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Recomeçar. Como as marcas podem capitalizar com as resoluções de ano novo

As marcas já perceberam, há muito, que janeiro é o mês perfeito para aproveitar o conceito de “começar de novo” e o impulso muito humano de autoaperfeiçoamento que transforma esta época numa excelente oportunidade para capitalizar vendas.

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Neste que é o primeiro texto de 2021 não posso deixar de vos desejar um Feliz Ano Novo. Que 2021 seja um ano memorável, pelas melhores razões. Quanto a vocês não sei, mas eu, desde há uns anos, deixei de fazer os tradicionais 12 desejos de ano novo. Sou da equipa ‘todas as passas de uma só vez e um só desejo’: muita saúde para todos os que amo. Acredito que tendo saúde o resto vem e, por isso, não precisamos de mais.

 

Entre os desejos que temos a cada recomeço e as resoluções de ano novo, vai uma diferença. Certamente que todos vocês têm aquele amigo, ou conhecido, que já comunicou ao mundo que voltou ao ginásio, que vai deixar o álcool para outras festividades, que vai parar de fumar, que já está a dar uso ao novo gadget que o Pai Natal trouxe e a contar todas as calorias gastas naquela corrida e, certamente, a publicar fotos de saladas em vez de rabanadas. Certo?

 

Certo também é que, provavelmente sem darem conta, nestes primeiros dias de janeiro viram a vossa caixa de email e o feed das redes sociais bombardeados de propostas que prometem ajudar a cumprir com as intenções estabelecidas para este novo ano e, para a maioria de nós, essas intenções passam por melhorar a saúde, o corpo e a mente, ou seja, obter o melhor de nós nos 365 dias que temos pela frente (“New Year, new me” como prometeu em tempos a Amazon).

 

As marcas já perceberam, há muito, que janeiro é o mês perfeito para aproveitar o conceito de “começar de novo” e o impulso muito humano de autoaperfeiçoamento que transforma esta época numa excelente oportunidade para capitalizar vendas. Para além da predisposição do consumidor para procurar alternativas de consumo, a verdade é que esta é também uma época atraente para anunciar pois existe pouca concorrência (é um dois em um 😉).

 

A beleza deste conceito, para as marcas, é que pode ser aplicado a qualquer marca, produto ou serviço, senão vejamos os seguintes exemplos:

– Suponhamos que somos um fabricante de automóveis. Seríamos tentados a pensar que nada temos a ver com os estilos de vida que o consumidor quer melhorar nas suas resoluções de ano novo, mas a verdade é que se trata apenas de uma questão de enquadramento: “Em 2021 vou ser uma pessoa melhor e vou conduzir um elétrico”;

– Para uma instituição bancária poderia ser: “Em 2021 vou ser uma melhor mãe e vou abrir uma conta poupança para a universidade das crianças”;

– Uma marca de comida orgânica: “Serei uma pessoa mais saudável neste novo ano”.

– Uma marca de leitor de livros digitais: “Vou comprar um ‘Kindle’ e melhorar os meus hábitos de leitura”.

 

A versatilidade do conceito é imensa. Existe quase sempre uma maneira de tornar o nosso produto ou serviço apelativo para os consumidores que anseiam por se tornarem uma melhor pessoa no ano que começa.

 

Como curiosidade, vejamos as principais resoluções de Ano Novo dos norte-americanos para 2021 (dados da “Statista”): Fazer mais exercício (44%); Comer de forma mais saudável (42%); Passar mais tempo com familiares/ amigos (34%)*; Perder peso (31%); Poupar/ Gastar de forma mais consciente (30%); Passar menos tempo nas redes sociais (34%); Melhorar o desempenho no trabalho (23%); Reduzir o stress (20%); Deixar de fumar (19%); Cortar no álcool (15%) [*esta será, muito provavelmente, uma intenção decorrente de toda a situação pandémica que vivemos].

 

Será este “teórico recomeço”, em que os consumidores estão altamente motivados face às resoluções a que se propuseram, uma oportunidade para as marcas aproveitarem e conquistarem novos utilizadores? Sim, claro!

 

Como podem então as marcas preparar-se para agarrar o momento? Devem definir os seus objetivos de marketing respondendo a algumas questões:

  • como posso posicionar o meu produto/ serviço de uma forma que faça o consumidor sentir que isso o tornará uma pessoa melhor ou que melhorará a sua vida ou a sua saúde?
  • como é que a escolha do meu produto/ serviço criará uma impressão mais positiva do consumidor junto dos seus amigos e familiares?

 

Para que o conceito possa ser aplicado, os gestores de marketing devem:

  1. Identificar a forma como o produto/ serviço ajuda o consumidor a alcançar as suas resoluções de ano novo;
  2. Criar uma história/ campanha à volta dele;
  3. Lançar a campanha pelo menos 90 dias antes de janeiro (ou seja, em outubro 😊), para criar uma associação entre o produto e a história;

 

Alterar a mensagem ao longo do tempo para se aproximar às aspirações dos diferentes consumidores até que em janeiro o produto / serviço será a resposta para alcançar “aquela” resolução. Aos marketeers que leem este artigo: se não se prepararam para 2021 não faz mal. Anotem na agenda para, em outubro de 2021, começarem a trabalhar nesta história que será a vossa grande resolução de ano novo em 2022.

 

Aos consumidores: não tem mal listar intenções para um ano novo, jurar que se vai cumprir e que se manterá fiel a elas (e depois não cumprir), porque o importante mesmo é comprometer-se com algo, seja por 2, 4, 6, 8, 10 ou 12 meses. Melhor do que tudo, é que não precisamos de um novo ano para recomeçar, temos 365 dias para o fazer. Também não tem mal deixarmo-nos encantar por campanhas que retratam corpos perfeitos e saudáveis, ambientes zen e famílias felizes, desde que numa ótica de voyeur e não de penitência. Sem pressão!

 

Eu confesso que já fui apanhada. Já comprei roupa de desporto, um novo tapete para o pilates, umas bandas para exercício e já retomei a minha alimentação “mais equilibrada”. Se é para durar 11 meses eu não sei, mas estou cheia de boas intenções. 2021 é que vai ser!

 

Prontos para seguir motivados nas intenções para 2021?

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