentemente, que analisou este tema das crianças nascidas após tratamentos de procriação medicamente assistida, foi mais tranquilizador, indicando que o risco absoluto em crianças concebidas por estas técnicas é pequeno (<1%).

 

Gâmetas ou embriões criopreservados

Não há evidências de que a criopreservação de gâmetas ou embriões tenha um efeito prejudicial sobre o desenvolvimento fetal ou infantil subsequente. Além disso, verificou-se que o risco de parto prematuro é menor com embriões criopreservados do que embriões frescos.

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