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Relação afetiva e pedagógica à distância: qual o impacto no percurso escolar?

O facto de os alunos não terem a presença física do professor pode fazer com que se desconcentrem e desmotivem mais facilmente. Isto já pode acontecer no dia a dia, mesmo com a escola no seu contexto ‘normal’, quanto mais com aulas virtuais.

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Distância, vocábulo que reitera neste período, ao qual já estamos habituados ou ainda nos vamos habituando, mas com o qual temos de conviver. E que impacto poderá ter esta distância no quotidiano e percurso escolar dos alunos?

 

No momento que atravessamos é importante continuar a estabelecer uma relação afetiva e pedagógica com os nossos alunos. Todos nós sabemos, e já vivenciámos, que quando estamos motivados tudo flui com maior naturalidade. Mesmo uma tarefa que não seja assim tão fascinante, ou até mesmo enfadonha, com motivação torna-se mais aliciante.

 

Numa era em que o foco dos alunos dispersa muito facilmente no que concerne à escola é de extrema importância cativá-los, e com as aulas virtuais ainda mais. O facto de os alunos não terem a presença física do professor pode fazer com que se desconcentrem e desmotivem mais facilmente. Isto já pode acontecer no dia a dia, mesmo com a escola no seu contexto ‘normal’, quanto mais com aulas virtuais. Como o professor é o organizador da aprendizagem e o estimulador do processo cognitivo e sócio afetivo do aluno, deve considerar as motivações e necessidades sentidas por ele.

 

A teoria de Maslow é uma das mais importantes teorias da motivação, defendendo que as necessidades dos seres humanos obedecem a uma hierarquia, a uma escala de valores. No momento em que o indivíduo realiza uma necessidade, surge outra, exigindo que as pessoas procurem meios para satisfazê-la. Cabe a nós professores motivar os nossos alunos e fazer com que eles caminhem ao nosso lado, seguindo o trilho da aprendizagem.

 

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Muitos alunos adaptaram-se bem a esta realidade, estão interessados, mas devemos ter sensibilidade para perceber se realmente estão motivados ou se estão influenciados pelo fator novidade. Todos sabemos que o que é novidade pode ser muito motivante, mas a curto ou médio prazo os alunos podem perder esta motivação. Como tal, para manter os alunos cativados é muito importante recorrer ao reforço positivo.

 

Segundo Skinner, o condicionamento operante considera que as consequências de um comportamento podem influenciar a probabilidade de este ocorrer novamente. No entanto, também temos de analisar outra a realidade, a dos alunos que não têm acesso a equipamentos tecnológicos e internet. Para estes alunos surge uma belíssima solução, a Telescola. Contudo, através desta forma de ensino, estes alunos são elementos passivos no processo de aprendizagem, uma vez que assistem através da televisão ao debitar de conteúdos. Com a Telescola toda a essência da interação professor-aluno é quebrada.

 

Professores, vamos dar o nosso melhor, em prol do bem-estar dos nossos alunos. Não nos podemos esquecer que a educação é um dos pilares de um país. Os quatro pilares fundamentais da educação são: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. Estas quatro vias do saber, na verdade, apenas constituem uma. Vamos ser elementos ativos na construção deste processo, por parte dos nossos alunos.

 

Lanço-vos uma questão, é possível continuar a estabelecer uma relação afetiva e pedagógica à distância? Sim, é possível!

 

Por Hugo Gouveia

Professor do 1.º Ciclo do Ensino Básico

 

 

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