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Regresso às aulas: como preservar a saúde mental das crianças em tempo de pandemia

Psicóloga clínica aconselha pais e filhos para um regresso escolar dentro da normalidade possível.

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Um novo ano letivo significa novos desafios e novas aventuras, mas neste ano os desafios são ainda maiores. A reabertura das escolas, ainda sob o efeito da pandemia da COVID-19, tem sido uma das principais preocupações de todos os pais e educadores, que reconhecem o impacto que o recente período de confinamento teve nas crianças e nos jovens, nomeadamente em termos de saúde mental, das aprendizagens, da socialização com os pares, da redução das atividades desportivas ou da privação de festas finais de cursos e viagens de finalistas.

 

Segundo Marta Assis Loureiro, psicóloga clínica presente na plataforma de marcação de consultas Doctorino, «vamos todos retomar as nossas rotinas, quer profissionais como escolares, só que desta vez o recomeço das aulas junta a animação de rever os colegas e amigos ao desconforto da necessidade de práticas de proteção individual e coletiva, fatores que acarretam ansiedade e que podem levar a sentir este regresso como uma inquietação».

 

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Na semana em que milhares de alunos regressam às aulas, a especialista dá assim sete dicas para que o regresso seja mais positivo e tranquilo:

 

1. Antecedência é previdência
Para iniciar um novo ciclo escolar, é muito importante organizar tudo com a devida antecedência: assegurar o material escolar necessário, informar-se sobre datas da apresentação, atividades extracurriculares e respetivos horários. Organização também é envolvimento, por isso é preciso envolver as crianças nestas atividades e atribuir-lhes responsabilidades partilhadas;

 

2. Retomar e manter as rotinas, dentro do possível
Preparar as crianças no que diz respeito às horas de dormir e às horas das refeições, promovendo o uso responsável do despertador. Mesmo que haja a necessidade de haver aulas online/telescola, é importante manter esta rotina diária, para não se perder nem o ritmo nem a motivação. Também a necessidade diária do uso de máscara e a higienização das mãos com regularidade fazem parte da rotina, pelo que a manutenção destas boas práticas deve ser considerada no regresso às aulas;

 

3. O tempo e as emoções
Assim que as aulas se iniciam, também recomeçam os “malabarismos” da conciliação de horários para tantas tarefas. A falta de tempo é geradora de stress e está associada a uma série de consequências prejudiciais para a nossa saúde, incluindo ansiedade, depressão, alterações gastrointestinais, etc. Ainda que os dias sejam bem preenchidos, é preciso garantir que sobra tempo às crianças para descansar e brincar;

 

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4. Comuniquem, muito!
É importante construir a confiança e ir conhecendo os pontos fortes e as vulnerabilidades de cada dia das crianças, através de perguntas, como, por exemplo: “O que gostaste mais/menos de fazer hoje na escola e porquê?” ou “Se pudesses escolher, o que terias mudado no dia de hoje?”. É igualmente importante falar sobre o coronavírus e esclarecer as crianças sobre como nos devemos e podemos manter protegidos, disponibilizando-se para ouvir as suas preocupações ou para ajudar quando não se sentem bem;

 

5. Mantenham-se corretamente informados e respeitem as orientações de saúde
É preciso garantir que as crianças sabem que podem continuar a brincar e a conviver, apesar de se exigirem outros cuidados. É fundamental respeitar as orientações de saúde, mas também ter em atenção as fake news, reduzir a exposição às redes sociais e limitar o acesso às notícias, pois o excesso de exposição às constantes atualizações contribui para uma sensação de insegurança. Se estas informações já são difíceis de regular para os adultos, vamos poupá-las às crianças;

 

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6. Estamos todos nesta aventura
Os pais estão mais bem preparados para ajudarem os seus filhos se estiverem em perfeito equilíbrio na gestão das suas próprias emoções. Esteja atento aos sinais de mau estar emocional – é natural que quer os pais como os filhos possam, por vezes, sentirem-se frustrados, irritados ou com dificuldades em se adaptar a tantas mudanças e exigências. Se se verificarem sinais contínuos de mal-estar, alterações de humor, ansiedade ou tristeza, é preciso procurar apoio psicológico;

 

7. Tudo vai correr bem!
É difícil viver na incerteza, mas podemos refletir sobre as nossas escolhas e mudarmos o que está ao nosso alcance, para que o tempo seja vivido de modo mais tranquilo e feliz, permitindo que o mesmo aconteça na vida das crianças. Tudo isto é uma novidade na nossa realidade, mas vai passar. Lembre-se que esta fase é transitória e que o stress e a ansiedade que estamos a vivenciar neste período são naturais e próprios desta “experiência coletiva global”, atenuando-se com o tempo.

 

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