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Recuperar do luto de um filho

A perda de um filho parece ser um trauma impossível de ultrapassar. Falamos com a psicóloga Catarina Lucas sobre o processo de luto e o regresso à vida depois da aceitação.

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Algum tempo depois da morte do seu filho John F. Kennedy, Rose Kennedy escreveu: «Diz-se que o tempo cura todas as feridas. Eu não concordo. As feridas ficam. Com o tempo, a fim de proteger a sua sanidade, a mente cobre as feridas e a dor diminui, mas nunca desaparece.» Católica convicta, a mãe do então presidente dos Estados Unidos chegou a questionar Deus, até ao ponto em que aceitou a morte do filho como uma decisão divina.

 

A matriarca da família Kennedy ultrapassou este acontecimento traumático apoiando-se na sua fé. Outros pais procuram conforto na família, nos amigos, nas recordações e na esperança de um dia todas as perguntas terem uma resposta e a dor amenizar. Este processo de luto, como explica a psicóloga Catarina Lucas, varia em função das circunstâncias da perda. Uma morte já antecipada, como por exemplo no caso de uma doença prolongada, acaba por ser menos difícil de aceitar do que uma morte inesperada, pois «não existe despedida nem uma preparação interna para a partida de uma pessoa tão importante.»

 

Leia ainda: «O luto costuma ser um processo individual de superação da dor»

 

Da sua experiência profissional, Catarina Lucas aponta que ultrapassar a morte de um filho é um dos lutos mais difíceis de fazer, agravado pela ideia inata de que “nenhum filho deveria partir antes dos pais”. Por esta razão, não raras vezes este torna-se um luto patológico, pela incapacidade de aceitar a perda: «O processo de luto tem cinco fases (negação, revolta, negociação, depressão e aceitação). É frequente no caso de morte de um filho os pais não conseguirem terminar o processo de luto (aceitação) e ficarem “presos” numa destas fases, normalmente na revolta ou na depressão. Falamos nestes casos em luto patológico», explica a especialista.

 

Nalguns casos mais graves, a perda pode nunca ser ultrapassada: «É suposto aprender a viver e seguir em frente apesar da dor. Esta perda é efetivamente muito difícil de ultrapassar, podendo mesmo nunca acontecer. Na realidade, a pessoa aceita que precisa seguir em frente, apesar da sua perda. Talvez isto seja ultrapassar, aprender a viver mesmo com essa dor presente todos os dias.»

 

Mesmo que não exista um prazo definido para realizar o luto, e considerando que este tipo de perda habitualmente exige um luto mais demorado, se passados vários meses ou anos os pais sentem a mesma dor é preciso entender isto como um sinal de alarme. Mas há outros, que Catarina Lucas enumera: «Quando se revive a dor como se tudo tivesse ocorrido ontem e não se consegue aceitar a perda, é outro sinal de alarme. O não conseguir retomar a sua vida, o isolamento, a desesperança (falta de esperança no futuro), a apatia ou a falta de interesse por tudo o que os rodeiam são igualmente aspetos que nos devem alertar.»

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