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Raquel Costa: “Uma mulher é uma gaja e também é uma senhora e uma rapariga”

“A Gaja” é um manual de sobrevivência para a mulher independente, escrito num tom humorístico, que está à venda a partir de 20 de maio. Conversamos com a autora do livro.

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Raquel Costa é uma nortenha a viver em Lisboa, jornalista e «uma moça na casa dos 30 anos». Há cerca de um ano, criou a página de Facebook “A Gaja”, que em poucos meses arrecadou quase 40 mil seguidores e agora ganha a forma de livro. Raquel explica que “A Gaja” é uma «versão hiperbolizada» de si e que a personagem serve para discorrer as suas ideias «sobre relacionamentos – sexo, entenda-se – e tudo o que gira em torno da interação homem-mulher, homem-homem, mulher-mulher e derivados.»

Com apresentação marcada para dia 2 de junho na FNAC do Chiado, o livro “A Gaja” chega agora às bancas, altura em que aproveitamos para conversar com a autora cujo lema é «mais vale casada e rica do que pobre e solteira».

Sempre que nos deparamos com uma personagem fictícia como ‘A Gaja’ temos de nos perguntar quanto da Raquel Costa está naqueles textos… ‘A Gaja’ é uma espécie de alter-ego da Raquel Costa ou uma personagem?

A Gaja é, mais do que um alter-ego, uma versão hiperbolizada de mim. Ela é aquilo que eu seria se não tivesse de cumprir regras básicas de boa educação e comportamento em sociedade. Não que A Gaja seja mal-educada. É apenas destravada! Quem nunca sonhou poder dizer em público tudo aquilo que lhe passa pela cabeça? A Gaja serve-me um bocadinho para isso… para poder gritar ao mundo as minhas ideias (por muito disparatadas que possam parecer). E, claro, para provocar, irritar e, desejo eu também, fazer pensar.

Como é que surgiu a ideia de começares a página de Facebook?

Eu tive, durante quase uma década, um blogue. Era algo mais confessional, íntimo, uma espécie de diário. Deixei, entretanto, de o atualizar, e há cerca de dois, três anos, em conversa com a mãe do meu afilhado, surgiu a ideia. “Porque é que não crias um blogue com as coisas que escreves?”. Na altura, a ideia ainda estava demasiado verde e, sinceramente, não me apetecia criar mais um blogue, sob pseudónimo, onde discorresse sobre a vida e as vacas. A ideia amadureu, o nome surgiu… “A Gaja”, porque é um nome, ao mesmo tempo, pejorativo (para alguns) e chamativo. Não deixa ninguém indiferente. Escolhi não escrever sob pseudónimo (se forem ver ao histórico de fotos sou eu que lá estou, de vibrador e rolo da massa na mão) porque quis dar a cara. Quis que identificassem a pessoa que escreve aquelas coisas, que defende aquelas ideias. E assim foi! A página arrancou em fevereiro de 2014 e nunca pensei chegar até aqui! Mas isto é só o início (riso maléfico)!

O que é que distingue uma “gaja” de uma “rapariga” ou “senhora” ou “mulher”?

Uma mulher é uma gaja e também é uma senhora e uma rapariga. Isso são apenas rótulos, semântica. Agora, se me perguntares quem é que eu acho que é a mulher “A Gaja”, aquela que representa aquilo que defendo, diria que é uma mulher independente, que luta por aquilo que quer. Não é inimiga das outras mulheres. É uma feminista, mas uma feminista à séria e não daquelas que dizem sê-lo apenas para odiarem os homens. Não se deixa intimidar por estereótipos e cria o seu próprio conceito do que é ser mulher, mesmo que os outros não concordem.

‘A Gaja’ também é romântica?

A Gaja adora o filme “Quatro casamentos e um funeral”, ou melhor, qualquer comédia romântica que meta o Hugh Grant ao barulho! Mas também acha fofinho que a convidem para ir ver o Benfica ao estádio e comer uma sandes de coirato no fim! Sim, diria que A Gaja é uma romântica… pouco tradicional!

Há aquele ditado “a brincar se dizem as verdades”. É isto que acontece no livro?

E de que maneira! Um dos capítulos é “como botar os cornos e não ser apanhado”. Claro que é ironia. Claro que não estou a incentivar à infidelidade. Mas, ali pelo meio de tanta brincadeira (e note-se que o livro d’”A Gaja” é um manual com humor e deve ser levado a sério q.b.) vão-se dizendo algumas verdades cruéis. Vão ter mesmo de comprar para comprovar.

Qual é o ensinamento mais importante que ‘A Gaja’ tem para as mulheres?
«Deixem-se de merdas e vivam a vossa vida».

Há várias personagens que eternizam a ideia da mulher feminina, vulnerável e dependente do amor. Esta gaja é um “grito de revolta” contra a romantização da mulher?

Não concordo nada com essa ideia de dependência do amor. Aliás, acho que os conceitos “dependência” e “amor” são mutuamente exclusivos. O amor liberta, não condiciona. É, aliás, essa liberdade que defendo.

A par deste projeto trabalhas como jornalista. São as histórias reais que vais conhecendo que inspiram as tuas crónicas?

O meu trabalho diário nada tem a ver com a minha página. As minhas crónicas são inspiradas em vivências minhas, de pessoas próximas, de coisas que vou observando na rua, no autocarro, no metro ou, pura e simplesmente, nascem da minha imaginação.

O que é que o público deve saber sobre o livro?

O livro d’”A Gaja” é um guia prático para… bom, para tudo! Há lá conselhos para sacar gajos ricos, para caçar gajas boas, para arranjar amigos com dinheiro e passar férias à borla, há também todo um capítulo dedicado à temporada dos casamentos (meu deus, quem não adora estar na fila à espera que a noiva atire o bouquet? Eu não…), à saga das pessoas sem filhos que vêem os seus amigos procriar e também uma secção dedicada à salvação de relacionamentos e à melhor forma de acabar com os mesmos.

Por Joana de Sousa Costa

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