Home»BEM-ESTAR»SAÚDE»Redução drástica na mortalidade cardiovascular demonstrada com fármaco anti-diabético

Redução drástica na mortalidade cardiovascular demonstrada com fármaco anti-diabético

José Silva Nunes, especialista em bioquímica nutricional, diabetologia e nutrição no Cen-tro Hospitalar de Lisboa Central, explica as vantagens de um novo medicamento na re-dução de problemas cardiovasculares em diabéticos.

Pinterest Google+
PUB

Portugal apresenta uma das mais altas taxas de prevalência a nível da Europa. Segundo o Observatório Nacional da Diabetes, estima-se que 13,1% da população portuguesa, na faixa etária entre os 20 e os 79 anos, tenha diabetes (cerca de 1 milhão de portugueses).

 

Dentre a população com esta doença, mais de 90% tem diabetes tipo 2. Neste subtipo da doença, concorrem um conjunto variado de fatores de desenvolvimento da doença.

Além do fator hereditariedade, o excesso de peso (e as consequências endócrinas e metabólicas do mesmo) constitui o principal fator de risco para desenvolver a diabetes tipo 2.

 

Durante os primeiros anos, a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 consegue-se controlar com recurso a terapêuticas que não a insulina (medidas gerais de intervenção sobre o estilo de vida, nomeadamente correção de eventuais erros alimentares e implementação de uma atividade física mantida, agentes antidiabéticos orais e agentes injetáveis não insulínicos). Pelo contrário, na diabetes tipo 1, doença autoimune em que ocorre destruição das células pancreáticas produtoras de insulina, a terapêutica com esta hormona constitui a única forma de tratamento.

 

As pessoas com diabetes tipo 1 ou 2, dependendo do grau de controlo glicémico atingido ao longo da vida, podem desenvolver complicações a nível renal, oftalmológico, neurológico e vascular. A diabetes constitui a principal causa de perda de visão e de desenvolvimento de insuficiência renal crónica (com necessidade de entrada em programa de diálise) e, após os acidentes traumáticos, constitui a principal causa de amputação dos membros inferiores.

 

Estima-se que a presença de diabetes encurte a esperança média de vida em 7 anos. O enfarte do miocárdio constitui a principal causa de morte nas pessoas com diabetes tipo 2 e estas têm um risco 4-5 vezes superior (face à população sem diabetes) de sofrer um enfarte agudo do miocárdio.

 

A evidência da marcada redução da mortalidade cardiovascular em doentes com diabetes tipo 2 e marcado risco cardiovascular, com o estudo LEADER, poderá ter implicações nas futuras linhas de orientação para o tratamento daqueles doentes. Reduzindo os números da principal causa de morte entre a população com diabetes, conseguir-se-ia aumentar a esperança de vida daqueles doentes. Adicionalmente, sendo um fármaco antidiabético e que promove a perda de peso, o tratamento com liraglutido facilitaria o controlo glicémico ao mesmo tempo que ajudaria na perda ponderal das pessoas com diabetes tipo 2, reduzindo o risco de complicações tardias da doença.

 

Poderemos estar perante uma nova era de tratamento da diabetes tipo 2, com evidência de efeitos positivos sobre a redução da mortalidade na população atingida por aquela doença e com consequentes implicações económicas positivas.

 

 

Por José Silva Nunes

Centro Hospitalar de Lisboa Central

Artigo anterior

Centro de reabilitação fundado em honra de Amy Winehouse

Próximo artigo

Um guia para os futuros papás